Acho que eu ainda sou a única pessoa que consegue me arruinar de verdade. E embora isso possa ser algum tipo de covardia ou de autossabotagem, talvez também não seja lá uma coisa tão ruim, veja bem. Não falo como se fosse motivo de orgulho, como um talento ou um dom, mas não posso deixar que isso seja visto como penitência. Antes que alguém possa me atingir, eu consigo fazer pior - me fecho pro mundo e só eu sei o que acontece aqui dentro. E, olha, é também uma escolha e, de certa forma, algum poder. Infelizmente, nem tudo é tão simples. Não é porque eu posso escolher quem volta comigo pra casa - ou não volta, que eu também escolho quem entra no meu coração. Mas eu ainda sou a pessoa mais corajosa que eu tenho na minha vida, e eu sei da sorte que eu tenho. Ainda sou eu que pego na minha própria mão e me arrisco sorrindo: "vamos, vai mais um pouquinho que você consegue". E eu sempre consigo. "Corre mais um quilômetro, pedala mais um pouquinho, mas não fica aqui parada." E talvez eu não corra mais com a intenção de me encontrar por aí, sincero equívoco, mas pela intrínseca e simples necessidade de não me sentir presa. Talvez algum momento eu decida ficar. Talvez alguma hora eu me sinta à vontade ou confiante o suficiente pra descansar a cabeça e fechar os olhos, em vez de apertar mais forte os sapatos e o passo e esse monte de sentimento que mal cabe de uma vez no peito. Talvez alguma hora eu suma com os tênis de corrida e me encaixe num edredom numa tarde chuvosa, assistindo uma série que eu nem goste tanto assim, do lado de uma companhia que é absolutamente tudo que eu procurava - e não sabia. Serendipia, o sonho de todo mundo. Talvez um dia eu esteja pronta pra descobrir o que isso significa. Talvez eu já saiba. Já percebi que não existe resposta certa. Enquanto isso, eu vou mais um pouquinho, que algo me diz que um dia eu me encontro. E, quem sabe, um dia eu te encontro também.
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Por mim
Outra pessoa
E se eu não quiser outra pessoa? Por mais que soe infantil pensar assim, que eu não arredo o pé de você, não é absurdo pensar que só porque as coisas não estão simples, eu teria que encontrar outra pessoa? Porque eu acho bizarro. Tão bizarro quanto alguém que diz nunca ter amado, cê me desculpe. Mesmo com meus poucos anos de vida, eu não caio nessa fábula de alma ferida e coração congelado. E também me deixa perplexa o quanto as pessoas, em geral, recorrem ao recurso de jogar tudo de lado e recomeçar. Isso me apavora, porque eu também quase fui pra esse lado diversas vezes - e isso não combina comigo, nem um pouco! Mas talvez isso explique como a gente consegue jogar fora anos da faculdade pra recomeçar o mesmo curso, ou jogar fora um relacionamento que ia bem, por alguma crise externa que surgiu, ou por tédio, ou mesmo desistir de aprender uma língua porque tá demorando muito pra ficar fluente. Cê entende? Onde é que tá a persistência, a vontade de consertar as coisas em vez de simplesmente descartá-las, cadê todos os valores que nossos pais tentaram nos enfiar goela abaixo? Cadê nós no meio de tanta desistência? Eu fico pensando o que sobra da gente no meio de tanto botão "delete" e de tanta vez que a gente dá as costas a algo que já nos fazia bem. Como é que a gente pensa que pode simplesmente jogar fora um sonho, jogar fora um amor, assim? E como é que você pode pensar que eu vou conseguir querer outra pessoa, agora?
Incontrolopatível
Mas é claro que você voltou, e pra mim não é nada menos que óbvio por que quis outra chance. Quem aguenta um mundo maluco, do avesso, desse jeito? Cê não é nenhum chapeleiro, dá conta não. Você não é personagem de ficção pra brincar assim, de faz de conta, de criar história e depois cair fora. Não é assim que a banda toca, entre uns espasmos de frio e outros calores no meio da noite. Não, não comigo. Quem é que aguenta, me diz, uma vida rodeada de sorrisos falsos e favores e umas caipirinhas num bar qualquer? É de duvidar, é difícil de entender quem é que aceita se rebaixar tanto, por tão pouco. E sentiu falta, não foi? Há coisas sobre a vida tão pouco além de findas. Que encontro incompatível, olha eu aqui no teu abismo.
Entre um frio de tremer os ossos e um calor de ferver a pele, aqui estamos de novo - mas se você acha que eu sinto falta, relaxa. Relaxa! Essa febre já passou, eu tô é curada. Abdico do teu mundo. E mais digo, aqui não fico nem mais um segundo!
Entre um frio de tremer os ossos e um calor de ferver a pele, aqui estamos de novo - mas se você acha que eu sinto falta, relaxa. Relaxa! Essa febre já passou, eu tô é curada. Abdico do teu mundo. E mais digo, aqui não fico nem mais um segundo!
Até que eu encontre, uma última vez, você
Acredito muito em destino, mas também acredito em timing, aquelas chances dadas no momento certo, nas oportunidades que aparecem com um propósito, e não por pura sorte.
Nunca gostei dessa mania de culpar os outros pelos nossos erros, ou de abraçar os erros dos outros e tentar consertá-los. É preciso muita maturidade pra aceitar o peso das nossas ações, mais ainda pra entender as ações dos outros, as intenções, as consequências. E respeitá-los por isso.
Como quando ouvi aquela vez que a vida ainda nos juntaria pra valer, que eu só precisava ter paciência. De início, a ideia é tentadora, acreditar que só é preciso esperar e então, magicamente as coisas aconteceriam. Voltaríamos e todo o tempo perdido serviria apenas para se arrepender de não termos passado-o juntos. A voz era convidativa, mas eventualmente caí na real. Tá tudo errado. Ninguém entendeu nada.
Eu poderia começar falando como cada pessoa tem seu tempo, e como é possivel, sim, ser a pessoa certa na hora errada — aparecer num momento em que a pessoa está instável, ou emocionalmente indisponível. Tudo isso pra ver se, quem sabe, a gente não tira da cabeça essa ideia romântica e até idealista de que, se for pessoa certa, ela vai obrigatoriamente encontrar um jeito de estar com você, de batalhar todos os seus demônios, seus problemas pessoais e aparecer na tua porta com um buquê de flores numa noite aleatória no meio da semana. Porque você é especial, e ela é a pessoa certa. Oras!
Então nós precisamos entender o que acontece do outro lado da história, de quem fala coisas como "nós ainda vamos nos encontrar" e "a vida dá voltas, espero que a gente ainda se encontre". Não significa que a sua viagem para o Caribe com as amigas precise ser desmarcada, ou que você deva esperar três anos em casa até que ele caia na real, ou então que ela vai acordar algum dia e se sentir diferente e voltar quando você estiver em um intercâmbio na Áustria. É exatamente o oposto.
Antes que todo o conto de fadas possa acontecer, pode ser que os dois precisem crescer. A vida age de maneiras estranhas, e enquanto ela precisa se conhecer, ele precisa conhecer o mundo, mudar, melhorar. Óbvio que há casais que simplesmente clicam desde os 14 anos e se casam sem nunca terem conhecido nada diferente disso, e milagrosamente não têm dúvidas quanto ao parceiro escolhido na adolescência - mas eles são a exceção. Mas e o resto do mundo? As pessoas tem dúvidas, mudam de ideia, de humor conforme as estações. O resto do mundo somos eu e você, e por mais que viver junto também seja incrível, quem pode ser culpado por querer dar seus próprios passos, errar sozinho um pouco? Se nós não podemos mudar o outro, o que sobra é mudar a nós mesmos, ou morrer na mesmice. Por que não aproveitar essa chance, se amar, descobrir seus gostos e hobbies, se apaixonar por qualquer coisa que não seja alguém, se arriscar na vida, e aprender a gratidão?
Já ouvi uma vez que o que a vida quer da gente é coragem. É preciso coragem para acreditar que às vezes, você pode ser a pessoa certa no momento errado, e que a vida pode te levar a reencontrar o amor da sua vida na sua viagem à trabalho no nordeste ou nas férias de verão em Ibiza. O mundo dá voltas, e o tempo todo a gente (se) encontra e desencontra. É preciso coragem pra ter fé que o que tiver de ser, será; pra ter esperança, pra acreditar que vai dar pé, e mergulhar na vida. E quem sabe, depois dos desencontros, haja um último encontro, certeiro, quase um arco-íris no finalzinho do horizonte. Que haja, então!
Até que eu encontre, uma última vez, você, vou querer viver, não vou largar mão das minhas experiências, meus sonhos, de mim. E que sorte seria, depois das andanças, do topo das minhas conquistas, te encontrar. Talvez seja pela última vez, você.
Já ouvi uma vez que o que a vida quer da gente é coragem. É preciso coragem para acreditar que às vezes, você pode ser a pessoa certa no momento errado, e que a vida pode te levar a reencontrar o amor da sua vida na sua viagem à trabalho no nordeste ou nas férias de verão em Ibiza. O mundo dá voltas, e o tempo todo a gente (se) encontra e desencontra. É preciso coragem pra ter fé que o que tiver de ser, será; pra ter esperança, pra acreditar que vai dar pé, e mergulhar na vida. E quem sabe, depois dos desencontros, haja um último encontro, certeiro, quase um arco-íris no finalzinho do horizonte. Que haja, então!
Até que eu encontre, uma última vez, você, vou querer viver, não vou largar mão das minhas experiências, meus sonhos, de mim. E que sorte seria, depois das andanças, do topo das minhas conquistas, te encontrar. Talvez seja pela última vez, você.
Eu, acima de tudo
Eu encontrei a saída
Eu
Mulher guerreira
Escapei da sua teia
saí correndo numa distração sua
Saí correndo quando você olhava
Me desvencilhei e corri
Eu não olhei pra trás
Fui eu quem cortou as amarras
Foram esses pés que me levaram pra salvação
pra chão seguro
nadei longe do mar aberto
Eu escapei do relacionamento
das correntes
de você, dele
foi ela, fomos nós - nós todas!
Eu.
Eu
Mulher guerreira
Escapei da sua teia
saí correndo numa distração sua
Saí correndo quando você olhava
Me desvencilhei e corri
Eu não olhei pra trás
Fui eu quem cortou as amarras
Foram esses pés que me levaram pra salvação
pra chão seguro
nadei longe do mar aberto
Eu escapei do relacionamento
das correntes
de você, dele
foi ela, fomos nós - nós todas!
Eu.
A força veio de mim, a coragem da Maria, inspiração da Juliana
e a Ana que me disse: vai, amiga, e se cair eu tô aqui.
Mas no fundo, quem correu fui eu.
Fui eu, só eu e ninguém mais.
e a Ana que me disse: vai, amiga, e se cair eu tô aqui.
Mas no fundo, quem correu fui eu.
Fui eu, só eu e ninguém mais.
A real
Se eu mandasse uma última mensagem de texto pra você, ela provavelmente não poderia ser SMS. Sabe, SMSs são mensagens curtas, sucintas, e a minha ia precisar ser repartida em várias partes. É tanto que você ia se sentir em um SAC de uma empresa ruim e trapaceira. Como você. Você ia preferir o processo no tribunal e a falência, a lembrar de todas as faltas cometidas; falta grave, bruta, incisiva, calculada. Você provavelmente já sabe tudo o que eu diria, mas ainda assim eu consigo imaginar o choque na sua expressão, por ter vencido o meu orgulho uma vez que fosse. Eu escreveria uma carta, mas eu nem tenho coragem de gastar tanto tempo pensando em você, intoxicando a cabeça de novo. Então tá aqui a SMS, confere seu celular depois. A sua marca é permanente, já percebi, e ainda to aprendendo a perdoar a ingenuidade de nós dois; a sua, por acreditar que eu estaria sempre na palma da sua mão, e a minha, por acreditar em você.
Satélites
Eu fico inconformada toda vez que olho pra trás na nossa história e relembro tudo o que você fez. Todas as vezes que você me afastou e me colocou de lado quando eu só queria um espacinho do seu dia, sem muita pretensão. Fico mesmo, porque agora você repensou, quer de volta. E eu não entendo o que mudou, que também te fez mudar. Agora você vem dizendo que quer juntar todas as pecinhas do meu coração, até porque antes de você, eu nunca tinha conhecido essa brincadeira de quebrar e perder uns pedaços por aí. Eu fico inconformada porque eu te amei do jeito mais puro que eu conhecia, o único jeito que eu sabia; eu amei você e sem nenhuma bagagem, num mundo em que alma nenhuma vem de peito aberto, sempre dando tudo pra não arriscar nada. Mas agora você vê, e todo o meu mundo que nunca teve valor algum, de repente é a sua maior preciosidade, um satélite brilhante nesse seu mundinho escuro. E acho que até sei de onde veio essa descoberta do século, claro, aí fora é uma selva. Precisou quebrar a cara, não foi? Só assim, conseguiu ver que você já tinha tudo o que precisava bem aqui, você mesmo disse, mas estava com sono demais pra lembrar no dia seguinte. E ver que a sua menina é que era a sua urgência, não a liquidez do mundo lá fora, que não preenche vazio nenhum. Ah, isso deve ter sido perturbador demais pra você, a ponto de colocar um cerco tão grande entre nós; mais do que medo de ser feliz, medo de se viciar nessa felicidade. Eu fico inconformada porque parece que todo o meu esforço, aquela constante marcha sobre meu próprio orgulho, foi em vão - e você se arrastando por cima do seu só agora, justo agora! Esse satélite não gira mais ao seu redor, cortei todos nossos nós, desfiz os laços, me libertei. Amém.
Aluado
Eu te dei chance mesmo naquele turbilhão que o mundo ao nosso redor estava, todinho corrompido. Insisti que ia dar pé e mergulhei em você. Confiei em você quando ninguém sequer achava que inspirava confiança. Inocência, você diria. Mas sempre fui assim, inteira. Tudo que faço é muito, é intenso, e isso te assustou, não foi? Nunca fui de muitas palavras, por não saber usá-las com você, mas sempre conseguia um olhar, um abraço. E bastava, era incrível como tão pouco me bastava. Eu era um resumo e você uma sinopse e eu nunca vi isso. Penso às vezes naquilo que a gente foi e no que quase foi também. Tantos 'talvez' que eu quase não consigo montar uma linha do tempo precisa... Preciso olhar algumas vezes pra nossa história pra lembrar quem partiu, e qual coração se partiu. Você foi uma maré tão forte que ainda me pego pensando em como sobrevivi às ondas, as marolas de carinhos e à maré baixa, a distância mais fria que já conheci. Distante como aquelas ondas ali, no horizonte, a água se retraindo pra atacar com fúria e repentinamente, um tsunami devastador e impiedoso. Mas teu jeito era manso, lembra? Dia sim, dia não, como o mar, de lua. Mas a maré baixa é convidativa, e a gente sempre acha que dá conta. É, insisti que ia dar pé, mas quase me afoguei em você.
Incansável
Mas não era o que eu queria dizer. Quer dizer, eu nem sabia se devia! Joguei fora centenas de folhas, amassadas, lotando a lixeira até o topo. Nenhuma palavra dizia o que eu precisava. Eu via o tempo correndo contra a minha vontade, sem permissão, e eu empunhando a caneta em vão. Queria tanto uma prosa, palavras bem explicadas, nada que desse espaço pra uma segunda interpretação, mas a minha cabeça só montava esquemas intricados de poemas, declarações inusitadas. Queria qualquer coisa prática, direta e nada bagunçada, mas olhando assim por cima, só encontrava metáforas. Precisava ir a fundo, mas como cavar dentro de mim? Como fazer isso no tão pouco tempo que tivemos olhando um para o outro? Aquele expresso não ia durar mais do que cinco minutos e as folhas amassadas se amontoavam na minha cabeça. Enxerguei seus olhos como dois faróis me examinando uma última vez, clareando aquilo que eu lá no fundo me esqueci de como expressar. Você saiu da cafeteria, mas não da memória. Eu não tinha coragem de sujar minhas unhas por qualquer um além de mim, cavar uma terra de ninguém em busca de algo que talvez nem estivessse lá. Entende? E se todo esse romance só estivesse borbulhando na superfície, sem nada que pudesse sustentá-lo? Eu já havia aprendido a interpretar os finais felizes de acordo com a necessidade dos envolvidos. E foi aí que eu entendi. Dessa vez, eu é que não ia ficar por perto esperando ou criando desfecho, ou então - pior ainda, o contrário - criando pontes de isopor em cima de puro magma. A minha vida não cabia dentro da sua e você não se encaixava mais na minha, percebi. Só pra variar, eu decidi parar de me debater como criança em busca de resposta, procurando pistas pra enigma sem solução. O café, na mesa, esfriou. Eu me levantei logo depois. Você foi embora, mas eu também não fiquei pra contar a história. E não foi perda, nem livramento, não dessa vez. Pra nenhum dos dois. Mas, sinceramente, foi o final mais bonito dentre todos, meu preferido. Embora o café e a conversa tivessem esfriado, ainda tínhamos calor. E meu coração, incansável coração, continua aquecido.
Quem não quer sou eu
Sabe de uma coisa? Eu não quero a sua amizade, nunca quis. E foi de repente que eu percebi isso, tão de repente quanto decidi te contar. É que eu não quero ser obrigada a estar ao seu lado quando você conhecer a sua namorada, e aí observar enquanto ela aprende tudo sobre você, detalhe por detalhe, coisa que aliás vai demorar anos. E por mais que eu nem pense muito nisso, também não quero estar no canto dos padrinhos no seu casamento. Não quero dividir com você anos e anos de uma amizade sólida e equilibrada, porque equilíbrio é questão de ponto de vista, e eu não entendo como pode ser possível querer amizade com você. Só amizade, entende? A vida já nos dá tantas rasteiras, mudanças de plano de última hora, a gente não devia ficar dando chance para que a gente de repente se torne mais uma dessas fatalidades, uma dessas chances gigantescas jogadas pela janela no último momento, ou que estiveram lá o tempo todo e nunca foram vistas. É que, será que você entende?, eu não quero ser essa chance na estante, e jamais poderia ser. Não quero ficar pegando pó, esperando alguma ação, vendo a vida passar numa dinâmica diferente de tudo aquilo que poderia ser - mas que não é. Eu que já sou tão perita em despedida sei muito bem onde essa bagunça toda pode levar, e não vou querer ficar por perto pra ver fim nenhum. Desculpa, não vou ficar por perto, não. Não quero estar ao seu lado pra conhecer sua namorada, porque - e só agora eu percebi isso - eu prefiro ser ela.
Palavras perdidas
Foi numa dessas epifanias de pura gratidão com a vida e com meu aprendizado nela que eu voltei a pensar em você. Não que por algum santo dia eu tenha parado, mas dessa vez foi diferente. Eu tenho ensaiado mil e uma maneiras de te dizer o que eu sinto e que ficou engasgado, e hoje mesmo fui perceber que, independente do quanto eu goste de você - ou da ideia de quem você se tornou pra mim, o que eu mais preciso agora é que você saiba disso. Só isso. O meu aniversário tá virando a esquina e eu não suportaria fechar um ciclo pensando que tanto do que podia ter sido dito, não foi. Eu não suportaria deixar pra trás tantas verdades que, por mais que eu odeie admitir, talvez nem mudem nada pra você, mas que pra mim, estão sendo um método de tortura escolhida a dedo por um assassino de sangue frio. Desce, vem aqui fora, me escuta cinco minutos. Eu não vou trazer as mil músicas que pensei em mandar, nem vou te culpar pelo que passou, porque sei que nós dois tivemos culpa nessa. Vim só, sem precisar mais de nada. Sem artifícios mundanos, só as palavras mais honestas que pude encontrar. Vim me desculpar pela minha parte nessa bagunça, mas também avisar que estou trabalhando nisso; estou crescendo e corrigindo meus erros, entre essa nossa distância. Acho até que eu era perfeita pra você, mas o problema foi que quando você não viu isso, eu também não vi. Eu sempre fui tão honesta em tudo, até nos sentimentos, a ponto de ser quase transparente. Quando fui amor, fui por completo. Mas quando eu vi você, acabei te mostrando meu lado mais amargo, ingrato e seco. Que irônico, né? Uma parte minha viu aquele brilho especial em você, mas a outra teve um medo insano de te perder. Pensei que fosse o jeito certo de lidar contigo, mas agora eu enxergo como estava errada. Você nao precisa de alguém frio, você precisa de amor. E nem vim arriscar outra chance, decidi deixar isso com o destino, com Deus, com qualquer força lá fora, mais forte que eu, que se compadeça da minha situação. Tô com as roupas de corrida não para provar minha paixão por esportes - finalmente, algo além de você -, mas porque de alguma forma os meus pés sempre correm até você. A vida parece sempre me levar pro seu lugar. Eu vim vestida, mas as minhas palavras não podiam estar mais nuas, tão puras. Você é a minha lembrança mais vívida de uma paixão, e a que mais deixou dúvidas e espaços em branco. E hoje, escuta que simples, mesmo que as palavras não sejam as mais certas, eu só queria preenchê-los.
Faísca, fogo, amor
Parece que é pela milésima vez que eu to falando que não deu, que não era esse o cara. Minha amiga torce o nariz e pergunta em que ponto eu desisti dessa vez, como se fosse um jogo que vez ou outra eu tenho mais ou menos progresso no tabuleiro. Mas a verdade é que eu insisti por tanto tempo e contra tantos contratempos, chegar a algum lugar, que fatiguei o coração. To exausta de espremer os sentimentos pra ver se sai um pouquinho de paixão. Nada. E aí eu levanto a bandeira branca, porque pra mim até existe paixão sem amor, mas amor sem paixão? Sem nem um tico de paixão? Sei não. Parece tão bobo, quase um capricho adolescente, mas sem ela eu não consigo continuar em qualquer relacionamento de longo prazo, sem achar que eu to gastando o meu tempo e o do sujeito com um sentimento mascarado de algo a mais do que ele é, mas que nunca vai evoluir. Eu tento, tento e tento até ver que alcancei a escala máxima daquele sentimento. É isso. A dor maior é ficar riscando o coração atrás de uma faísca que nunca vai existir; um brilho que jamais vai dar o toque final na relação, que pensando bem, nesses termos, nem devia existir. Então eu desisto, não hesito. Prefiro começar do zero, me arriscar de novo. Coragem, imprudência, seja o que for. Parece besteira, mas no fundo, eu sei que sem faísca, não tem fogo. E todo mundo sabe o que dizem sobre o amor.
Do outro lado do mundo
Pra desmontar tudo
Foi no meu inferno astral que eu te conheci. Naquele momento quando as coisas ruins acontecem com a gente, sabe. E eu ainda achei que você fosse diferente, botei a cara pra bater que você era a calmaria em meio à tempestade. E, pra você ver, te achei tão inofensivo à primeira vista, que deixei entrar, fazer morada, botar teus alicerces enferrujados no lugar dos meus - de pura prata. Pra depois desmontar tudo, assim, meio de qualquer jeito, e se mandar. Eu ainda lembro de você, queria que soubesse disso. Às vezes com raiva, outras nem tanto, às vezes com saudade, outras nem um pouco. Você foi o primeiro a me ensinar tanta coisa, entre o amor e a indiferença. Porque a única coisa que você - apesar de todas as coisas - não foi capaz de me ensinar, foi a odiar alguém como você. Foi no meu inferno astral que eu te conheci, mas pra mim você era a exceção. Aquela época cheia de má sorte e superstição ficou pra trás, junto com você, com as tuas promessas, com as tuas lembranças. Eu olho pras peças desse jogo que eu mesma ajudei a criar as regras, achando que mandava em alguma coisa. Mas olho só mais essa vez, uma última vez pra trás, e fico até feliz de ter me enganado naquele primeiro segundo, porque quando eu olho pra dentro e penso comigo, contente e até orgulhosa, eu sei que não chegaria aqui de nenhuma outra forma. E mesmo assim - mesmo depois de tanta bagunça e tantos enganos - eu agradeço a Deus por cada engano nessa vida nos trazer sabedoria. Hoje eu me despeço de você com alegria, meu bem, porque sei que só passamos por algo ruim quando há algo muito melhor nos esperando em seguida.
É bom mudar por alguém?
Esse é mais um daqueles questionamentos que me fazem ficar acordada a noite toda, se eu não me esforçar pra mudar de assunto e desligar o cérebro.Nessa vida, pessoas e pessoas vão tentar te fazer mudar, e nem sempre é pra melhor. Afinal, o que é ser melhor? O cabelo, que bem que podia ser mais curto ou mais claro? Ou então o corpo, por que é que você ainda não tentou emagrecer? Faz tão bem... Mas acho que as mudanças mais intensas, que mais requerem energia, são as internas. Seu jeito de agir, seus gestos, seu romantismo, a atenção que você dá a certos assuntos e que não dá a outros, é tudo parte sua, isso compõe você. E então vem mais uma vez essas pessoas que chegam com uma checklist gigantesca, e muitas vezes, a gente não bate todos os requisitos. Mas a culpa não é nossa. Eu não admito que a culpa seja minha por não bater com a lista de alguém, ou por não caber numa agenda apertadíssima. Cansei de gente que chega de carro cheio e me culpa por não me fazer caber no porta-malas.
Mas também tem aqueles tão diferentes da gente, mas de alguma forma tão agradáveis, que a gente se vê querendo mudar. Tirando um pedacinho aqui e ali, pra acrescentar uma atitude diferente, um pensamento novo. Querendo ser melhor pra quem sabe estar no mesmo nível que (a gente vê) essa pessoa, pra quem sabe ser chamada pra sentar no co-piloto. E a gente, ou talvez só eu mesma, quando repara, já virou um quebra-cabeças remontado do avesso, algumas pecinhas até parecendo irreconhecíveis. E nesse jogo de mudar, se encaixar e desmontar, embora às vezes não dê certo e seja preciso voltar à estaca zero, noutras vezes - o que assusta muito mais - a gente percebe que funciona bem melhor assim. E que o avesso pode muito bem ser o lado certo.
De todos os amores do mundo
De vez em quando ainda me pergunto se ele sabe que eu o afastei de propósito. Se foi embora porque realmente comprou a minha de querer dar o próximo passo e se assustou, ou se aquela era a ideia dele antes mesmo que meu esquema de término entrasse em ação. E a questão é que, mesmo que eu nunca vá saber, não consigo parar de repetir a história. É um ciclo. A cada cara, cada encontro, me vejo na mesma situação. Se o coração não acelera, não bate meio desengonçado num segundo ou outro, já tô assinando o óbito do amor, e a causa mortis varia entre o "não estou tão afim" e o "estou afim demais"; desculpinhas esfarrapadas de quem sabe que aquele ainda não era o cara certo, só não quer admitir. Eu queria entender por que é que eu faço isso, por que diabos eu preciso ter tanta pressa pra encontrar um desfecho. E o pior é que não sou a única, não. Vai ver é questão de ser verdadeira demais, pragmática demais, durona, sei lá, meio taurina. Mas a parcela de mulheres que tão comigo nessa guerra, embora seja grande, não é maioria. Poucas vezes encontro uma companheira-guerreira por aí, um ombro pra derramar umas lágrimas, dividir uns drinks e também umas dores. Dor de gostar daquele que não é pra você, saber que é encrenca e por isso precisar ir embora, afinal enquanto você se desdobrava pra ver ele, ele não mexia um dedo por você. Dor de querer tanto, mas entender, na real, que ainda tem algo errado e ser corajosa o suficiente pra desistir. Queria falar da angústia que é precisar sufocar um amor quando ainda é uma mudinha, porque infelizmente, é a semente certa no chão errado. Não é pra mim, eu digo. E dói, mas se tem uma coisa que eu não faço é empurrar com a barriga; gastar o meu tempo e o do pobre coitado já é falta de consideração, e respeito eu ainda tenho. O tiro, às cegas, mas certeiro, é de via dupla. Machuca precisar abrir mão de um cara legal exatamente por respeito, e não só por ele, mas por mim também, que não consigo amarrar meu coração em qualquer canto. Mas, por outro lado, dá paz, é encontrar a calmaria depois da tempestade. Não adianta me arriscar em todos os amores do mundo, quando - lá no fundo - eu sei que só preciso de um, em especial. E desse, pode escrever, eu não vou me afastar.
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