Foi assim, mesmo. Uma noite, anos de uma vez. Anos inteiros encapsulados num segundo só, naquele olhar cravado, no meio de tantos outros, de tantas luzes. Tanto barulho lá fora e um silêncio reconfortante aqui dentro. Você lembrava também.
Foi assim, de repente. Que nem eu esperava, nem eu, que sempre fui a mais esperançosa de todas as românticas que eu conheço.
O tempo parou.
Foi assim, e assim agora será.
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Falta
Me diz, quantos beijos pr'eu me enganar direitinho que não me falta mais teu gosto? Teu passo, teu riso, teu eu?
Quantos olhares pra me distrair da falta do teu? E quantos mais pra acreditar que eu já te esqueci, completamente, por um segundo que seja? Eu penso nisso o dia todo. Quanto tempo até eu perceber que eu sempre fui assim, um terra meio ar, e você um ar meio água? - um equilíbrio tão bonito quanto o mar tocando a areia - e o céu ali no fundo, pra gente contemplar. E quanto mais eu penso, menos eu sei; mais eu vejo como a gente foge à regra. E como me encanta fugir à regra com você. Eu tendo a gostar um pouco demais de liberdade, e você, verseau, tem uma queda pelo romance. Quanto tempo pra gente perceber que tá tudo bem assim? Astrologia nenhuma regra a gente, por mais que tente. Quando é amor verdadeiro que tá em jogo, todas as regras mudam - melhor, não há nenhuma regra. Quanto tempo falta? Cê me desculpa, eu sou ansiosa.
E, vem cá, quantos dias pra gente se ver de novo?
E, vem cá, quantos dias pra gente se ver de novo?
940851
Desculpa, que eu menti. Dei as costas, eu fugi, corri até de mim, e até o motivo eu também escondi. Mas achei que fosse óbvio.Menti porque é difícil demais esse espaço em mim. Me guarda. Me guarda na memória que eu volto. Me guarda na palma da mão, na ponta da língua. Eu também posso voltar. Eu tô quase aí.
Eu sei que eu corri. Tentei, me escondi, mas ainda assim não escapei de mim. Fica tranquilo, eu ainda tô aqui.
A gente tem um oceano.
Meus olhos são o oceano.
Não desiste de mim. Teus olhos são o oceano.
Não desiste. Corre essa ponte, corre esse rio, cumpre a promessa.
Você que me lembrou que tem um mundo lá fora, e eu que te ensinei que olhar pra dentro não é nenhuma fraqueza.
Corre, não desiste de mim. Eu já tô aí.
Loin d'ici (Te procuro)
Eu te procuro em todo canto, em tudo que é sorriso, em todos os filmes, nas comidas, nas risadas e nos cheiros. Me inquieto nos abraços, porque procuro e ainda não acho. Procuro as cores, o toque, a textura. Reviro as gavetas, caço as roupas. Te procuro no perfume, e quase te encontro! No escuro, na cama, em mim, em mim toda. Eu procuro por você nas festas que você nem poderia estar. Nas repúblicas, nos bares, nas ruas, nas corridas, nas partidas, nos esportes, nas memórias, nas luzes. Corro uma busca incessante na chuva, no álcool!, nas cidades, nas estradas, nos bilhetes. Ah, os bilhetes! Procuro qualquer vestígio que tenha sobrado naquela lanchonete. Recrio resquícios de um tempo que passou e te levou, procuro um horário que o relógio já fez mais de mil vezes desde aquela noite; procuro pegadas sobre um piso frio, e migalhas de bolo numa mesa limpa. E vou tão rápido que às vezes até acho que te deixei passar, e quase te encontro numa onda, bem longe, no mar. Que memória. Procuro tanto, e sem chegar a lugar nenhum, porque sei que não vou encontrar aqui, talvez; não vou te encontrar, não é? Procuro tão longe, com medo de estar perto de novo, e descobrir que, quem sabe, só eu tenha procurado esse tempo todo. Busca insensata, coração teimoso. Mas mesmo assim, em te encontrar, ainda que possa talvez me doer a ouvir, vou querer saber se, todo esse tempo, estaria você também a me querer.
Cada par de palavras
Mas não dá certo. Quase nunca dá certo, querer virar pro lado e dormir. Como se de repente eu pudesse esquecer o que acabou de acontecer. Como se desse pra deletar as marcas que você deixa em mim a cada par de palavras. Você nem sabe, mas eu fico pensando em todas essas coisas, as que você disse e as que eu deixei de dizer. Pensando que eu não vou cometer os mesmos erros que os outros me viram fazer, jogando todos os relacionamentos no buraco com gosto. Eu não vou falar de ex. Não vou te comparar - em voz alta, juro. Não vai ter espaço pra ironia nas nossas discussões; não, porque eu quando fico irritada, falo na cara, sem rodeios, sem dar voltinha, sem precisar dar aquela risadinha sarcástica de canto. É grosseria mesmo, intrínseca, mas é o que eu gosto de chamar de "amor rude". É a verdade sem seda. Mas talvez você nunca saiba disso tudo e talvez nem conheça esse lado meu, porque eu crio meus ensaios de discurso, mil e uma palavras, mas acabo me medindo tanto, achando que vou ocupar teu espaço, que não sobra mais que duas pra mim. Queria dizer que... Boa noite. Tudo bem. Acontece, né. E aí o espaço que eu te dou me deixa sem nada, me deixa apertada dentro de mim, sem ter pra onde correr, sem saída de como agir, me deixa presa, sufocada - coisa que eu nunca achei que fosse atribuir a você. E eu fico com essas palavrinhas em dobro, minúsculas pra tamanha necessidade de fala, de expressão. Sei que se eu quisesse falar todas elas de uma vez, ia assustar. E mulher nenhuma quer ser a descontrolada, a instável, a desestabilizada, seja lá o nome que for. Todas nós aprendemos da pior forma possível, perdendo incontáveis potenciais amores, que essa mania de ser tão peito-aberto, de dar a cara pra bater e se arriscar, não costuma ser a melhor opção. Eu não quero mais. Não quero mais colocar o coração à prova e voltar com ele estraçalhado, ensanguentado. Mas também não vai funcionar simplesmente apagar a luz e dormir, quando seu rosto ainda paira no meu olhar. Entende? Não quando cada par de palavras tuas me faz sonhar mais com os olhos abertos do que fechados. Mas um par de palavras nunca vai ser o suficiente. Então faz um favor, que eu tô pedindo uma última vez, não fica tão quieto, que isso não tá certo.
Você, vinho. O resto, água
Você é daquele tipo que me deixa a mil de questões e zero em respostas. E eu só queria te perguntar, talvez até sem gentileza nenhuma, com meu jeitinho ríspido do qual aliás você já nem deve lembrar, quem você pensa que é. Quem você acha que parece quando anda por aí de cabeça erguida, de mãos dadas com qualquer uma que for - porque não importa a coadjuvante -, como se você fosse vinho e eu água? E todo o resto, água. Diz, o que foi que passou pela sua cabeça quando você deu as costas pra todos que sempre estiveram aqui por você? Explica, porque eu nunca vou entender sozinha. Não, não entra na minha cabeça como é possível ser apagada tão rapidamente, num flash, sem avisos, nem adeus. Me diz como é fazer as malas e correr de madrugada, apagar as memórias instantaneamente, esquecer uma vida toda, que eu quero me assustar o suficiente pra nunca ter coragem de fazer o mesmo. Porque olha, você sabe, eu to acostumada com partidas, acenos tímidos, saudades intensas mesmo e consigo lidar muito bem, juro. Essa não é a questão. Só não faz sentido em uma partida caber tantos adeus. Não doeu esquecer de tudo, perder tantas lembranças? Não machuca olhar pra trás e pensar que aquele campo - concordo, nem sempre florido - nunca mais vai estar lá pra você, e que foi você quem destruiu a ponte de volta pra ele? Tem certeza que você não apagou pedaços importantes de você mesmo quando passou essa borracha tão grande no que ficou pra trás? Porque, e eu pensei sobre isso, não deve ter sido fácil. Não pode ter sido. Mas, pensando bem, nem explica, que não quero entrar nessa mesma noia que você. Deixa pra lá, eu não quero entender, vai que pega.
Quatro linhas ou nada
O problema é que, na minha cabeça, eu não devia ter que te falar isso. Entende? Eu não devia ter que ser a pessoa a colocar todas as cartas na mesa. Até porque quanto mais eu penso, menos certeza tenho se tô fazendo a coisa certa. Você chegou com uma confiança que eu nunca tinha visto de perto, me deixando tão livre que vai ver por isso eu me vi tão presa a você. E aí eu comecei a achar isso maluco, ainda mais pra mim, que nunca fui de sequer pensar na mesma pessoa por tanto tempo. Foi novidade, sabe? E deu medo, de quem sabe depois precisar e não poder. Então eu bolei mil planos pra me distrair e parar de pensar em você, precisava ver se sentia minha falta... Então você veio, todo dia. Você conseguiu; não me deixou te esquecer - não que eu por um segundo quisesse. E mais uma vez, lá fui eu ensaiar os sumiços, e me lembrar dos motivos. Por quê? Por que falar com você ficou pesado. É difícil querer - tanto, e não poder falar o quanto. O ser humano não tinha que ter inventado esse monte de leis sociais, mas inventou. E falar a verdade vai assustar, vai te fazer sair correndo. Por isso eu pego o celular e me permito digitar quatro linhas. Não gosto desse jogo, não gosto de ter que seguir essa brincadeira, mas pra quem é como eu, a vida se encarrega de ensinar que não é você quem faz as regras. E se você não aceita o que ela diz, cartão vermelho, aí já era, você é expulso. Então eu coloco na cabeça que a única saída é esquecer você, me afastar dessa confusão que meu coração, fraco, coitado, nunca tinha vivido antes. Tento lembrar quantas vezes você pareceu demonstrar o menor desinteresse. Repito mentalmente umas mil vezes essas palavras na frente do espelho até achar que aquela menina do reflexo se convenceu. Mas você sabe que o meu defeito é não conseguir enganar nem a mim mesma, mesmo com todos os ensaios do mundo. Que eu não aguento de saudade, que eu não entendo o que acontece comigo quando falo com você. Que eu queria que seus sinais tivessem sido mais claros - pra ter certeza se não to de novo fazendo besteira, dando tiro no escuro, tão a minha cara. Que eu queria essa sensação boa que você me dá, - meu Deus - todo santo dia. Que na verdade eu não consigo te esquecer, e a mais cruel verdade de todas, é que eu nem quero. Você sabe, não sabe? E mais uma vez, aquelas quatro linhas vão ficar só pra mim. Egoísmo que só se compara a você, me mandando a primeira mensagem do dia, sempre a primeira pessoa que eu penso quando acordo.
E só os loucos sabem
Eu sempre fui muito decidida, nunca deixei que ninguém me ditasse o que pensar, como agir, como ser. Mas aí veio você com aquele bom dia e todas as minhas esperanças de começar o dia sem pensar em você foram de novo por água abaixo. Mas também eu já to mais que mal acostumada, agora não tem mais jeito, já espero a mensagem todo santo dia. Quando ela não vem, acontece o que aconteceu hoje. E hoje eu já acordei com uma dor de cabeça insuportável, daquelas que eu nunca tenho, mas quando tenho me faz pedir misericórdia. E aí que lidar com duas dores já seria demais até pra mim. E eu te chamei. Um minuto até chegar sua resposta, sempre tranquila, como você. Me perguntei se você sabia o turbilhão que passava por mim naquele momento, as frequentes dúvidas sobre o que você sentia. Você, a pessoa mais X do mundo pra mim. O que é que eu fui fazer? Eu não tinha assunto - nunca tive - e não sabia o que dizer em seguida, mas você arriscou umas palavras. E de novo a menina decidida teve que assistir, no caso satisfeita, enquanto alguém corrigia a situação. Convivo com as dúvidas e, pra não perder a cabeça, escrevo. Não envio nada porque sei que assusta saber demais, mas mesmo assim escrevo. Uma vez eu vi por aí que o ruim da saudade é a pessoa nunca saber o espaço que ocupa no seu peito. Mas o contrário também é verdade, não é? Todos os espaços vazios entre nós não me dizem se um desses é meu. Dessa vez o silêncio, que eu adorava: meu maior sinal de liberdade, é meu maior inimigo, mais até do que eu, que vivia sabotando minha própria alegria. Então faz um favor, não fica quieto, não deixa esse silêncio engolir a gente. Porque eu nunca fiquei sem que me pedissem. E se eu toda hora penso em ir, ensaio um sumiço, arrisco desaparecer, não é necessariamente por vontade. Não é jogo. É medo de ficar sem ninguém pedir. Porque se eu fosse embora, desse chance a um novo alguém, o que você faria? Você também teria saudade?
Memoir
Sempre que a primeira letra parece me fugir à memória, cá estou, pronta para mergulhar de novo na recordação. Não aceito esquecer, não me permito deixar escapar essas poucas, boas lembranças que tenho.
Das quais você nem sabe.
E sabe meu nome ainda? Lembra de mim? Da cor dos meus olhos ou do meu cabelo? Não sei. Mas eu não esqueço. É uma lembrança doce, suave. De um tempo em que tudo era mais simples, até eu e você. Que seu sorriso se erguia até os olhos, e até as brigas tinham um quê de inocência. Recosto no sofá e fecho os olhos, e num instante, eu tenho todos os detalhes de volta, como se essas cenas nunca tivessem parado de se repetir. Como se seu nome ainda fosse presente na minha vida como naquele tempo, e não sutis reminiscências, escondidas em uma foto ou outra aqui e ali. E de repente, percebo furiosa, que eu nunca esqueço. E a memória é só minha.
Foi no outono passado
Eu ainda lembro do cheiro dos cigarros dele, como se a qualquer momento ele fosse voltar e me entorpecer, tirar todos os meus sentidos antes mesmo de encostar em mim. Lembro da tatuagem que ele tem nas costas, do videogame, do sofá desconfortável, da janela sem cortinas, da pilha de filmes ao lado do DVD, do notebook e até das notas ruins que ele tirava. Também nunca esqueci da sua voz, por mais que ligações não tenham sido nosso forte, nem andar de mãos dadas, ou sair juntos todos os dias. Mas, muito mais do que qualquer detalhe ou lembrança pequena, sempre lembro do que aprendi com ele, que, por mais que duas pessoas sejam tão diferentes, enquanto for da vontade das duas, tudo pode dar certo.
Summer days are back
Não adianta ficar lembrando de você toda hora, tentar me forçar a arriscar todas as vezes ou buscar maneiras novas de me fazer acreditar que tudo
vai dar certo no final, e que por isso eu deveria continuar a crer. Já está impossível me convencer
que alguma coisa vai mudar e, portanto, me impedir de voltar a ser aquela viciada em
liberdade, como antes. A cada segundo, sinto tudo o que eu era voltando à tona.
Sempre fui assim ou foi só a sua presença que escondeu isso? Se foi você quem me mostrou quem eu realmente sou, não sei. Porque de repente eu achei
tão errado voltar a ser alguém egoísta, impulsiva, auto-destrutiva, dona do
próprio nariz, teimosa, insensível, errada.
E dói, no fundo da alma, pensar que eu mesma não tenho mais controle sobre mim,
que ver você ir embora foi o que voltou a desencadear tudo isso. Levou a
melhor parte de mim, parte que aliás, devia era ser parte de você, não minha pra começar. E dói tanto
que fiquei anestesiada, impossibilitada de ao menos sentir pesar por mim, por
nós, ou por quem for. A mim não me importa mais nada. E já não adianta mais, se
mudar de ideia, deixe mensagem na caixa postal, que eu já cansei de esperar pelo
telefone.
Saudade não mata
Tanto tempo sozinha eu sofri, tantas noites na cama acordada
eu passei, nunca chegou o telefone a tocar. Não importava a seriedade que eu
impusesse, o quão pausada ou repetidamente eu dissesse, você nunca voltava. E a saudade
de vez nunca se foi. Mas de repente, num dia qualquer, desses comuns dos quais
ninguém espera nada, esse meu presente se tornou passado. A dor virou um espaço
vazio sem definição. O mais engraçado
foi que nesse mesmo dia o telefone tocou. Era você, mas a minha vida já havia
mudado, minha forma de conjugar os verbos e os sujeitos já estava completamente
diferente. Assim como o que eu sentia por você. Sem pressa, ouvi-me dizendo, segundos antes de te deixar com o telefone mudo, o que nesse tempo eu aprendi,
do jeito que de você eu sempre ouvi: Relaxa, meu amor, que saudade não mata.
O último paletó
Eu estava sempre presente, não estava? Arrumava seu cabelo, escolhia seus paletós, tirava a poeira, deixava brilhante. Você mesmo dizia que eu era o seu toque final. Lembra das conferências? Coquetéis, palestras, festas importantes... Eu estava sempre lá. Sempre cuidando da sua imagem, de você e do nosso amor... Alguns paletós precisavam de cuidado extra, então eu lavava a seco, colocava uma flor na lapela e fazia você combinar com o meu vestido. Lembra quando você teve que sair correndo pra comprar uma rosa de arco-íris porque meu vestido tinha mais do que três cores? Não dá pra negar que dá saudade, mas passou. Acabou. A chama, por fim, apagou, e sobraram seus paletós, esquecidos no fundo do armário. Mas vem cá, deixa eu fazer um último gesto. Como prova de meu carinho, como prova de minha saudade e como prova de que, caso você se canse da sua nova vida e resolva voltar, nós realmente terminamos por aqui. Mas hoje, querido, não visto mais você, vestirei o nosso amor. Vem aqui, que hoje, em símbolo de partida e com flores e tudo, vou vestir nosso amor com o último paletó, o paletó de madeira. Adeus.
E se?
Pensando bem, eu teria esperado o quanto fosse necessário, se ao menos você tivesse pedido. Mas tem algumas coisas na vida que nós nunca vamos entender, não é? Quer dizer, tentar entendê-las só nos traz mais confusão e nos deixa inconformados à toa, já que não vamos poder mudar nada, de qualquer jeito. Mas será que, se de repente, o amor nos tivesse encontrado antes... Estaríamos no mesmo lugar que estamos hoje? Ainda é cedo pra falar de tentar de novo, ou já é tarde demais pra pensar em um "nós"? Ainda temos tempo? O que você faria se eu dissesse aquelas palavras?
Amigos?
Às vezes criamos motivos para tentarmos esquecer alguém sem antes descobrir o porquê de tanta dor. Mas pela primeira vez, eu percebi que não me machucou tanto quando descobri em seu olhar sua nova paixão, obviamente somos amigos. Amigos? Não, meros colegas mal nos falamos, porém enquanto deixava minha amizade como opção, pelo menos eu cuidei de ti até onde pude.
Pela primeira vez escrevo sobre você aqui neste blog e pode ter certeza, é bastante divertido saber que esta feliz. Eu sempre soube que encontraria alguém legal na vida, que fosse realmente gostar e que fosse guiado. Espero que desta vez dê tudo certo e com toda certeza do mundo quero que pare de sofrer por pessoas que não lhe fizeram talvez bem algum.
Andei alguns passos a passos contigo. Sorri, chorei te fiz rir, ou pelo menos tentei, mas de uma coisa pelo menos já sei, pude contar contigo quando menos esperava. Sabe-se lá como teve tanta paciência de me aguentar nas lágrimas, nos meus antigos rolos, porém parece que pela voz, ou pelo cheiro no ar à famosa frase, “o que aconteceu?” foi o que sempre me deu grandes motivos para deixar de ser tão orgulhosa e ao menos alguma vez na minha vida dividir algo contigo, mesmo sabendo que mal tínhamos tempo de nos falar. Não sei se somos grandes amigos, que dividem segredinhos, mas somos colegas.
Pelo menos isso, eu consigo dizer já que pela primeira vez eu descobri que não somos presentes de verdade como muitos são na minha vida. Não somos amigos porque não estamos juntos, somos desligados e mensagens não rolam por celular, porque na maioria das vezes não me responde. Mas sabe por que não somos amigos de verdade? Porque no final das contas nós não procuramos ser tão ligados. Talvez fui eu que estraguei algo com a minha impaciência em confundir sentimentos, ou você ter se afastado ter sido uma consequência de não sermos irmãos. Mas quer saber, não faz muita diferença já que até agora não fez falta.
Pela primeira vez eu venho aqui dizer a verdade. Para quem pensa que amizade é todos aqueles que conversamos poucas vezes e somente algumas podemos contar, estão errado. Amigos são aqueles que se qualificam a te ajudar quase todos os dias, que saem contigo, que te ligam de vez em quando pra saber como vai a vida, que te surpreendem com 1 hora conversando asneiras pelo telefone. Que se lembram do seu aniversário, que brigam contigo quando esta errada e que te fazem feliz quando merece, e isso meu caro Hedy, não passou de uma grande mentira para nós dois. Não tenho medo de dizer seu nome em público não porque sinceramente, não somos como éramos antes, sendo que na semana passada uma mensagem no celular mandado, foi uma grande ignorada. E acabamos de descobrir que somos apenas colegas. Meros e míseros colegas. Que contam um com o outro raramente, mal se veem e mal ligam um para o outro.
Lembra de mim?
Eu lembro da última vez que ficamos perto um do outro. Perto o suficiente pra nos olharmos nos olhos e respirarmos o mesmo ar. E, sabe, eu não entendo por que não demos certo. Eu sei, eu que coloquei um ponto final, mas você tem que admitir que, do jeito que estava, não dava pra continuar. Mas olha só, de um jeito bem errado, a gente até que daria certo, não acha? Você não queria nada sério, eu também não. Você não queria se apaixonar, enquanto eu nem estava perto disso. Eu gostava da sua companhia, do seu sorriso, do seu cabelo, do seu jeito... Gostava, só, juro. Mas nunca pensei que algo que eu apenas gostava fosse me fazer falta, assim.
Depois que você se foi
Às vezes eu olho pra trás e eu penso em quantas vezes eu me entreguei de primeira depois de uma briga, pedi desculpas quando não estava errada, só pra não perder o que não era meu; me arrependi de erros que não eram meus, senti culpa por coisas que não fiz. Na verdade, não é isso que procuro lembrar, quando olho pra trás, mas é inevitável, sabe, tentar pensar em você e não lembrar dessas consequências. Tenho esperança que você nunca leia isso, porque se ler, é prova que fiz a coisa errada, de novo. Mas eu preciso falar pra alguém, pra alguma coisa, ou eu juro, eu vou pirar. Eu não espero que o que eu fiz ou deixei de fazer faça diferença alguma na sua vida, até porque eu já sei que "fui um capítulo na sua, enquanto você foi o livro todo na minha", não espero te encher de culpa quando você olhar pra trás, nem te desejo mal. De verdade, nem no fundo eu desejo isso. Só queria as minhas respostas. Por que eu? O que eu te fiz? E, sério, eu merecia ser tão enganada, assim? Eu era tão inocente, assim? E por que demorei tanto pra abrir os olhos? Por que você se permitiu brincar tanto assim? Paixão não é uma coisa com a qual se brinca. Sentimento dos outros não é um jogo. Eu poderia ficar o dia todo falando sobre como foi negativa a sua presença na minha vida, mas parei de achar que vale a pena sequer dirigir alguma palavra a você. Foram tantas mentiras. No fim das contas, eu sinto pena de nós dois. De mim, por perder tanto tempo. E de você, bem, por vários motivos. Eu não sinto muito por não ser o que você queria, eu sinto muito por você não ser um terço do que eu merecia, por, a essa altura, ainda ter muito o que aprender, muito a crescer e por ser um covarde. E aí eu olho pra frente e não sei se fico aliviada ou chateada por estar longe da sua vida. Uma pena você desperdiçar tanto. É só isso. Uma pena. Não tenho raiva. Nem ódio. Muito menos amor. Tenho pena.
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