Home / Archive for dezembro 2016
Dois e um
O que é que vai ser da gente? Daqui a uns anos, daqui a uns meses, daqui a dois dias? Quando você arrumar aquele emprego, quando a gente se mudar, e quando nosso cachorro chegar? O que é que vai ser se nossa vida se separar? Se virar de repente eu pra cá e você pra lá? O que é que vai ser? Cê consegue imaginar? Você voltaria de novo, largaria o ego, o orgulho, tudo por nós? Porque eu largaria. Deixava pra lá tudo essas coisas que não importam, sabe. O que fica é a real, esses laços, o amor, eu e você. A gente faz um esforço, se desdobra em três, vira um mil, mas a coisa sai. Quando quer, acontece, sim. Eu só pergunto, e se pergunto, é só porque respeito a sua opinião, respeito sua vontade. Porque nós dois, sobre nós dois, você sabe que é verdade... Não tem dois sem um.
Sexto sentido
A tua falta é tão palpável que dói. Mas dói de verdade, de arranhar as entranhas e fazer a gente se contorcer um pouquinho quando lembra, no sofá da sala, numa tarde ensolarada. Porque lembra que não consegue esquecer. Não consegue distrair por inteiro, não consegue focar num joguinho de videogame que for, em montar a árvore de natal, em fazer planos pro verão, em qualquer coisa que por mais incrível que pareça, ainda falta um pouquinho de brilho. Cê sabe do que eu tô falando.
Nem acho que gostar é toda essa magia que dizem, não sou fã de paixão, mas a falta que cê fez... Rapaz, a falta que você fez chega a ser visível. Você nem tá aqui e eu te vejo em todos os cantos, te vejo na tv, te vejo na rua, na minha cozinha, na minha cama, encostado na minha porta. E nem adianta fechar os olhos, que a coisa fica mais nítida ainda. E vou te dizer, dói.
E se eu fugir de enxergar, eu sei que vou ouvir. Nem adianta tentar escapar, que tá lá, o timbre da sua voz, aquele jeitinho de falar que gostou demais de alguma coisa, ou aquela alegria em encontrar mais bolo de fubá. Mas sabe o que mais faz falta? Escutar aquele "nós", quando eu nem imaginava. Eu nem sabia que gostava disso. Que absurdo, agora fico parecendo disco riscadinho, ouvindo a mesma voz, de novo e de novo. E eu não faço ideia de onde fica o botão de parar.
Se eu corro pra outros braços, por exemplo, é outro sufoco. E nem falo de respirar, que eles me dão bastante espaço, tanto quanto mando. É que o cheiro ainda me é muito presente, ainda que já seja tão ausente que eu jurava nem mais lembrar. E a vida acontece de um jeito doido, de repente tá lá você, teu perfume, você em outros braços. Você num outro sorriso, num outro rosto, e por uns segundos eu quase me engano. Eu superestimo minha capacidade de me iludir.
Mas mesmo que conseguisse, ainda de olhos fechados, ainda me resta sentir teu gosto. Ah, isso ninguém engana. Ninguém disfarça, ninguém imita do mesmo jeito, cê pode ficar tranquilo. Não tem jeito, nem no céu, nem no inferno, de enganar essa boca aqui, que já conhece cada curvinha da sua, que ri em concordância com cada risada sua, que sabe muito bem como faz pra te acompanhar. Aí eu imagino como é que você tá.
Só que ultimamente só resta a lembrança. E de tanta falta, de tanta, tanta falta que eu sinto, seria a saudade o sexto sentido? Me explica, que eu não entendo, qual o sentido?
Outra pessoa
E se eu não quiser outra pessoa? Por mais que soe infantil pensar assim, que eu não arredo o pé de você, não é absurdo pensar que só porque as coisas não estão simples, eu teria que encontrar outra pessoa? Porque eu acho bizarro. Tão bizarro quanto alguém que diz nunca ter amado, cê me desculpe. Mesmo com meus poucos anos de vida, eu não caio nessa fábula de alma ferida e coração congelado. E também me deixa perplexa o quanto as pessoas, em geral, recorrem ao recurso de jogar tudo de lado e recomeçar. Isso me apavora, porque eu também quase fui pra esse lado diversas vezes - e isso não combina comigo, nem um pouco! Mas talvez isso explique como a gente consegue jogar fora anos da faculdade pra recomeçar o mesmo curso, ou jogar fora um relacionamento que ia bem, por alguma crise externa que surgiu, ou por tédio, ou mesmo desistir de aprender uma língua porque tá demorando muito pra ficar fluente. Cê entende? Onde é que tá a persistência, a vontade de consertar as coisas em vez de simplesmente descartá-las, cadê todos os valores que nossos pais tentaram nos enfiar goela abaixo? Cadê nós no meio de tanta desistência? Eu fico pensando o que sobra da gente no meio de tanto botão "delete" e de tanta vez que a gente dá as costas a algo que já nos fazia bem. Como é que a gente pensa que pode simplesmente jogar fora um sonho, jogar fora um amor, assim? E como é que você pode pensar que eu vou conseguir querer outra pessoa, agora?
Incontrolopatível
Mas é claro que você voltou, e pra mim não é nada menos que óbvio por que quis outra chance. Quem aguenta um mundo maluco, do avesso, desse jeito? Cê não é nenhum chapeleiro, dá conta não. Você não é personagem de ficção pra brincar assim, de faz de conta, de criar história e depois cair fora. Não é assim que a banda toca, entre uns espasmos de frio e outros calores no meio da noite. Não, não comigo. Quem é que aguenta, me diz, uma vida rodeada de sorrisos falsos e favores e umas caipirinhas num bar qualquer? É de duvidar, é difícil de entender quem é que aceita se rebaixar tanto, por tão pouco. E sentiu falta, não foi? Há coisas sobre a vida tão pouco além de findas. Que encontro incompatível, olha eu aqui no teu abismo.
Entre um frio de tremer os ossos e um calor de ferver a pele, aqui estamos de novo - mas se você acha que eu sinto falta, relaxa. Relaxa! Essa febre já passou, eu tô é curada. Abdico do teu mundo. E mais digo, aqui não fico nem mais um segundo!
Entre um frio de tremer os ossos e um calor de ferver a pele, aqui estamos de novo - mas se você acha que eu sinto falta, relaxa. Relaxa! Essa febre já passou, eu tô é curada. Abdico do teu mundo. E mais digo, aqui não fico nem mais um segundo!
Assinar:
Postagens
(
Atom
)



