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Akai Ito

Olha só, eu to exausta. Esse pôr do sol me lembra você e eu finalmente tenho um lugar pra descansar a cabeça. Ainda que me doa que esse lugar não seja teu colo, de quando em quando, eu sei que sou eu pra ti, e você pra mim, e isso me basta. E pensar que eu tive tanto medo de esquecer, das memórias me escaparem, do cheiro me faltar; teve tudo lá, o tempo todo. Até mais do que o saudável, se possível. As memórias mais vívidas que uma pintura neon, como se estivessem acontecendo de novo, diante dos meus olhos. Às vezes parece que encontro desfechos diferentes, mas volto sempre ao mesmo lugar. O início é sempre você. E tem algum tempo, tem sido assim, e eu fui deixando sem pensar demais. Provavelmente porque eu também não queria enxergar. Mas eu olho pra quem tá no meu colo, e eu penso no começo, sem conseguir ver de novo o primeiro dia. O primeiro dia mudou, e eu nem vi. Está tudo bem. Ainda está. Mas agora eu me questiono, é sobre o fim.

Outra pessoa

E se eu não quiser outra pessoa? Por mais que soe infantil pensar assim, que eu não arredo o pé de você, não é absurdo pensar que só porque as coisas não estão simples, eu teria que encontrar outra pessoa? Porque eu acho bizarro. Tão bizarro quanto alguém que diz nunca ter amado, cê me desculpe. Mesmo com meus poucos anos de vida, eu não caio nessa fábula de alma ferida e coração congelado. E também me deixa perplexa o quanto as pessoas, em geral, recorrem ao recurso de jogar tudo de lado e recomeçar. Isso me apavora, porque eu também quase fui pra esse lado diversas vezes - e isso não combina comigo, nem um pouco! Mas talvez isso explique como a gente consegue jogar fora anos da faculdade pra recomeçar o mesmo curso, ou jogar fora um relacionamento que ia bem, por alguma crise externa que surgiu, ou por tédio, ou mesmo desistir de aprender uma língua porque tá demorando muito pra ficar fluente. Cê entende? Onde é que tá a persistência, a vontade de consertar as coisas em vez de simplesmente descartá-las, cadê todos os valores que nossos pais tentaram nos enfiar goela abaixo? Cadê nós no meio de tanta desistência? Eu fico pensando o que sobra da gente no meio de tanto botão "delete" e de tanta vez que a gente dá as costas a algo que já nos fazia bem. Como é que a gente pensa que pode simplesmente jogar fora um sonho, jogar fora um amor, assim? E como é que você pode pensar que eu vou conseguir querer outra pessoa, agora?

Na minha vez

Queria sacudir seus ombros até que ela entendesse, até que em seus olhos eu visse aquela resposta que eu não consegui ter, anos atrás. Quis tanto, que de alguma forma mágica, tudo que eu sabia até ali, se transportasse pra ela. Osmose, quem sabe? Tinha esperança de ser uma melhor professora, de contar como é que as coisas aconteceriam, como tudo seguiria no mais provável rumo, pra ela evitá-lo. Quis tanto saber exteriorizar tudo o que eu pensava. Tentei a murros e pontapés. Murro em ponta de faca e pontapé em muralhas espinhosas. É sério, eu insisti, mas era uma corda bamba com um aro de fogo em volta - tão fácil queimar junto. Queria que tivessem feito o mesmo por mim, então fiz o que gostaria que tivessem feito, em igual intensidade. Mas lembro também que não teria deixado interferirem tanto na minha vida, quando o que eu sentia era tão certo - como podia algo tão certo ser tão errado, afinal? E alguns anos depois eu entendi, que às vezes a gente se engana, e tudo bem com isso. A questão é que podia, sim, parecer certo e ser totalmente errado, e então com essa certeza, todas as outras viraram de ponta cabeça no meu mundo. Viu a confusão? Eu lutando pra ajudar uma amiga, quando eu mesma não teria aceitado ajuda, algum tempo atrás. E por mais hipócrita que possa parecer, além de tudo que eu já disse; eu queria, sim, que tivessem tentado com o mesmo afinco, queria que tivessem tido o mesmo zelo comigo, na minha vez de me apaixonar pelo cara errado.

É bom mudar por alguém?

Esse é mais um daqueles questionamentos que me fazem ficar acordada a noite toda, se eu não me esforçar pra mudar de assunto e desligar o cérebro.
Nessa vida, pessoas e pessoas vão tentar te fazer mudar, e nem sempre é pra melhor. Afinal, o que é ser melhor? O cabelo, que bem que podia ser mais curto ou mais claro? Ou então o corpo, por que é que você ainda não tentou emagrecer? Faz tão bem... Mas acho que as mudanças mais intensas, que mais requerem energia, são as internas. Seu jeito de agir, seus gestos, seu romantismo, a atenção que você dá a certos assuntos e que não dá a outros, é tudo parte sua, isso compõe você. E então vem mais uma vez essas pessoas que chegam com uma checklist gigantesca, e muitas vezes, a gente não bate todos os requisitos. Mas a culpa não é nossa. Eu não admito que a culpa seja minha por não bater com a lista de alguém, ou por não caber numa agenda apertadíssima. Cansei de gente que chega de carro cheio e me culpa por não me fazer caber no porta-malas.
Mas também tem aqueles tão diferentes da gente, mas de alguma forma tão agradáveis, que a gente se vê querendo mudar. Tirando um pedacinho aqui e ali, pra acrescentar uma atitude diferente, um pensamento novo. Querendo ser melhor pra quem sabe estar no mesmo nível que (a gente vê) essa pessoa, pra quem sabe ser chamada pra sentar no co-piloto. E a gente, ou talvez só eu mesma, quando repara, já virou um quebra-cabeças remontado do avesso, algumas pecinhas até parecendo irreconhecíveis. E nesse jogo de mudar, se encaixar e desmontar, embora às vezes não dê certo e seja preciso voltar à estaca zero, noutras vezes - o que assusta muito mais - a gente percebe que funciona bem melhor assim. E que o avesso pode muito bem ser o lado certo.

Pra não desistir de mim

É que eu cansei. E eu só vim comunicar que eu desisto. É isso mesmo. Depois de tanto tempo tentando, dando meu sangue pra conseguir aprovação no que quer que fosse, eu finalmente me dei conta de que o melhor é desistir. Então fica aqui meu desabafo. Desisto de ser a menina perfeita, de me entupir de maquiagem só pra esconder as olheiras depois de uma noite mal dormida. Desisto de medir minha alegria, sorrindo sem mostrar os dentes, e de não dar aquela gargalhada alta que eu queria só por não ser "coisa de menina que se preze". Desisto de escolher os vestidos sempre abaixo do joelho, ou os decotes da blusa sempre três dedos acima da linha do sutiã, porque independente do que eu escolha, vão falar algo a respeito. Desisto de passar a noite em claro tentando lidar com críticas pesadas, julgamentos injustos e de procurar formas de continuar provando meu valor. Desisto de tentar abraçar o mundo e esquecer de mim no processo. Desisto! Desisto de chorar por quem não me quer. Desisto de ter medo. Desisto da timidez. Desisto, também, de calcular minhas palavras, de não falar palavrão quando nada mais vai expressar o ódio no meu peito ou a puta vontade que eu tenho de dizer o quanto amo alguém. Mas também desisto de amores doentios. Desisto de ser quem eu não sou. Desisto de ser infeliz. Desisto de sofrer. Desisto, dessa vez, porque é o melhor a se fazer. Desisto dos erros, que é pra não desistir de mim. 

O medo que me sobrou

De primeiro arrisquei batidas novas, experimentei mais no gosto musical e no modo de vestir, mas no espelho vi que ainda tinha muitos medos, pré conceitos e ilusões que eu vestia como verdade. Mas o medo de mudanças estava estirado sob meus pés.

Comecei a me despir da arrogância, pra ver se assim meu eu cabeça-dura aprendia coisas novas e a visão à minha frente se tornou mais clara. Percebi, não tão surpresa, que havia sem querer colocado os óculos da humildade diante das vistas.

A partir de então, como peças de dominó caindo ordenadamente, assim foram meus medos. Vi enquanto o medo da felicidade ia embora, e pude constatar com alívio que esse era um que eu jamais voltaria a vestir. Temores que eu nem sabia que possuía, escondidos nos bolsos dos casacos e até nas meias. Até medo de amor, ora furtivo entre os fios de cabelo, eu tinha.

Só parei quando uma única peça cobria meu corpo, tão fina quanto uma tatuagem. Tão delicada e ao mesmo tempo tão imponente que precisei olhar diretamente. Passando os dedos, sua textura era tão macia quanto áspera. Aquilo era mesmo parte de mim? Estava ali o tempo todo, só esperando ser descoberto? Observei, maravilhada, e percebi com súbita confiança que se fosse para ter algum medo, que fosse esse, se é que de alguma forma poderia ser classificado assim.

E eu dei as costas para o espelho, confiante, atônita e frenética, pronta para exibir meu solitário medo mundo afora e barganhar todas as proezas que conseguisse com o coitado. Pois o único medo que sobrou foi o de não tentar.

Calidoscópio da vida

Então eu comecei a olhar pra dentro de mim. Procurei as qualidades que sempre quis ter e que - com surpresa - notei que havia conseguido adquirir. E um mundo completamente novo se abriu diante dos meus olhos a partir desse instante. Porque eu percebi eu era a única ligação entre o querer e o ter.

Sempre me disseram que talento é só uma parte do caminho para o sucesso, que o restante depende do seu esforço. Mas ainda, talvez a frase não esteja tão exatamente assim. É que o sucesso é que depende do esforço. O talento é uma parcela mínima, o tira-teima, na melhor das ocasiões. 

Não que eu soubesse disso antes.

E então eu entendi que a beleza, sendo tão subjetiva, não é necessariamente o rosto bonito, as coxas finas, ou os dedos longos e delicados. Ela pode - olha só - ser o que os olhos nem podem ver. A sutileza no jeito de agir, o carinho disperso na voz, o cansaço depois de um dia bastante produtivo, fechar os olhos antes de dormir. A beleza pode ser o que te traz felicidade. O que te faz fechar os olhos e desejar estar de novo naquele momento. 

Pode ser a capacidade de cantar, desenhar, ou a capacidade de lidar com as pessoas e ajudá-las. Pode ser simplesmente a determinação de seguir seus sonhos. De sorrir diante das atribulações da vida. A criatividade diante de problemas substanciais. O respeito diante dos mais velhos, ou a curiosidade ante a coisas que ainda não conhecemos. 

É belo, mas a gente não sabe. Eu não sabia.

A beleza é um calidoscópio que cada ser humano tem diante dos olhos. Cada qual vê um minúsculo pedaço por vez, e a imagem formada é sempre única, especial à sua maneira. Tem milhões de facetas, e bem-aventurados os que têm ciência disso, não interpondo sua própria visão pessoal à dos outros. Porque no fim é tudo uma questão de ótica, de enxergá-la por ângulo A ou B,  bem como dentro ou fora de si.

Uma vez me disseram que substantivos abstratos se diferenciavam dos concretos por não terem existência própria, e precisarem de alguém para existir. A beleza existe porque tem alguém para vê-la ou defini-la, o amor existe porque tem alguém para senti-lo, e a felicidade? É fruto disso tudo. Mas essa é só uma faceta, o milésimo do milésimo do que eu enxergo no meu calidoscópio da vida. 

Foi aí que eu decidi ver a beleza. Senti-la nas veias, atribuindo a cada momento a mágica que é simplesmente estar vivo, sentindo o coração bater. Porque estar vivo é bonito, amar (tanto a si próprio quanto ao próximo), sentir-se feliz, é bonito. A beleza de simplesmente ter o poder de sentir o mundo à nossa volta - através dos sentidos ou da alma - é subestimada. Mas agora eu vejo como isso é belo.

E como é belo.

Beleza é um estado de espírito

Foi numa festa que eu me dei conta. Já tinha tomado algumas, então, de cara, já não me dei muita atenção. Mas depois aquele pensamento veio batendo lentamente, pouco a pouco, na minha cabeça, até que foi impossível ignorá-lo. Até que, pra mim, ele se tornou verdade. A minha verdade.

É que disseram que uma garota era muito linda, e eu percebi que não compartilhava daquela opinião. Era uma mulher, quase em seus trinta, com cabelo normal, olhos comuns e roupas bonitas - mas o que tem a ver com beleza? Só que tinha alguma coisa nela que a tornava completamente diferente da maioria das outras que também estavam naquela festa, com os mesmos olhos castanhos - que nunca é tão exaltado quanto merece -, uma saia parecida, o mesmo estilo de cabelo. 

E eu comecei a observar, intrigada.

Foi quando eu comecei a reparar o que ela tinha de diferente, que extra aquela garota carregava. Não era o modo de se comportar, ou as suas curvas, ou a cor do seu blush que era diferente, especial. Não, era algo muito mais imprevisível. Ela só parecia se amar. Eu juro! Ela sorria e dançava como se estivesse completamente confortável em sua própria pele. Como se amasse cada segundo de simplesmente ser. 

Só então eu entendi que talvez isso fosse o amor-próprio - mas essa era só a ponta do iceberg. 

Ela era comum. Mas uma rosa não é menos bonita só porque todas as outras também são vermelhas. Comum como eu, como você e várias outras bastardas por aí que enxergam o comum com desgosto, que quase tem um ataque cardíaco por se imaginarem iguais a alguém, mas que não hesitam em apelar para a progressiva, a lipoaspiração, ou recorrer ao botox quando sentem que não se enquadram no padrão. Foi aquela garota que, mesmo sem nunca saber meu nome, me ensinou que há beleza em ser único, amar a si mesmo, no estágio da vida que for. 

Tinha essa coisa totalmente inexplicável sobre ela, essa aura que a tornava diferente, embora de relance parecesse brutalmente comum. Comum às outras garotas perto dela. Rendera-se aos padrões de beleza, por quaisquer motivos que fossem, mas manteve o amor-próprio intacto. 

Talvez soubesse que o padrão está em constante movimento, e que não vale a pena se apegar a algo assim.

Vai ver é por isso que dizem que a beleza - o que importa - vem de dentro. 

Sobre ser o suficiente (auto-ódio)

Gorda.
Devia comer menos, me sinto grande demais. Quando essa blusa começou a apertar nas laterais? Essa balança deve estar com algum problema. Tá olhando o quê? Nunca viu ninguém com a calça apertando um pouquinho? Como se ninguém tivesse gordurinhas.

Feia.
Essa espinha já tá na minha testa há quantas eras? Desde quando o meu nariz é torto assim? Nossa, meu cabelo precisa cair desse jeito? Por que ele não pode ter mais brilho ou ser um tonzinho mais claro? Melhor cobrir com maquiagem. Só pode ser por isso que ele não quis continuar comigo, meu sorriso é estranho demais. E essa mancha no meu ombro? A blusa fechada vai cobrir perfeitamente.

Fora do padrão.
Baixa demais. Alta demais. Braços finos. Desengonçada. Olhos grandes. Olhos separados. Juntos demais. Pequenos demais. Sobrancelhas finas. Espessas. Desgrenhadas. Unhas roídas. Cílios ralos. Voz ruim. Pernas grossas. Finas. Tortas. E se eu puxar esse shorts um pouco... mais... pra cima? Cabelo escuro demais. Loiro demais. Vão me achar sem-sal. Lábios sem cor. As bochechas não coram. Pele oleosa.

Sem-graça.

                    Comum.




                                                                                 Sozinha.


Tudo o que eu queria

Consegui o que eu sempre quis. O vestido de quatro dígitos, o complemento mais do que excelente para a festa do ano à qual fui; o melhor passeio de barco, logo em seguida, seguido do pôr do sol acompanhado do champagne mais caro de que já se ouviu falar. Estava com o corte de cabelo perfeito, acompanhada daquela bolsa que consegui antes de todo mundo e o namorado mais cobiçado do meu grupo de amigas a tiracolo. Os sapatos da estação me esperavam, assim que eu tirasse o biquíni. O bronzeado ideal que só alcancei clinicamente, junto com os seios, só estariam completos com os cílios mais bonitos do mercado. Nas mãos, adornadas com postiças exuberantes de porcelana, o celular da última geração. À minha frente, minhas dez melhores amigas, munidas de câmeras de altíssima resolução, registravam cada segundo, algumas postando diretamente online, para que todos pudessem admirar-nos. As festas, as comidas, as roupas, os trejeitos montados, os sorrisos, as luzes... Nunca tive dúvidas, alcancei tudo o que quis, mas se pudesse, alcançaria mais. Prometi-me que alcançaria tudo. 

Mas afinal era tudo, tudo o que eu precisava?

Texto baseado na ideia "Você nunca vai conseguir ter o suficiente daquilo que não precisa", ou algo por aí, que eu ouvi em uma aula de redação.

Sobre a escola

Ei, atenção! Aí vai meu relatório mais sincero da possível instituição que mais existe por aí: Imaturidade. Claro que outras palavras também presentes no âmbito escolar também se encaixariam ali, mas acho que se a primeira fosse resolvida, provavelmente ninguém te julgaria. Ou faria joguinhos. Muito menos diria X se prefere Y, na esperança que você falhe em tentar acertar. E se você está no trabalho e isso também é a sua realidade, eu sinto em informar que você vive em uma extensão de escola. 

Aliança não é brega, não

"Anel de namoro é brega". Eu podia ter dormido sem essa, pensei assim que li essa frase. Claro, eu não precisava estar atualizando freneticamente as redes sociais - consequência da falta de paciência com os livros que deveria estar lendo -, mas não dá pra negar que fiquei contrariada por essa frase tão imprudente.
A única coisa que pude concluir imediatamente - além de que a garota era solteira - era que ela prossivelmente tinha se machucado e estava com aquele rancor de quando se é tirada à força de um relacionamento.
Tive vontade de dizer abertamente pra ela como é bom ter alguém pra quem correr pros braços, uma pessoa com quem contar e para contar tudo o que se pensa, alguém que sabe os seus defeitos, te conhece do avesso e que ainda assim consegue te amar ao absurdo ponto de ter ciúmes de você. 
Controlei o impulso de falar como ela estava equivocada em pensar assim e de expor tão descaradamente sua ideia tão imprecisa do amor. Sendo a aliança um dos grandes símbolos de amor, um sinal discreto, mas presente de quem você gosta, como poderia ser brega? 
Gostaria de ter tempo para esperar e ver tal garota se apaixonar, começar a namorar, querer mostrar a todo mundo como ela é só dele e ele é só dela, mas ter que se contentar com status de relacionamento de rede social porque - infelizmente - aliança de namoro é coisa brega.

Gente Grande

Pensei, mesmo sem nunca ter pensado muito sobre o assunto, que a maturidade viria natural e eventualmente, tão devagar que eu só poderia notar depois que já fosse outra. Não achei - e posso afirmar mesmo sem ter ponderado isso, porque sei que se me perguntassem, eu discordaria - que seria tão rápido a eu me ver mudar, passar a me trancar dentro de mim, lidar com meus próprios problemas, em vez de colocá-los em um pedestal e metralhá-los a todos que se aproximassem.
Fiquei assustada de ver que as mudanças chegaram tão quieta e rapidamente e logo fixaram moradia, me deixando completamente sem rumo, a calcular freneticamente todos os passos que eu dava - porque agora eu sabia como qualquer erro poderia ser fatal. Ou talvez fosse assim que a dramatização tivesse sido passada pra mim.
Corri de mim muitas vezes, entrando no que chamam de depressão - ou, pra mim, introspecção - porque em inúmeras chances, eu errei, e não conseguia ver onde e ser tão errada sempre me frustrou. Sentir a incapacidade sempre me debilitou demais. É engraçado, não é? Porque eu não era incapaz, só tinha medo do desconhecido.
O desconhecido nunca trouxe nada que alguém saberia descrever, e por razões óbvias, nem nunca deixou que as pessoas pisassem com firmeza no chão. De onde eu assistia, era como pisar em gelo fino, num lago recentemente congelado. Podia dar tudo perfeitamente certo ou irreparavelmente errado.
Só que eu não corri mais. Essa mudança louca, quando menos esperei, me fez enfrentar todos os meus medos antes mesmo que eu me desse conta e pisar com segurança naquele gelo fino, armada apenas de fé e da desculpa de que só queria ver no que ia dar.
Porque era assim que eu via os adultos fazerem.

Se você perguntasse como estão as coisas

Talvez tudo ficasse mais fácil se parassem de me perguntar sobre você, ou mais ainda, se começassem a controlar os olhares de pena quando veem que eu mesma não sei responder direito o que aconteceu. Não sei, mesmo, e às vezes acredito que nem você sabe. De um dia pro outro, o seu sorriso se desfez, o seu toque pareceu menos disposto e a sua risada, mais comedida. Suas respostas vinham espaçadas, como se realmente fosse preciso muito tempo para responder perguntas tão simples quanto as que eu fazia. Entendi, eventualmente, que você evitava falar sobre a parte complicada de nós, aquela que nenhum dos dois sabia como por em palavras, ou talvez algum de nós só não tivesse interesse em ter o trabalho de explicitar. Evitava assumir como não era confiável, ou relembrar de como desistiu de mim em tempo recorde. Evitava, e só. Foi de repente. Cortou todos os laços antes que eu me desse conta, virou as costas e correu. Veloz como um tiro. Partiu tão rápido que não tive tempo de colocar nossas fotos na sua mala. Porque se é para ir embora, no mínimo tivesse a decência de levar tudo, me deixar zerada, pronta pra outra. Foi triste ver como eu fiquei de olhos fechados por tanto tempo, tão iludida naquela tranquilidade querida, mas instável. E você sabia disso, mas preferiu o silêncio, que era melhor para você. Entendo, ninguém gosta de assumir os próprios defeitos. Mas gosto das fotos porque tenho certeza que elas não vão mudar, mesmo quando as pessoas nela, vão. Pode deixar que as fotos eu guardo.

Da transição ninguém fala

Passei a última semana confinada com meus pensamentos. Dentro da minha cabeça tudo pareceu entrar em conflito, como se estivesse acontecendo algo muito mais importante do que eu jamais previsse, e por mais que eu quisesse prestar atenção no que meus amigos falavam enquanto jantávamos ou nos filmes a que assisti, não adiantou muito o esforço. O motivo de tanta dispersão foi uma frase dita levianamente, numa dessas ruas que a gente pega por engano.

Comecei a pensar em todos os tipos de transições pelas quais passamos pela nossa vida, mas que não nos damos conta. O crescimento, já que só percebemos quando estamos com quase vinte anos, aí paramos, olhamos para trás e pensamos em como crescemos rápido. Lemos os livros de história, sobre como os fatos se dividem em 4000 a.C, 900 a.C, mas poucos se dão conta de que ninguém chegou, fincou uma bandeira e declarou o fim do período neolítico.

Fim de namoro, esquecer alguém, iniciar outro namoro. Uma nova amizade. Tantas coisas que são ditas como se fossem equações matemáticas, simples de resolver, mas que na verdade são um processo, cheio de pequenos detalhes que podem dar errado ou absurdamente certo a qualquer segundo.

Quantas e quantas vezes não lhe disseram para conhecer alguém novo, mas acabou que ninguém realmente te ensinou como passar pelo processo? Ninguém sentou de frente para você e resolveu te passar a receita, até porque ninguém aprendeu. Assim como processos de início de um emprego novo, escrever um livro, aprender uma atividade nova, conhecer uma nova banda. Entre descobrir a banda e se tornar fã, ninguém fala. Aquele processo de ir atrás, conhecer, errar e decorar.

O processo de transição é bem trabalhoso, e muitas vezes nem percebemos que estamos nele, porque, aliás, a chance é de estarmos o tempo todo em não um, mas vários processos de transição. Isso é evoluir, é mudar, mas nunca acontece tão rápido quanto achamos que é. Mas é o que dizem, o importante é mudar com destreza, não com velocidade.

Mas a vida é incerta, mesmo.

Dá vontade de largar tudo? Dá. E de desistir? Jogar tudo pro alto e nunca mais olhar pra trás? Dá, sim! Mas nem por isso a gente desiste. Porque no fundo sabemos que o melhor está a apenas um dia ou um segundo à frente. Porque não é desistir que vai nos levar lá, onde quer que o "lá" esteja. Ou com quem quer que seja. Porque, aliás, a desistência acaba com a melhor parte do processo, que é a recompensa. No fundo, sabemos que não desistimos porque lutamos demais por aquilo e é justo que, no mínimo, alcancemos nosso objetivo. Talvez seja por isso que insistimos tanto numa mesma pessoa, num mesmo caminho e nas mesmas ações. Coisas que acabam mais machucando do que nos fazendo bem por um bom tempo. E se no fim valer a pena? Ninguém sabe. Às vezes só o tempo vai poder mostrar. E pra que perder essa chance de ser feliz? Pra que jogar tudo pro alto? Não tem sentido! A vida é assim. E não dá pra desistir. Não dá.

Complicada e imperfeita


Sou um misto de loucura e complicação procurando por um pouco de paz. Sabe, não que eu não tenha essa paz. É que ando tão exausta, sentindo o que chamo de ressaca da vida. Acordo com aquela dorzinha de cabeça irritante de quem bebeu doses e mais doses de gente chata, hipocrisia e outros tipos. E o meu remédio é essa tal paz, mas a minha vida tá tão bagunçada, que acho que a guardei em alguma gaveta da minha alma e não lembro qual.

Não é exigência, é proteção


Por favor, pare aí mesmo. Antes de falar comigo, olhe para você. A primeira regra é não ver o mundo abaixo dos seus pés, mas diante dos seus olhos. Se estamos no mesmo patamar, já podemos ir para o próximo passo. Está procurando por uma conversa de verdade, onde você pode ser você mesmo, ou prefere manter a sua imagem inatingível?  Recomendo dar meia volta, se for o caso. E depois, pra falar comigo, é preciso despir-se dessa arrogância. Não quero ninguém pensando que é melhor que ninguém, mas também não quero excesso de gentileza. Veja bem, eu sou uma amante dos excessos e dos perigos, mas tenho meus limites. Prefiro a sinceridade. Enxergar dentro da alma, ter amigos de verdade, ver as pessoas como elas realmente são. Aqui, é a autenticidade que conta. Qual a graça de ser perfeito em um mundo imperfeito? Não consigo acreditar que seja pedir demais que você seja você mesmo. Desistiu? Pois é, não tá fácil ser verdadeiro nesse mundo falso. Mas garanto que, quem fica para uma xícara de chá, acaba voltando.

“Call Me Maybe”

 “Demorei dois anos para encontrar o cara dos meus sonhos. Àquela altura, nem mais durante o sono ele aparecia. Santo Antônio, Santo Expedito, amarração para o amor, tarô, banho de perfumes, calcinha vermelha, perfume importado, sorriso nos lábios, papo cabeça... Nada mais adiantava, eu estava encalhada! Resolvi sossegar e desistir de achar alguém legal. Só que esse alguém legal apareceu justo no dia em que eu decidi que não queria mais alguém legal na minha vida”.  – Mulheres solteiras não são de Marte! (Letícia Vidica)

 

Quem nunca passou por este momento tão comum na vida de tantas mulheres? Pois é, até eu mesma passei por tal fato e ainda acho que o destino brinca com a gente, ou neste caso Afrodite, como disse minha excelente amiga Isabella, ou mais conhecida neste blog por Izzy.  Odeio quando eu finalmente estou colocando os trilhos em linhas retas e chega um babaca pra começar a fazer com que minha pessoa coloque os trilhos em linhas curvas, horizontais, verticais, entre outras coisas. Nossa, o coisa insuportável essa.  Até que descobri uma coisa, não adianta trilhar sua vida sem alguém, porque ele irá aparecer de um jeito ou de outro. Dentro da balada, festas de família, reencontros com os amigos, e se até possível dentro de um SPA, e olhem que eu já passei por situações quase parecidas como
O problema é que eu já tenho uma resposta que podem fazer com que todas vocês se surpreendam: Homens são a raça mais estranha que já conhecemos, e com certeza jamais iremos fugir destes seres, até piores que ETs. NÃO? Tudo bem, eu sei que já sabiam a bendita reposta para este caso intrigante, mas sinceramente, não é surpresa para ninguém, pois todas vocês já sabiam. Mulheres solteiras realmente não são de Marte! Mas podemos nos considerar verdadeiros ETs quando não conseguimos resolver esses assuntos que muitas vezes fazem nossa pessoa perder a cabeça. O caso é, estamos tentando encontrar uma agulha no palheiro, e deixe-me dizer uma coisa, isto é impossível de se achar. Sério. Por isso, eu já dei um tempo para minha cabeça, pois sinceramente, não podemos nos afastar totalmente desses caras, e seus vários estilos físicos e psicológicos, mas podemos “descansar”.

Eu já joguei tudo para os ares, cansei por um tempo. Decidi que vou sentar minha bunda no sofá, assistir aos filmes que quero, comer toda comida que mais amo, tomar meu refrigerante, sem me preocupar em ser o protótipo de gostosona que todos os caras querem, pois coisa que detesto ser é irreal, principalmente quando estes querem não só uma gostosa, mas ela quase sempre tem que ser burra, e realmente Tati Bernadi estava certa, “homens não aguentam uma mulher PAU A PAU com eles”. Por isso meninas, aproveitem seus momentos e com todos os seus amigos e familiares, e o resto que se dane. Se o cara chegar para cima de ti diga, sem medo do que vai acontecer: “Its hard to look right at you baby, but here’s my number, so call me maybe”. Carly Ray Jepsen disse maybe, ou seja, não fique fazendo coisas desesperadas, não ajuda em nada, por favor, sei bem o que estou falando, cometi esse erro e até me enjoa só de lembrar. Caso ele ligue, vai ser um milagre de Deus e todas as magias que fez para ter um cara bom, HAHA, brincadeira, na verdade foi por pouco esforço seu, e por demonstrar que nessa vida só existe você e sua pessoa. Agora caso ele não ligue, bem, não se preocupe, este mar esta cheio de peixes, porém este joga fora os que não prestam assim os bons são poucos, dos quais sua pessoa poderá ver qual terá ao seu lado. Pode não ser para o  resto da vida, ou até pode, mas pelo menos ele irá gostar de você do jeito que é.

Feel Free Too Change



Até antes eu tinha uma mania absurda de levar em consideração tudo sobre minha pessoa. Das críticas as coisas boas, mas no final acabei mesmo descobrindo que quem deveria estar escrevendo a história do que eu realmente seria quando crescer era eu. Aliás, fazia tanto tempo que gostaria de escolher meu próprio caminho, mas acho que era nova suficientemente e não tinha consciência do que o mundo estava me preparando.
Eu seria derrubada, machucada, teria resoluções de problemas fáceis, mas como nem tudo é um verdadeiro mar de rosas, a vida acaba trazendo as bombas que já esperávamos com tanta tristeza, mas muita esperança de serem resolvidas num piscar de olhos. Acabei aprendendo que ninguém nasceu sabendo de tudo, e que não fomos programados automaticamente para agradar uns aos outros. Estamos aqui para fazer o que se a de melhor neste momento: Viver.
Viver é para poucos e quem sabe do que estou falando, não é no sentido de correr riscos. É simplesmente não ter hora pra voltar, não ter problemas a serem resolvidos a toda hora, mesmo eles sendo constantes. É aprender a dar um “turn off” neles e ser feliz. Sorrir com quem te faz bem, rir por coisas idiotas, porém, são elas que lhe fazem ter um dia mais completo. Chorar quando necessário e não ter medo de demonstrar, e não ter medo de dizer a verdade. E o principal, sair se importando com tudo o que falam e pensam sobre você é um problema do qual eles não deveriam estar resolvendo.
Chega um momento que cansa e não dá para viver do que todos pensam ou dizem sobre você. Quer um conselho? É simples, caminhe e mude o que tiver que mudar, mas que seja somente por si próprio, e porque viu o erro que cometeu e que realmente estava agindo de maneira incorreta. Faça por sua pessoa, e não pelos outros, porque se não vai ser difícil como saber conviver em sociedade, já que ela nos engole com seus variados desafios.