Gente Grande

Pensei, mesmo sem nunca ter pensado muito sobre o assunto, que a maturidade viria natural e eventualmente, tão devagar que eu só poderia notar depois que já fosse outra. Não achei - e posso afirmar mesmo sem ter ponderado isso, porque sei que se me perguntassem, eu discordaria - que seria tão rápido a eu me ver mudar, passar a me trancar dentro de mim, lidar com meus próprios problemas, em vez de colocá-los em um pedestal e metralhá-los a todos que se aproximassem.
Fiquei assustada de ver que as mudanças chegaram tão quieta e rapidamente e logo fixaram moradia, me deixando completamente sem rumo, a calcular freneticamente todos os passos que eu dava - porque agora eu sabia como qualquer erro poderia ser fatal. Ou talvez fosse assim que a dramatização tivesse sido passada pra mim.
Corri de mim muitas vezes, entrando no que chamam de depressão - ou, pra mim, introspecção - porque em inúmeras chances, eu errei, e não conseguia ver onde e ser tão errada sempre me frustrou. Sentir a incapacidade sempre me debilitou demais. É engraçado, não é? Porque eu não era incapaz, só tinha medo do desconhecido.
O desconhecido nunca trouxe nada que alguém saberia descrever, e por razões óbvias, nem nunca deixou que as pessoas pisassem com firmeza no chão. De onde eu assistia, era como pisar em gelo fino, num lago recentemente congelado. Podia dar tudo perfeitamente certo ou irreparavelmente errado.
Só que eu não corri mais. Essa mudança louca, quando menos esperei, me fez enfrentar todos os meus medos antes mesmo que eu me desse conta e pisar com segurança naquele gelo fino, armada apenas de fé e da desculpa de que só queria ver no que ia dar.
Porque era assim que eu via os adultos fazerem.

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