O próximo amor vai parecer o primeiro. Vai me fazer questionar todos os que já (se) foram, se foram.
O gelato depois do inverno vai parecer o primeiro, depois que quase esqueci o gosto.
O chocolate quente depois do verão, no meio do outono.
Até um reencontro de duas almas perdidas que precisavam se encontrar antes.
A sensação de orgulho ao conquistar um objetivo estabelecido há tanto tempo.
A falta de ar depois de correr mais do que estava acostumada.
Mesmo qualquer doença me parece a primeira, e eu vejo o fim a cada vez.
A alegria de ver a árvore de natal montada, ainda que eu siga o mesmo ritual todos os anos.
O vento frio inexplicavelmente gélido na estação de ski, mesmo depois de dois dias de aula.
Até aquele álbum antigo que eu conheço todas as palavras, na vitrola, trazendo tudo novo de novo.
O abraço na minha melhor amiga depois de tanto tempo sem se ver.
Acordar e levantar da cama cedinho de manhã...
Sempre parece a primeira vez. Porque, se pensar bem, meio que é.

