É bom mudar por alguém?

Esse é mais um daqueles questionamentos que me fazem ficar acordada a noite toda, se eu não me esforçar pra mudar de assunto e desligar o cérebro.
Nessa vida, pessoas e pessoas vão tentar te fazer mudar, e nem sempre é pra melhor. Afinal, o que é ser melhor? O cabelo, que bem que podia ser mais curto ou mais claro? Ou então o corpo, por que é que você ainda não tentou emagrecer? Faz tão bem... Mas acho que as mudanças mais intensas, que mais requerem energia, são as internas. Seu jeito de agir, seus gestos, seu romantismo, a atenção que você dá a certos assuntos e que não dá a outros, é tudo parte sua, isso compõe você. E então vem mais uma vez essas pessoas que chegam com uma checklist gigantesca, e muitas vezes, a gente não bate todos os requisitos. Mas a culpa não é nossa. Eu não admito que a culpa seja minha por não bater com a lista de alguém, ou por não caber numa agenda apertadíssima. Cansei de gente que chega de carro cheio e me culpa por não me fazer caber no porta-malas.
Mas também tem aqueles tão diferentes da gente, mas de alguma forma tão agradáveis, que a gente se vê querendo mudar. Tirando um pedacinho aqui e ali, pra acrescentar uma atitude diferente, um pensamento novo. Querendo ser melhor pra quem sabe estar no mesmo nível que (a gente vê) essa pessoa, pra quem sabe ser chamada pra sentar no co-piloto. E a gente, ou talvez só eu mesma, quando repara, já virou um quebra-cabeças remontado do avesso, algumas pecinhas até parecendo irreconhecíveis. E nesse jogo de mudar, se encaixar e desmontar, embora às vezes não dê certo e seja preciso voltar à estaca zero, noutras vezes - o que assusta muito mais - a gente percebe que funciona bem melhor assim. E que o avesso pode muito bem ser o lado certo.