Acho que eu ainda sou a única pessoa que consegue me arruinar de verdade. E embora isso possa ser algum tipo de covardia ou de autossabotagem, talvez também não seja lá uma coisa tão ruim, veja bem. Não falo como se fosse motivo de orgulho, como um talento ou um dom, mas não posso deixar que isso seja visto como penitência. Antes que alguém possa me atingir, eu consigo fazer pior - me fecho pro mundo e só eu sei o que acontece aqui dentro. E, olha, é também uma escolha e, de certa forma, algum poder. Infelizmente, nem tudo é tão simples. Não é porque eu posso escolher quem volta comigo pra casa - ou não volta, que eu também escolho quem entra no meu coração. Mas eu ainda sou a pessoa mais corajosa que eu tenho na minha vida, e eu sei da sorte que eu tenho. Ainda sou eu que pego na minha própria mão e me arrisco sorrindo: "vamos, vai mais um pouquinho que você consegue". E eu sempre consigo. "Corre mais um quilômetro, pedala mais um pouquinho, mas não fica aqui parada." E talvez eu não corra mais com a intenção de me encontrar por aí, sincero equívoco, mas pela intrínseca e simples necessidade de não me sentir presa. Talvez algum momento eu decida ficar. Talvez alguma hora eu me sinta à vontade ou confiante o suficiente pra descansar a cabeça e fechar os olhos, em vez de apertar mais forte os sapatos e o passo e esse monte de sentimento que mal cabe de uma vez no peito. Talvez alguma hora eu suma com os tênis de corrida e me encaixe num edredom numa tarde chuvosa, assistindo uma série que eu nem goste tanto assim, do lado de uma companhia que é absolutamente tudo que eu procurava - e não sabia. Serendipia, o sonho de todo mundo. Talvez um dia eu esteja pronta pra descobrir o que isso significa. Talvez eu já saiba. Já percebi que não existe resposta certa. Enquanto isso, eu vou mais um pouquinho, que algo me diz que um dia eu me encontro. E, quem sabe, um dia eu te encontro também.
Home / vida
Mostrando postagens com marcador vida. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador vida. Mostrar todas as postagens
e l a
Ela fechou a porta às pressas, como se as lágrimas não pudessem ter a gentileza de esperar alguns segundos até darem as caras. Sabia que havia acabado, mas insistia em retroceder cada momento. Eu sei porque eu já fiz o mesmo, já velejei esse mar salgado como a gota. Ela vai lembrar que o príncipe não veio de cavalo branco, mas num carro. E na verdade era azul como uma bela manhã de primavera. Ele brincou com a bolsa dela, com seus drinks coloridos, com ela mesma... Mas essa parte a própria paixão dá um jeito de ignorar, defesa automática. Ele não deixou ela em casa à meia noite e o sol já havia raiado há muito tempo - mas também, aquela história já tava bem batida. Agora a única coisa que restara de batida, era seu coração. Ela quase podia ver a esperança se debatendo no chão, agonizando por uma chance de algo que já nasceu destinado ao fim. Mas a vida real tem a sua própria magia, que foge àquela superficial dos contos de fadas: a vida real é palpável e interativa como sonho algum jamais poderia ser. E ela era verdadeira assim, como a vida em si, sensata, real. Recostou-se e repensou, deixando as lágrimas de lado por alguns minutos. Antes de acusar perda para algum dos lados, deu-se conta de que isso não importava. Às vezes há perda dos dois lados e, às vezes... Às vezes é só a vida agindo, em seu eterno curso de sempre saber o que fazer.
C'était comme ça
Foi assim, mesmo. Uma noite, anos de uma vez. Anos inteiros encapsulados num segundo só, naquele olhar cravado, no meio de tantos outros, de tantas luzes. Tanto barulho lá fora e um silêncio reconfortante aqui dentro. Você lembrava também.
Foi assim, de repente. Que nem eu esperava, nem eu, que sempre fui a mais esperançosa de todas as românticas que eu conheço.
O tempo parou.
Foi assim, e assim agora será.
Foi assim, de repente. Que nem eu esperava, nem eu, que sempre fui a mais esperançosa de todas as românticas que eu conheço.
O tempo parou.
Foi assim, e assim agora será.
Por mim
Dois e um
O que é que vai ser da gente? Daqui a uns anos, daqui a uns meses, daqui a dois dias? Quando você arrumar aquele emprego, quando a gente se mudar, e quando nosso cachorro chegar? O que é que vai ser se nossa vida se separar? Se virar de repente eu pra cá e você pra lá? O que é que vai ser? Cê consegue imaginar? Você voltaria de novo, largaria o ego, o orgulho, tudo por nós? Porque eu largaria. Deixava pra lá tudo essas coisas que não importam, sabe. O que fica é a real, esses laços, o amor, eu e você. A gente faz um esforço, se desdobra em três, vira um mil, mas a coisa sai. Quando quer, acontece, sim. Eu só pergunto, e se pergunto, é só porque respeito a sua opinião, respeito sua vontade. Porque nós dois, sobre nós dois, você sabe que é verdade... Não tem dois sem um.
Danse et danse
Conheço o teu jogo, sou vacinada contra a tua raça e, de quebra, não aceito papel de prêmio de consolação - aí é difícil, mulher com amor próprio? Hoje, danço a noite toda, sem precisar amar ninguém, sem precisar ligar no dia seguinte, porque também é escolha minha. Mas hoje minha coragem balança no mesmo ritmo que meus pés, uma bossa nova querendo ser samba, um chorinho que é quase um fado. Os ombros doem, as pernas quase cedem, mas a música não me deixa parar. Por teimosia ou sensatez, insisto em não recostar por mais um tempo.
Se quer saber, acho até que esse aperto no estômago não tem nada a ver com as abdominais de mais cedo ou com os copos entornados, mas mesmo assim me recuso a acreditar no que quer dizer de verdade. Meu riso ainda tá entalado na garganta, junto com o álcool que ainda não subiu, e ficar consciente demais me dá um estalo: não caio nessa de intenções nulas, ter sido tudo por acaso. Eu não via o fim, do começo, mas isso não quer dizer que ele já não estava nos planos, não é? Sem parar de dançar, ergo o copo, me enfio um pouco mais na multidão, os pés timidamente abrindo caminho à frente. Me diz, quanta coragem cabe numa desistência? E será que rola um samba dessa nossa existência?
A noite vai ser longa, mas meu copo está cheio.
Faísca
Meu santo é forte, minha fé um pilar
Mas é tão cruel imaginar que é só isso que me há
Que eu dei adeus de cabeça erguida
sem saber que fim ia se dar,
sabendo o diabo pelo qual me ia passar
mas amor também é renúncia
não se perde o que não se pertence
É que afinal, acreditar é o primeiro passo para realizar
Talvez me seja a teimosia
mas se essa é a melhor coisa que há na vida
por que então a gente não deveria?
E por que não teimar com a própria teimosia e fazer arriscar? Fazer por onde - dá suas voltas
se desenrola, até que não haja mais nós
apenas laços
envolvendo nós
Faz por onde! Seja paciente
Talvez não no meu tempo, mas o tempo dirá.
Porque se há uma chance, uma pequena chance
de você ser - e eu também - num mesmo momento
então eu estarei lá, estarei aqui
A faísca reacenderá
Fogo de amor é inextinto, cê sabe
que enquanto num coração ainda se vive, ainda há, ali, morada
e se faz até sem merecer
lar sempre vai ser o coração do outro
A gente sabe o caminho de casa
a luz de casa é estrela-guia e as portas esperam destrancadas
o fogo resiste mesmo à noite
sempre aceso, teu retorno
E a vida toda não se perde, a lareira jamais se apagará
Uma faísca é tudo que é preciso
Talvez não no meu tempo, mas o tempo virá
E um dia, será.
Mas é tão cruel imaginar que é só isso que me há
Que eu dei adeus de cabeça erguida
sem saber que fim ia se dar,
sabendo o diabo pelo qual me ia passar
mas amor também é renúncia
não se perde o que não se pertence
É que afinal, acreditar é o primeiro passo para realizar
Talvez me seja a teimosia
mas se essa é a melhor coisa que há na vida
por que então a gente não deveria?
E por que não teimar com a própria teimosia e fazer arriscar? Fazer por onde - dá suas voltas
se desenrola, até que não haja mais nós
apenas laços
envolvendo nós
Faz por onde! Seja paciente
Talvez não no meu tempo, mas o tempo dirá.
Porque se há uma chance, uma pequena chance
de você ser - e eu também - num mesmo momento
então eu estarei lá, estarei aqui
A faísca reacenderá
Fogo de amor é inextinto, cê sabe
que enquanto num coração ainda se vive, ainda há, ali, morada
e se faz até sem merecer
lar sempre vai ser o coração do outro
A gente sabe o caminho de casa
a luz de casa é estrela-guia e as portas esperam destrancadas
o fogo resiste mesmo à noite
sempre aceso, teu retorno
E a vida toda não se perde, a lareira jamais se apagará
Uma faísca é tudo que é preciso
Talvez não no meu tempo, mas o tempo virá
E um dia, será.
A real
Se eu mandasse uma última mensagem de texto pra você, ela provavelmente não poderia ser SMS. Sabe, SMSs são mensagens curtas, sucintas, e a minha ia precisar ser repartida em várias partes. É tanto que você ia se sentir em um SAC de uma empresa ruim e trapaceira. Como você. Você ia preferir o processo no tribunal e a falência, a lembrar de todas as faltas cometidas; falta grave, bruta, incisiva, calculada. Você provavelmente já sabe tudo o que eu diria, mas ainda assim eu consigo imaginar o choque na sua expressão, por ter vencido o meu orgulho uma vez que fosse. Eu escreveria uma carta, mas eu nem tenho coragem de gastar tanto tempo pensando em você, intoxicando a cabeça de novo. Então tá aqui a SMS, confere seu celular depois. A sua marca é permanente, já percebi, e ainda to aprendendo a perdoar a ingenuidade de nós dois; a sua, por acreditar que eu estaria sempre na palma da sua mão, e a minha, por acreditar em você.
Aluado
Eu te dei chance mesmo naquele turbilhão que o mundo ao nosso redor estava, todinho corrompido. Insisti que ia dar pé e mergulhei em você. Confiei em você quando ninguém sequer achava que inspirava confiança. Inocência, você diria. Mas sempre fui assim, inteira. Tudo que faço é muito, é intenso, e isso te assustou, não foi? Nunca fui de muitas palavras, por não saber usá-las com você, mas sempre conseguia um olhar, um abraço. E bastava, era incrível como tão pouco me bastava. Eu era um resumo e você uma sinopse e eu nunca vi isso. Penso às vezes naquilo que a gente foi e no que quase foi também. Tantos 'talvez' que eu quase não consigo montar uma linha do tempo precisa... Preciso olhar algumas vezes pra nossa história pra lembrar quem partiu, e qual coração se partiu. Você foi uma maré tão forte que ainda me pego pensando em como sobrevivi às ondas, as marolas de carinhos e à maré baixa, a distância mais fria que já conheci. Distante como aquelas ondas ali, no horizonte, a água se retraindo pra atacar com fúria e repentinamente, um tsunami devastador e impiedoso. Mas teu jeito era manso, lembra? Dia sim, dia não, como o mar, de lua. Mas a maré baixa é convidativa, e a gente sempre acha que dá conta. É, insisti que ia dar pé, mas quase me afoguei em você.
Do outro lado do mundo
Na minha vez
Um alguém qualquer
Esses dias me perguntei, por que é que eu não te apaguei. As fotos, os textos, os presentes, o livros, tá tudo aqui ainda. E eu não tive a resposta na hora, e talvez nem agora ela esteja assim tão clara. Como é que se apaga alguns anos da memória, assim, tão rápido, me diz? Foi amizade boa, em alguns momentos, e então saiu de controle. Você e eu. Os trilhos ficaram mais apertados. Pra mim, mais você do que eu. Mas quem sabe no seu mundinho caótico as coisas não foram diferentes, não é? Ainda assim, entendo seu questionamento. E essa parte eu também não consigo entender; se é passado, por que ainda não devolvi tudo, apaguei a luz e fechei a porta. É que, fazendo isso, acho que eu finalmente estaria lacrando anos do meu passado. Seis, pra você ter certeza que é contigo, amiga. E parece que apagar isso, tantas horas que passamos juntas, e que eu confiei em você, apagaria um pedaço meu também. Então acho que é essa sua resposta. É por isso que um pedaço seu continua aqui, e vai continuar até eu decidir que um pedaço do meu passado já não é mais importante. Até que eu decida que um pedaço meu é tão desimportante a ponto de poder ser apagado sem rancor. E quem sabe quando eu vou decidir isso? E quem é alguém pra decidir que a própria memória não é importante pra lidar com o presente, com novas possíveis amizades? Não eu. Eu não vou tomar essa responsabilidade. E sabe de uma coisa, eu quero é paz. Vou guardar as lembranças, sim, mas não significa que vou revivê-las pra sempre. Não significa que eu sinta falta, jamais imagine isso. Acho mais que elas estão lá como uma maneira de me lembrar, pra me frear da próxima vez que confiar em um alguém qualquer.
Aos de uma noite só
Essa é pra você, meu nada-sério, uma-noite-só, cara que definitivamente não é pra vida toda, mas que hoje ganha umas palavras minhas. E essa é pra você porque você não entendeu quando eu disse que por mim tava tudo bem, que eu não ligava pro título que fosse que tivéssemos, ou a falta dele. Não porque eu esteja sentindo mais do que disse - entre nós dois eu dispenso a mentira -, mas exatamente porque talvez você ainda não tenha caído na real. Eu queria encontrar palavras bonitas nesse momento, mas a beleza delas só acabaria funcionando contra mim agora. Mas aí vai; é que eu não entendo, por que é que homem tem esse medo irracional de perder a liberdade, como se fosse o prêmio final que toda mulher busca a partir do momento em que conhece um cara, sinal de batalha vencida. Não faz sentido esse senso alerta o tempo todo, como se quando você desviasse a atenção, BAM, eu fosse colocar uma coleira no seu pescoço - nem eu as quero. Essa declaração é pra você, mas essa é diferente. Eu juro que é adequada, a nós dois, aos nossos padrões, ao nosso momento. Não sou mais uma dessas meninas que você encontra por aí, obcecadas por um relacionamento a qualquer custo, com o par de calças que for, e que vai até o fim do mundo pra por um anel no dedo. E no fundo você devia saber. Pára de ficar com esse pé atrás, ou quem vai acabar caindo é você. Veja bem, não tô te pedindo pra amarrar teu coração em lugar nenhum, e se o medo é tanto - olha pra dentro - pode ser porque quem corre risco de sofrer de amor é você mesmo; mas por outro lado, queria te lembrar que é possível se apaixonar inesquecivelmente numa balada e também desapaixonar irrevogavelmente num jantar à luz de velas. Tá vendo onde eu quero chegar? A vida acontece o tempo todo, então esquece o receio e faz valer. Não corre com o coração na mão como se eu apresentasse ameaça, vai; se for pra correr, que seja pra levar esse pavor injusto pra bem longe daqui. E leva, mas faz o favor de não demorar, que meu tempo é tão precioso quanto o teu, cê sabe. Porque eu, assim como você, não sou de esperar tanto assim.
É preciso lutar por um amor?
No meio daquela sessão desabafo entre as amigas, foi inevitável chegar nessa questão. Porque, entre nós, quando o caso é se devemos insistir num cara ou não, não há supremo tribunal que chegue a um veredicto. É que, sendo amor, precisa mesmo de tanta luta?
Mas não precisei pensar muito pra perceber que essa nunca foi uma das minhas preocupações. Meus amores sempre pediram uma dose de luta e eu sempre usei a gosto. Contra minhas próprias crenças, minhas manias, meus amigos, minha possessividade descontrolada, as piriguetes da balada, Deus e o mundo, mas não contra ele.
Afinal, lutar por um amor? Claro que sim, quantas vezes fosse preciso. Insisto que lute. Mas, simples assim, não brigaria por alguém que não quer ficar. Não insistiria em recriar um momento que acabou para o outro, porque eu também odiaria que fizessem o mesmo comigo. Foi um prazer enquanto durou, mas se ele consegue ir embora sem nem olhar pra trás, que assim seja. É que, acima de tudo, por mais que doa perder um amor, pior ainda é perder o amor próprio. Relutante, dou minha benção. Que vá em paz, amém.
Mas não precisei pensar muito pra perceber que essa nunca foi uma das minhas preocupações. Meus amores sempre pediram uma dose de luta e eu sempre usei a gosto. Contra minhas próprias crenças, minhas manias, meus amigos, minha possessividade descontrolada, as piriguetes da balada, Deus e o mundo, mas não contra ele.
Afinal, lutar por um amor? Claro que sim, quantas vezes fosse preciso. Insisto que lute. Mas, simples assim, não brigaria por alguém que não quer ficar. Não insistiria em recriar um momento que acabou para o outro, porque eu também odiaria que fizessem o mesmo comigo. Foi um prazer enquanto durou, mas se ele consegue ir embora sem nem olhar pra trás, que assim seja. É que, acima de tudo, por mais que doa perder um amor, pior ainda é perder o amor próprio. Relutante, dou minha benção. Que vá em paz, amém.
Declaração
A diferença é que essas palavras serão mais leves, embora carreguem o fardo que mais me pesa ultimamente. Vai ver é que eu aprendi a ligar aquele filtro, sabe, que você sempre dizia que desligava nas horas mais importantes. Ou vai ver foi a música, que me ensinou a dizer tudo o que eu penso sem arrancar um fio de cabelo do próximo, sem nem arranhar a superfície do descontrole, numa cadência sincera. E isso é bom, eu acho. A mudança é boa. Ruim é o igual, monótono, como aquele gif que fica em loop eterno, e por mais longo que seja, eu já sei o final.
É que as vezes acontece isso com a minha vida. O filme que eu já vi passa e repassa na minha frente e eu me vejo de braços cruzados, esperando minha chance de dizer alguma coisa, esperando um espacinho em branco para colocar meu desabafo, mas ele nunca vem e eu sempre fico frustrada. Hoje, eu pauso esse vídeo e me jogo na frente do retroprojetor. Hoje eu que mando na minha história, e isso faz bem. Faz bem como você nunca imaginaria. E, agora em posse, eu declaro proibições. Os joguinhos acabaram, chega de rodeios e de jogos de persuasão, manipulação e também de andar em círculos. Chega de indecisão, dúvida, mistério e toda essa confusão! Pra lá com o desrespeito, falta de amor próprio. Acabou o medo também. O único medo que sobrou foi o de não tentar, lembra? Eu lembro bem. E como não podia faltar a parte irônica de mim, tenho que proibir a falta de algumas coisas boas. Esse é o fim da falta de carinho. Esse país chamado vida é meu, e nele só as minhas regras prevalecem. Eu não deixo mais ninguém mentir. Ninguém mais pode faltar com amor (aquele fraternal mesmo) aqui. Só que é preciso dialogar, é lei, e de agora em diante... Tá proibido não ser sincero. Dessa vez com calma eu dou o play, e a vida pode continuar.
Engarrafada
Três palavras aqui...
Mas não aquelas
Outras duas por lá
Tampouco as outras
Palavras que eu não ouvi
Que eu não disse
Tantas no meio do caminho
Caí
Aos tropeços
[algumas perdi
E todas emaranhadas
Encadeadas e afogadas
Como (em alto mar)
a esmo
náufragas cartas
Pra não desistir de mim
É que eu cansei. E eu só vim comunicar que eu desisto. É isso mesmo. Depois de tanto tempo tentando, dando meu sangue pra conseguir aprovação no que quer que fosse, eu finalmente me dei conta de que o melhor é desistir. Então fica aqui meu desabafo. Desisto de ser a menina perfeita, de me entupir de maquiagem só pra esconder as olheiras depois de uma noite mal dormida. Desisto de medir minha alegria, sorrindo sem mostrar os dentes, e de não dar aquela gargalhada alta que eu queria só por não ser "coisa de menina que se preze". Desisto de escolher os vestidos sempre abaixo do joelho, ou os decotes da blusa sempre três dedos acima da linha do sutiã, porque independente do que eu escolha, vão falar algo a respeito. Desisto de passar a noite em claro tentando lidar com críticas pesadas, julgamentos injustos e de procurar formas de continuar provando meu valor. Desisto de tentar abraçar o mundo e esquecer de mim no processo. Desisto! Desisto de chorar por quem não me quer. Desisto de ter medo. Desisto da timidez. Desisto, também, de calcular minhas palavras, de não falar palavrão quando nada mais vai expressar o ódio no meu peito ou a puta vontade que eu tenho de dizer o quanto amo alguém. Mas também desisto de amores doentios. Desisto de ser quem eu não sou. Desisto de ser infeliz. Desisto de sofrer. Desisto, dessa vez, porque é o melhor a se fazer. Desisto dos erros, que é pra não desistir de mim.
O medo que me sobrou
De primeiro arrisquei batidas novas, experimentei mais no gosto musical e no modo de vestir, mas no espelho vi que ainda tinha muitos medos, pré conceitos e ilusões que eu vestia como verdade. Mas o medo de mudanças estava estirado sob meus pés.
Comecei a me despir da arrogância, pra ver se assim meu eu cabeça-dura aprendia coisas novas e a visão à minha frente se tornou mais clara. Percebi, não tão surpresa, que havia sem querer colocado os óculos da humildade diante das vistas.
A partir de então, como peças de dominó caindo ordenadamente, assim foram meus medos. Vi enquanto o medo da felicidade ia embora, e pude constatar com alívio que esse era um que eu jamais voltaria a vestir. Temores que eu nem sabia que possuía, escondidos nos bolsos dos casacos e até nas meias. Até medo de amor, ora furtivo entre os fios de cabelo, eu tinha.
Só parei quando uma única peça cobria meu corpo, tão fina quanto uma tatuagem. Tão delicada e ao mesmo tempo tão imponente que precisei olhar diretamente. Passando os dedos, sua textura era tão macia quanto áspera. Aquilo era mesmo parte de mim? Estava ali o tempo todo, só esperando ser descoberto? Observei, maravilhada, e percebi com súbita confiança que se fosse para ter algum medo, que fosse esse, se é que de alguma forma poderia ser classificado assim.
E eu dei as costas para o espelho, confiante, atônita e frenética, pronta para exibir meu solitário medo mundo afora e barganhar todas as proezas que conseguisse com o coitado. Pois o único medo que sobrou foi o de não tentar.
A partir de então, como peças de dominó caindo ordenadamente, assim foram meus medos. Vi enquanto o medo da felicidade ia embora, e pude constatar com alívio que esse era um que eu jamais voltaria a vestir. Temores que eu nem sabia que possuía, escondidos nos bolsos dos casacos e até nas meias. Até medo de amor, ora furtivo entre os fios de cabelo, eu tinha.
Só parei quando uma única peça cobria meu corpo, tão fina quanto uma tatuagem. Tão delicada e ao mesmo tempo tão imponente que precisei olhar diretamente. Passando os dedos, sua textura era tão macia quanto áspera. Aquilo era mesmo parte de mim? Estava ali o tempo todo, só esperando ser descoberto? Observei, maravilhada, e percebi com súbita confiança que se fosse para ter algum medo, que fosse esse, se é que de alguma forma poderia ser classificado assim.
E eu dei as costas para o espelho, confiante, atônita e frenética, pronta para exibir meu solitário medo mundo afora e barganhar todas as proezas que conseguisse com o coitado. Pois o único medo que sobrou foi o de não tentar.
Calidoscópio da vida
Então eu comecei a olhar pra dentro de mim. Procurei as qualidades que sempre quis ter e que - com surpresa - notei que havia conseguido adquirir. E um mundo completamente novo se abriu diante dos meus olhos a partir desse instante. Porque eu percebi eu era a única ligação entre o querer e o ter.
Sempre me disseram que talento é só uma parte do caminho para o sucesso, que o restante depende do seu esforço. Mas ainda, talvez a frase não esteja tão exatamente assim. É que o sucesso é que depende do esforço. O talento é uma parcela mínima, o tira-teima, na melhor das ocasiões.
Sempre me disseram que talento é só uma parte do caminho para o sucesso, que o restante depende do seu esforço. Mas ainda, talvez a frase não esteja tão exatamente assim. É que o sucesso é que depende do esforço. O talento é uma parcela mínima, o tira-teima, na melhor das ocasiões.
Não que eu soubesse disso antes.
E então eu entendi que a beleza, sendo tão subjetiva, não é necessariamente o rosto bonito, as coxas finas, ou os dedos longos e delicados. Ela pode - olha só - ser o que os olhos nem podem ver. A sutileza no jeito de agir, o carinho disperso na voz, o cansaço depois de um dia bastante produtivo, fechar os olhos antes de dormir. A beleza pode ser o que te traz felicidade. O que te faz fechar os olhos e desejar estar de novo naquele momento.
Pode ser a capacidade de cantar, desenhar, ou a capacidade de lidar com as pessoas e ajudá-las. Pode ser simplesmente a determinação de seguir seus sonhos. De sorrir diante das atribulações da vida. A criatividade diante de problemas substanciais. O respeito diante dos mais velhos, ou a curiosidade ante a coisas que ainda não conhecemos.
É belo, mas a gente não sabe. Eu não sabia.
A beleza é um calidoscópio que cada ser humano tem diante dos olhos. Cada qual vê um minúsculo pedaço por vez, e a imagem formada é sempre única, especial à sua maneira. Tem milhões de facetas, e bem-aventurados os que têm ciência disso, não interpondo sua própria visão pessoal à dos outros. Porque no fim é tudo uma questão de ótica, de enxergá-la por ângulo A ou B, bem como dentro ou fora de si.
Uma vez me disseram que substantivos abstratos se diferenciavam dos concretos por não terem existência própria, e precisarem de alguém para existir. A beleza existe porque tem alguém para vê-la ou defini-la, o amor existe porque tem alguém para senti-lo, e a felicidade? É fruto disso tudo. Mas essa é só uma faceta, o milésimo do milésimo do que eu enxergo no meu calidoscópio da vida.
Foi aí que eu decidi ver a beleza. Senti-la nas veias, atribuindo a cada momento a mágica que é simplesmente estar vivo, sentindo o coração bater. Porque estar vivo é bonito, amar (tanto a si próprio quanto ao próximo), sentir-se feliz, é bonito. A beleza de simplesmente ter o poder de sentir o mundo à nossa volta - através dos sentidos ou da alma - é subestimada. Mas agora eu vejo como isso é belo.
E como é belo.
Beleza é um estado de espírito
Foi numa festa que eu me dei conta. Já tinha tomado algumas, então, de cara, já não me dei muita atenção. Mas depois aquele pensamento veio batendo lentamente, pouco a pouco, na minha cabeça, até que foi impossível ignorá-lo. Até que, pra mim, ele se tornou verdade. A minha verdade.
É que disseram que uma garota era muito linda, e eu percebi que não compartilhava daquela opinião. Era uma mulher, quase em seus trinta, com cabelo normal, olhos comuns e roupas bonitas - mas o que tem a ver com beleza? Só que tinha alguma coisa nela que a tornava completamente diferente da maioria das outras que também estavam naquela festa, com os mesmos olhos castanhos - que nunca é tão exaltado quanto merece -, uma saia parecida, o mesmo estilo de cabelo.
E eu comecei a observar, intrigada.
Foi quando eu comecei a reparar o que ela tinha de diferente, que extra aquela garota carregava. Não era o modo de se comportar, ou as suas curvas, ou a cor do seu blush que era diferente, especial. Não, era algo muito mais imprevisível. Ela só parecia se amar. Eu juro! Ela sorria e dançava como se estivesse completamente confortável em sua própria pele. Como se amasse cada segundo de simplesmente ser.
Ela era comum. Mas uma rosa não é menos bonita só porque todas as outras também são vermelhas. Comum como eu, como você e várias outras bastardas por aí que enxergam o comum com desgosto, que quase tem um ataque cardíaco por se imaginarem iguais a alguém, mas que não hesitam em apelar para a progressiva, a lipoaspiração, ou recorrer ao botox quando sentem que não se enquadram no padrão. Foi aquela garota que, mesmo sem nunca saber meu nome, me ensinou que há beleza em ser único, amar a si mesmo, no estágio da vida que for.
Tinha essa coisa totalmente inexplicável sobre ela, essa aura que a tornava diferente, embora de relance parecesse brutalmente comum. Comum às outras garotas perto dela. Rendera-se aos padrões de beleza, por quaisquer motivos que fossem, mas manteve o amor-próprio intacto.
Talvez soubesse que o padrão está em constante movimento, e que não vale a pena se apegar a algo assim.
Vai ver é por isso que dizem que a beleza - o que importa - vem de dentro.
Assinar:
Postagens
(
Atom
)











%2Bc%C3%B3pia.jpg)


