Eu te dei chance mesmo naquele turbilhão que o mundo ao nosso redor estava, todinho corrompido. Insisti que ia dar pé e mergulhei em você. Confiei em você quando ninguém sequer achava que inspirava confiança. Inocência, você diria. Mas sempre fui assim, inteira. Tudo que faço é muito, é intenso, e isso te assustou, não foi? Nunca fui de muitas palavras, por não saber usá-las com você, mas sempre conseguia um olhar, um abraço. E bastava, era incrível como tão pouco me bastava. Eu era um resumo e você uma sinopse e eu nunca vi isso. Penso às vezes naquilo que a gente foi e no que quase foi também. Tantos '
talvez' que eu quase não consigo montar uma linha do tempo precisa... Preciso olhar algumas vezes pra nossa história pra lembrar quem partiu, e qual coração se partiu. Você foi uma maré tão forte que ainda me pego pensando em como sobrevivi às ondas, as marolas de carinhos e à maré baixa, a distância mais fria que já conheci. Distante como aquelas ondas ali, no horizonte, a água se retraindo pra atacar com fúria e repentinamente, um tsunami devastador e impiedoso. Mas teu jeito era manso, lembra? Dia sim, dia não, como o mar, de lua. Mas a maré baixa é convidativa, e a gente sempre acha que dá conta. É, insisti que ia dar pé, mas quase me afoguei em você.