Acho que ninguém mais no mundo conseguiu fazer a proeza que eu fiz. Me apaixonar à primeira vista foi uma das coisas mais insensatas que eu já consegui fazer. A parte ruim é que eu não me sinto nem um pouco mais leve ao assumir isso. Infelizmente, dizer isso em voz alta não alivia ou muda em nada o que sinto. A coisa só vai piorando. Conheço-o há três dias e criei uma obsessão terrível pelo coitado. Nem passamos o tempo todo juntos ou conversando. Muito menos sei se ele gosta da minha companhia. No entanto, já me mata de ciúmes ver como ele é simpático com todo mundo. É impossível ser especial, ainda mais quando é notável que todas as meninas caem loucas atrás dele. E, acredite em mim, não é auto estima baixa, mas elas são perfeitas.
Ele saiu de um namoro de dois anos, provavelmente não quer saber de amor por um bom tempo. Pelo menos não alguém que não seja a ex dele.
Na verdade, ele parece rancoroso do amor. Eu não entendo nada da história dele e, mesmo que quisesse, não acho que ele me contaria. Parece que os pais deles morreram: a mãe, num acidente de carro em meio a uma gravidez e o pai, algum tempo depois. Já cheguei a ter medo de interferir demais se tentar conversar sobre isso. Minha melhor amiga tem ficado muito amiga dele, me dizendo que ele é um fofo e super possessivo. É feio ficar com inveja? Sabe, ele não é nem de longe o cara mais bonito do mundo, nem sei se é real ou sonho, mas alguma coisa nele me faz encará-lo antes que eu me dê conta. Ele tem algo familiar e, embora seja sempre fácil pra mim dizer o quê, dessa vez eu não faço ideia.

Realmente não sei! Minha cabeça começa a ficar nublada se penso muito nisso. Tenho o número dele, às vezes ele responde rápido, mas quando demora, começo a pensar se é alguma menina que está falando com ele, tomando todo seu tempo. Já usou drogas e parece que já foi preso. Pode até ser que não, mas creio que minha amiga também possa estar atraída por ele. Ou então, ferrou. Juro, esse garoto tem alguma coisa! Não faço ideia de quem possa morar com ele. Ele é um ano mais velho e está numa das faculdades mais concorridas do país, cursando mecatrônica. Chame de memória seletiva, mas nunca nem decorei o curso do menino com quem tento ter algo há 6 meses. Conheço Romeu há 3 dias! Ah, claro, tem a parte teoricamente boa: a língua natal dele é francês, a minha melhor língua e única, além de italiano, minha língua natal.
Ele é espontâneo, e conseguimos ser verdadeiros um com o outro. Adora Beatles, qualquer um que os adore já ganha pontos comigo. Mas eu tinha percebido que entreguei a droga do meu coração pra ele um pouco antes de descobrir isso. Tenho seguido-o por algumas horas com o olhar, sempre que possível e ele não costuma se dar com qualquer um, ou mesmo alguém específico. Ao mesmo tempo em que ele é tão espontâneo, também não se doa fácil, vai entender. No segundo dia, eu usava uma máscara de batgirl quando ele brincou comigo. Meu coração deu um salto. Nesse mesmo dia, ele arranjou uma máscara de batman, só pra combinar comigo. E ainda andou por aí, usando-a. Depois me diz como não me apaixonar!
Ele ama ler! Não consegui acreditar quando descobri isso. Já contei que ele é carinhoso? E eu sempre tão isenta de carinho, tão mal apresentada à carência, descobri que quero conhecer essa parte dele, e que estou disposta a experimentá-la. É muito estranho, porque de uma forma que eu nunca poderia ter previsto, ele se parece muito comigo, e ao mesmo tempo, é totalmente oposto, de forma a ser possivelmente o molde do meu encaixe singular demais. Sei que posso estar exagerando, mas se estou apaixonada, era o mínimo a se esperar: exageros, certo? Ouço até as vozes da minha cabeça dizendo que estou apaixonada. Pode ser que eu tenha encontrado a cura dos meus problemas, ou então quem vai desencadeá-los. O pior é que quero ficar pra descobrir.

Antes de saber que faculdade ele fazia, eu havia decidido prestar um curso do mesmo campus. Veja bem, não é tão óbvio quanto parece, apenas porque é uma boa faculdade. Há pelo menos 3 anos, escolhi pelo curso de humanas, e dias antes de conhecê-lo, comecei a pensar algo perto de exatas, que são no mesmo campus que o dele. Não há o curso de humanas que quero em toda a faculdade, independente dos campus, e considerar exatas veio antes de conhecê-lo, o que me deixa mais em dúvida ainda se era pra ser assim ou não.
Porque, se não o tivesse conhecido ainda, teria eu entrado em exatas e o conhecido lá?
Como é dura a vida para os que acreditam em destino. Se devo levar como um sinal, não sei, já estou confusa. Cansei desses sinais complicados.
Agora que tirei essa ansiedade de mim, aproveito para descansar o sono que me foi roubado ontem. E também aproveito para fazer uma prece, que Deus permita que meu destino esteja entrelaçado ao dele. Que Ele não permita, aliás, que Romeu não sinta o mesmo, ou que eu perca esse sentimento novo e confuso, porém benigno, ou ainda que me sinta patética, quando acordar amanhã. Não só fé, agora eu tenho esperança. Há potencial aqui. Sei que vai dar certo. E fecho os olhos.