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Archive for outubro 2017
Por mim
Por muito tempo eu não te perdoei. Não aceitei seus erros, não aceitei suas maldades planejadas, seus planos que quase me tiraram o chão. Não, não aceitava porque tinha sido planejado. Porque, meu deus, como eu pude ser tão cega? Como eu pude deixar tanta coisa rolar até perceber o que tava acontecendo? Porque a sua escolha me roubou as minhas opções, e até algumas oportunidades. Você mexeu na minha vida sem pedir permissão, e eu só percebi quando era tarde demais. Como que alguém pode escapar de tanta consequência, só com um sorrisinho inocente? A manipulação me enerva. Como seria possível que alguém pudesse continuar se dando bem, às custas dos outros assim? Como que pode uma pessoa que só pensa em si mesma? Eu não entendo como isso funciona. Como alguém teria o sangue pra falar mal de uma pessoa e fazer amizade com ela, logo em seguida? Eu sei seus segredos. Sei o tanto que você me tentou ser. Sei vários dos seus medos. E ainda não entendo como ninguém te parou, ainda. E por que você continua fazendo as mesmas maldades que antes? Será que o budismo não te ensinou nada? Eu encosto no sofá e penso, sozinha, em tudo que me fez, nas chances que eu tive de te parar, e na chance que eu tô tendo agora. Será que eu devia? Balanço a cabeça em negativa, não posso te salvar. Nem quero. Eu não tô sozinha. Mas daqui de cima, olhando pras suas ações, eu sei que você tá. A vida já começou a cobrar, e não tem olhar medidamente inocente que provoque misericórdia no impiedoso carma. Mas você já sabe disso, não é? Você já tá colhendo, eu tô vendo, semente por semente. Espinho por espinho. Esses fios brancos não deixam mentir. Vai doer, e só por isso eu continuo aqui. Respiro fundo, repensando as minhas ações. Repensando todo meu rancor. Jogo tudo pra fora. Pode ficar com toda essa mágoa. Você criou. É sua. Eu não quero. Não me pertence. Assim como qualquer resquício da tua existência. E sabe o melhor? Vai me fazer bem. Pela primeira vez, algo vindo de você vai me fazer bem. Agora eu enxergo o lado bom de tudo, e o seu é a ausência. E é até engraçado que eu tenha aprendido, no fim das contas, algo com você. Minha última ação é um pouquinho egoísta, embora se vista de altruísmo. Por muito tempo eu não te perdoei, mesmo que você nunca tenha pedido, mas hoje eu perdôo. Te perdôo, por mim.