Em agradecimento a 2013 - o que eu chamei de pior ano -

Antes que eu seja vista como alguém que "não fez mais do que obrigação ao agradecer", já esclareço aqui que 2013 foi um ano difícil pra mim. A menina que eu achei que fosse uma das minhas melhores amigas provou o contrário em grande estilo. Abri os olhos pra muita coisa. Caí. Muito. Não consegui desviar de nenhum bombardeio que a vida provocou - mas sobrevivi a todos. Acreditei fielmente que tudo daria certo no fim, mesmo com tudo desabando a cada passinho mínimo que eu dava. Acreditei nas pessoas erradas, nos caras errados. Mas por outro lado, descobri meus limites, minhas tolerâncias (e intolerâncias), matei vários monstros de "e se", outros eu aprendi a conviver, me aproximei de várias pessoas certas. Não conquistei nada sem uma boa luta, e algumas lutas ainda nem estão perto do fim. Mas, como diz meu adorado ídolo Jeremy McKinnon, "É nos tempos mais difíceis que nós crescemos mais".

Às vezes eu queria poder reclamar do meu ano de 2013, mas eu olho pra trás e penso que a vida poderia ter sido infinitamente pior, se quisesse. Podia ter tirado minhas melhores amigas, podia nem ter me tirado de situações que, honestamente, eu não saberia sair sozinha. Podia ter me impedido de conhecer algumas pessoas maravilhosas, e também podia nunca ter me mostrado o quanto outras pessoas não eram boas pra mim, como eu pensava.

A vida foi gentil comigo, mais do que eu pude ver. Ela provavelmente ensinou tudo o que estava na agenda pra que eu aprendesse no ano (com alguns 17 dias de atraso?), e tentou me ensinar da forma mais macia possível. O que eu quero dizer é: foi difícil, pareceu impossível em alguns pontos, mas eu também tive meus privilégios. Tive muito apoio, chances especiais que compensaram e que raramente são percebidas quando estamos vivendo-as.

Porque a gente não vê como a vida pode ser cruel, quando estamos nela. Sempre vemos como ela poderia ter sido "mais boazinha", nos esquecendo de ver como cada milimétrica possibilidade poderia ter tomado outro caminho e tido um fim horroroso, como cada pequena chance poderia ter sido pior - e não foi! - ou como aquela sorte de conhecer uma amiga especial, poderia não ter estado conosco.

Nós esquecemos que, sim, tem como piorar. E raramente - como agora - vemos que ela foi gentil, e que, mesmo não te enviando um post-it com o conhecimento já inscrito nele, fez da maneira mais difícil de se aprender (a prática), um aprendizado tão menos doloroso quanto foi possível. Afinal, já dizia John Locke "Todo conhecimento provém da experiência" e algumas doem.

Então talvez o que eu esteja sentindo seja gratidão. E às vezes eu só gostaria que outras pessoas pudessem ter essa mesma visão sobre as coisas que aprenderam durante o ano, e serem gratos por aprender. Não apenas porque "dava para ser pior", mas porque a vida foi gentil. E se a gente não aprecia nem os bons atos que são dirigidos a nós, como esperamos que apreciem os nossos para os outros? 

Mesmo atrasado, feliz 2014. Que nossas esperanças estejam renovadas nesse ano.