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C'était comme ça

Foi assim, mesmo. Uma noite, anos de uma vez. Anos inteiros encapsulados num segundo só, naquele olhar cravado, no meio de tantos outros, de tantas luzes. Tanto barulho lá fora e um silêncio reconfortante aqui dentro. Você lembrava também.
Foi assim, de repente. Que nem eu esperava, nem eu, que sempre fui a mais esperançosa de todas as românticas que eu conheço.
O tempo parou.
Foi assim, e assim agora será.

Por mim

Por muito tempo eu não te perdoei. Não aceitei seus erros, não aceitei suas maldades planejadas, seus planos que quase me tiraram o chão. Não, não aceitava porque tinha sido planejado. Porque, meu deus, como eu pude ser tão cega? Como eu pude deixar tanta coisa rolar até perceber o que tava acontecendo? Porque a sua escolha me roubou as minhas opções, e até algumas oportunidades. Você mexeu na minha vida sem pedir permissão, e eu só percebi quando era tarde demais. Como que alguém pode escapar de tanta consequência, só com um sorrisinho inocente? A manipulação me enerva. Como seria possível que alguém pudesse continuar se dando bem, às custas dos outros assim? Como que pode uma pessoa que só pensa em si mesma? Eu não entendo como isso funciona. Como alguém teria o sangue pra falar mal de uma pessoa e fazer amizade com ela, logo em seguida? Eu sei seus segredos. Sei o tanto que você me tentou ser. Sei vários dos seus medos. E ainda não entendo como ninguém te parou, ainda. E por que você continua fazendo as mesmas maldades que antes? Será que o budismo não te ensinou nada? Eu encosto no sofá e penso, sozinha, em tudo que me fez, nas chances que eu tive de te parar, e na chance que eu tô tendo agora. Será que eu devia? Balanço a cabeça em negativa, não posso te salvar. Nem quero. Eu não tô sozinha. Mas daqui de cima, olhando pras suas ações, eu sei que você tá. A vida já começou a cobrar, e não tem olhar medidamente inocente que provoque misericórdia no impiedoso carma. Mas você já sabe disso, não é? Você já tá colhendo, eu tô vendo, semente por semente. Espinho por espinho. Esses fios brancos não deixam mentir. Vai doer, e só por isso eu continuo aqui. Respiro fundo, repensando as minhas ações. Repensando todo meu rancor. Jogo tudo pra fora. Pode ficar com toda essa mágoa. Você criou. É sua. Eu não quero. Não me pertence. Assim como qualquer resquício da tua existência. E sabe o melhor? Vai me fazer bem. Pela primeira vez, algo vindo de você vai me fazer bem. Agora eu enxergo o lado bom de tudo, e o seu é a ausência. E é até engraçado que eu tenha aprendido, no fim das contas, algo com você. Minha última ação é um pouquinho egoísta, embora se vista de altruísmo. Por muito tempo eu não te perdoei, mesmo que você nunca tenha pedido, mas hoje eu perdôo. Te perdôo, por mim.

Não volta, não

Você fez o que era melhor pra você. Pode ter sido a pressão que eu não soube medir, a expectativa criada sem que eu me desse conta, a febre por algo tão novo e especial, tudo que nem você e nem eu tínhamos experiência ou paciência o suficiente pra aprender a lidar. E foi menos de um passo pra virar essa bagunça. Pensei por muito tempo ainda se você sabia o deserto que tinha ficado por aqui quando você foi embora. Porque você, diferente de todo o esperado, não deixou nada pelas metades quando partiu. Achei que fosse sobrar um sorriso aqui e ali, um desespero ao achar que te vejo em tudo que é canto, mas não. Nada. E o desespero foi três vezes maior. Você foi embora e deixou uma terra arrasada, e eu me vi obrigada a reconstruir meu mundo do pó. Precisei ficar só pra precisar só de mim. Mas veja bem, foi você tirar meu teto que eu reparei que o céu tinha estrelas, dei a cara a tapa e aprendi uma vida nova, em outros moldes, outros sistemas, outras fontes de alegria, e, olha só de novo, nenhuma delas nem ao menos lembrava você. Parabéns por não deixar reminiscências, por dar no pé tão sutilmente, a ponto de eu mesma me interrogar se algum dia você esteve por aqui. Pelo bem, pelo mal, foi assim que eu consegui começar do zero, refazer um mundo todo dentro de mim. Você reapareceu depois, maltrapilho e fatigado das andanças por aí, mas agora eu já reconstruí meu castelo de sapê, à beira-mar do jeito que eu sempre quis, e nem me preocupei em fazer quarto pra você. Que surpresa. Não te fiz quarto, e nem faço mais sala pra você. Eu descobri que a vida é muito mais do que aquele espacinho no quartinho do fundo do teu coração, que eu ainda achava o máximo. Agora você olha pra mim e sente falta, pede desculpa, aparece duas vezes por semana pra refazer a tua imagem, mas a pessoa que você deixou já não mora mais aqui. E o mais incrível é que a culpa é todinha sua. Não é irônico? O motivo de tanta mudança nem faz mais falta aqui. Você fez o que foi melhor pra você, mas agora faz o que é melhor pra mim. Não volta, não.

Monocromia

O mais engraçado é que, por um bom tempo, até, eu achei que gostasse dessa vidinha inconstante, montanha-russa invertida, cheia de novidades e nada que continuasse no lugar. Achei, do mesmo jeito que você passa a vida toda acreditando que odeia comer melão, mas quando experimenta, não consegue entender como é que por tanto tempo você viveu sem isso. Demorei tanto pra entender qual era o problema; por que é que, se eu gostava tanto daquelas noites cheias de drinks e amizades coloridas, elas me deixavam monocromática no fim. Acho que no fundo eu temia era que alguém como você aparecesse e me mostrasse que a minha vidinha sem sal podia ter muito mais sabor, mais cor e, ironicamente, mais vida. E o medo maior era que, depois de descobrir tudo de tão maravilhoso que existe por aí, o dono dessa mudança decidisse ir embora. E então, o que eu faria? Entende? Ninguém gosta de admitir isso, como se alguém fosse o culpado pela alegria ou pela tristeza de outra pessoa, mas acontece, sim. Da mesma forma que eu já pude fazer alguém feliz, vários me fizeram feliz - por umas noites, porque nunca deixei durar mais do que isso. Entende a proporção das coisas agora? Achei que eu gostasse da minha vida como estava, achei até que fosse sentir falta quando você apareceu, mas como é possível sentir falta de um passado tão raso, monocromático, depois de conhecer essa explosão de cores? E se me lembro bem, você até gostou de uma pausa na tua vida tão hiper. A gente combina e se equilibra sem nenhum esforço, e hoje eu agradeço por você ver isso, e mais ainda por toda a tua paciência com meu jeito meio torto de gostar; por me mostrar - além de tudo - o quanto ter alguém, ainda nos dias de hoje, é algo especial. 

Quando o nome dele é paixão

Não, eu não te perdôo. Nem vem com essa carinha de charme que você sabe que contorna todas as encrencas em que você se mete, que eu não vou perdoar. Não aceito você vindo com esse sorriso digno de príncipe pra cima de mim, essa voz rouca que faz qualquer uma ter inveja até da moça da cafeteria que te escuta todo santo dia pedindo um expresso. Tá completamente errado! Não, ninguém mandou você ter toda essa beleza, por dentro e por fora, esse carinho insuportável que você sabe que atinge todos os meros mortais ao seu redor - e pior, expor ele em cada oportunidade. É sério, e essa cara de sono? Não tem vergonha de chegar e me desestruturar quase por completo? Também não tem perdão se você tá fazendo mais uma das suas maravilhosas boas ações e por isso não pode aparecer. É sério, assim não dá. Entendeu? Quem sabe se você de repente arrumar um defeitozinho aqui, ou uma coisinha ali, qualquer coisa que deixe você menos ai-meu-senhor-ele-é-perfeito, daí podemos negociar. Qualquer coisa que faça eu pelo menos ter um motivo real pra ficar um tiquinho brava com você. Antes disso? É esforço demais ter que simplesmente te olhar e me manter de pé ao mesmo tempo, e embora eu aguente o tranco, tenho certeza que as moças que caíram ali, atrás de você, nesse campo de batalha, concordam comigo. E quando você vem e ocupa a minha cabeça o dia todo? Maior falta de respeito! Não, não te perdôo por se impregnar em cada poro do meu corpo, inclusive tá pouco, pode continuar. Aproveita e gruda nos meus horários também. Viu, vê se aparece, que eu tô com saudade.

Declaração

A diferença é que essas palavras serão mais leves, embora carreguem o fardo que mais me pesa ultimamente. Vai ver é que eu aprendi a ligar aquele filtro, sabe, que você sempre dizia que desligava nas horas mais importantes. Ou vai ver foi a música, que me ensinou a dizer tudo o que eu penso sem arrancar um fio de cabelo do próximo, sem nem arranhar a superfície do descontrole, numa cadência sincera. E isso é bom, eu acho. A mudança é boa. Ruim é o igual, monótono, como aquele gif que fica em loop eterno, e por mais longo que seja, eu já sei o final. 
É que as vezes acontece isso com a minha vida. O filme que eu já vi passa e repassa na minha frente e eu me vejo de braços cruzados, esperando minha chance de dizer alguma coisa, esperando um espacinho em branco para colocar meu desabafo, mas ele nunca vem e eu sempre fico frustrada. Hoje, eu pauso esse vídeo e me jogo na frente do retroprojetor. Hoje eu que mando na minha história, e isso faz bem. Faz bem como você nunca imaginaria. E, agora em posse, eu declaro proibições. Os joguinhos acabaram, chega de rodeios e de jogos de persuasão, manipulação e também de andar em círculos. Chega de indecisão, dúvida, mistério e toda essa confusão! Pra lá com o desrespeito, falta de amor próprio. Acabou o medo também. O único medo que sobrou foi o de não tentar, lembra? Eu lembro bem. E como não podia faltar a parte irônica de mim, tenho que proibir a falta de algumas coisas boas. Esse é o fim da falta de carinho. Esse país chamado vida é meu, e nele só as minhas regras prevalecem. Eu não deixo mais ninguém mentir. Ninguém mais pode faltar com amor (aquele fraternal mesmo) aqui. Só que é preciso dialogar, é lei, e de agora em diante... Tá proibido não ser sincero. Dessa vez com calma eu dou o play, e a vida pode continuar.

A vida toda

Tá, mas agora me fala a verdade. É sério que não tem nada errado com você? Eu não tô reclamando, longe de mim, mas você não tem mesmo uns trinta ex-amores na manga, que vão pular em cima de mim na primeira oportunidade? E atrás de você, tão pouca bagagem? Onde é que está sua bagagem, você aprendeu tão bem assim a guardar? É que eu não tô vendo uma muralha em volta do seu coração, e isso não é muito comum por aqui. Me explica, como funciona essa coisa de ser tão feliz, de sorrir o tempo todo, que eu quero também. Me explica que brilho é esse no seu olhar quando a gente conversa, e como é que você não precisa de esforço nenhum pra me embalar e jogar meus medos fora, um a um. E essa confiança, de onde vem? Esse passo calmo, essa tranquilidade, que há tanto eu desconhecia... E como é que você não veio correndo, invadindo meu espaço, se jogando janela adentro? Até parece que você sabe a hora de bater na porta e pedir educadamente só um lugarzinho pra sentar, na sala mesmo. Dá licença, obrigado. E eu fico tão sem chão quanto nas nuvens, porque ninguém nunca foi assim comigo. Meus amores sempre foram um tornado, e foi assim que eu conheci amor. Chegavam sem avisar, deixavam o sofá sem estofado e levavam até minha porta na saída, sem nem olhar pra trás. E depois cabia a mim trancar tudo às pressas! Mas você não, você veio com jeito, chegou de mansinho e me deu vontade de convidar pra entrar. E isso tanto me intriga quanto me agita. Entra, vem aqui! O que mais você pode fazer? Quer tomar uma xícara, ficar para o jantar?  Me conta de você, me diz por que é que - minha nossa - eu nunca conheci alguém assim antes. Tão diferente de todos os outros. O tipo de visita que a gente enrola pra deixar ir embora, e só agora eu entendo o valor de alguém assim. Então vou te pedir o óbvio, faz um esforço, fica mais uma noite, uma semana, ou a vida toda.

Beleza é um estado de espírito

Foi numa festa que eu me dei conta. Já tinha tomado algumas, então, de cara, já não me dei muita atenção. Mas depois aquele pensamento veio batendo lentamente, pouco a pouco, na minha cabeça, até que foi impossível ignorá-lo. Até que, pra mim, ele se tornou verdade. A minha verdade.

É que disseram que uma garota era muito linda, e eu percebi que não compartilhava daquela opinião. Era uma mulher, quase em seus trinta, com cabelo normal, olhos comuns e roupas bonitas - mas o que tem a ver com beleza? Só que tinha alguma coisa nela que a tornava completamente diferente da maioria das outras que também estavam naquela festa, com os mesmos olhos castanhos - que nunca é tão exaltado quanto merece -, uma saia parecida, o mesmo estilo de cabelo. 

E eu comecei a observar, intrigada.

Foi quando eu comecei a reparar o que ela tinha de diferente, que extra aquela garota carregava. Não era o modo de se comportar, ou as suas curvas, ou a cor do seu blush que era diferente, especial. Não, era algo muito mais imprevisível. Ela só parecia se amar. Eu juro! Ela sorria e dançava como se estivesse completamente confortável em sua própria pele. Como se amasse cada segundo de simplesmente ser. 

Só então eu entendi que talvez isso fosse o amor-próprio - mas essa era só a ponta do iceberg. 

Ela era comum. Mas uma rosa não é menos bonita só porque todas as outras também são vermelhas. Comum como eu, como você e várias outras bastardas por aí que enxergam o comum com desgosto, que quase tem um ataque cardíaco por se imaginarem iguais a alguém, mas que não hesitam em apelar para a progressiva, a lipoaspiração, ou recorrer ao botox quando sentem que não se enquadram no padrão. Foi aquela garota que, mesmo sem nunca saber meu nome, me ensinou que há beleza em ser único, amar a si mesmo, no estágio da vida que for. 

Tinha essa coisa totalmente inexplicável sobre ela, essa aura que a tornava diferente, embora de relance parecesse brutalmente comum. Comum às outras garotas perto dela. Rendera-se aos padrões de beleza, por quaisquer motivos que fossem, mas manteve o amor-próprio intacto. 

Talvez soubesse que o padrão está em constante movimento, e que não vale a pena se apegar a algo assim.

Vai ver é por isso que dizem que a beleza - o que importa - vem de dentro. 

Não mereço, mas preciso.


Eu costumava achar que me contentava com pouco. Mas não. Pensava que era feliz com metade das coisas que fariam a maioria das outras pessoas felizes. Mas errei. A metade só me faz meio feliz. E por que eu não ia querer ser feliz por completo?
Se quiser me amar, vai ter que ser por inteiro. Se quiser ir, não vai poder voltar quando bem entender. Mas, se quiser ficar, prefiro que fique pra sempre. Não é questão de extremos, ou de exageros. Eu posso até não merecer, mas eu preciso das coisas por completo. De sonhos, planos, amores, abraços, beijos e carinhos por completo. Qual a graça de viver pela metade? E de fazer um plano e não cumpri-lo? Não, não quero perder a melhor parte do processo, quero ser feliz por inteiro. Repito, não por merecer, mas por precisar.

Amigos?

       

Às vezes criamos motivos para tentarmos esquecer alguém sem antes descobrir o porquê de tanta dor. Mas pela primeira vez, eu percebi que não me machucou tanto quando descobri em seu olhar sua nova paixão, obviamente somos amigos. Amigos? Não, meros colegas mal nos falamos, porém enquanto deixava minha amizade como opção, pelo menos eu cuidei de ti até onde pude.

Pela primeira vez escrevo sobre você aqui neste blog e pode ter certeza, é bastante divertido saber que esta feliz. Eu sempre soube que encontraria alguém legal na vida, que fosse realmente gostar e que fosse guiado. Espero que desta vez dê tudo certo e com toda certeza do mundo quero que pare de sofrer por pessoas que não lhe fizeram talvez bem algum.

Andei alguns passos a passos contigo. Sorri, chorei te fiz rir, ou pelo menos tentei, mas de uma coisa pelo menos já sei, pude contar contigo quando menos esperava. Sabe-se lá como teve tanta paciência de me aguentar nas lágrimas, nos meus antigos rolos, porém parece que pela voz, ou pelo cheiro no ar à famosa frase, “o que aconteceu?” foi o que sempre me deu grandes motivos para deixar de ser tão orgulhosa e ao menos alguma vez na minha vida dividir algo contigo, mesmo sabendo que mal tínhamos tempo de nos falar. Não sei se somos grandes amigos, que dividem segredinhos, mas somos colegas.

Pelo menos isso, eu consigo dizer já que pela primeira vez eu descobri que não somos presentes de verdade como muitos são na minha vida. Não somos amigos porque não estamos juntos, somos desligados e mensagens não rolam por celular, porque na maioria das vezes não me responde. Mas sabe por que não somos amigos de verdade? Porque no final das contas nós não procuramos ser tão ligados. Talvez fui eu que estraguei algo com a minha impaciência em confundir sentimentos, ou você ter se afastado ter sido uma consequência de não sermos irmãos. Mas quer saber, não faz muita diferença já que até agora não fez falta.

Pela primeira vez eu venho aqui dizer a verdade. Para quem pensa que amizade é todos aqueles que conversamos poucas vezes e somente algumas podemos contar, estão errado. Amigos são aqueles que se qualificam a te ajudar quase todos os dias, que saem contigo, que te ligam de vez em quando pra saber como vai a vida, que te surpreendem com 1 hora conversando asneiras pelo telefone. Que se lembram do seu aniversário, que brigam contigo quando esta errada e que te fazem feliz quando merece, e isso meu caro Hedy, não passou de uma grande mentira para nós dois. Não tenho medo de dizer seu nome em público não porque sinceramente, não somos como éramos antes, sendo que na semana passada uma mensagem no celular mandado, foi uma grande ignorada. E acabamos de descobrir que somos apenas colegas. Meros e míseros colegas. Que contam um com o outro raramente, mal se veem e mal ligam um para o outro.