Faísca, fogo, amor

Parece que é pela milésima vez que eu to falando que não deu, que não era esse o cara. Minha amiga torce o nariz e pergunta em que ponto eu desisti dessa vez, como se fosse um jogo que vez ou outra eu tenho mais  ou menos progresso no tabuleiro. Mas a verdade é que eu insisti por tanto tempo e contra tantos contratempos, chegar a algum lugar, que fatiguei o coração. To exausta de espremer os sentimentos pra ver se sai um pouquinho de paixão. Nada. E aí eu levanto a bandeira branca, porque pra mim até existe paixão sem amor, mas amor sem paixão? Sem nem um tico de paixão? Sei não. Parece tão bobo, quase um capricho adolescente, mas sem ela eu não consigo continuar em qualquer relacionamento de longo prazo, sem achar que eu to gastando o meu tempo e o do sujeito com um sentimento mascarado de algo a mais do que ele é, mas que nunca vai evoluir. Eu tento, tento e tento até ver que alcancei a escala máxima daquele sentimento. É isso. A dor maior é ficar riscando o coração atrás de uma faísca que nunca vai existir; um brilho que jamais vai dar o toque final na relação, que pensando bem, nesses termos, nem devia existir. Então eu desisto, não hesito. Prefiro começar do zero, me arriscar de novo. Coragem, imprudência, seja o que for. Parece besteira, mas no fundo, eu sei que sem faísca, não tem fogo. E todo mundo sabe o que dizem sobre o amor. 

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