Nem acho que gostar é toda essa magia que dizem, não sou fã de paixão, mas a falta que cê fez... Rapaz, a falta que você fez chega a ser visível. Você nem tá aqui e eu te vejo em todos os cantos, te vejo na tv, te vejo na rua, na minha cozinha, na minha cama, encostado na minha porta. E nem adianta fechar os olhos, que a coisa fica mais nítida ainda. E vou te dizer, dói.
E se eu fugir de enxergar, eu sei que vou ouvir. Nem adianta tentar escapar, que tá lá, o timbre da sua voz, aquele jeitinho de falar que gostou demais de alguma coisa, ou aquela alegria em encontrar mais bolo de fubá. Mas sabe o que mais faz falta? Escutar aquele "nós", quando eu nem imaginava. Eu nem sabia que gostava disso. Que absurdo, agora fico parecendo disco riscadinho, ouvindo a mesma voz, de novo e de novo. E eu não faço ideia de onde fica o botão de parar.
Se eu corro pra outros braços, por exemplo, é outro sufoco. E nem falo de respirar, que eles me dão bastante espaço, tanto quanto mando. É que o cheiro ainda me é muito presente, ainda que já seja tão ausente que eu jurava nem mais lembrar. E a vida acontece de um jeito doido, de repente tá lá você, teu perfume, você em outros braços. Você num outro sorriso, num outro rosto, e por uns segundos eu quase me engano. Eu superestimo minha capacidade de me iludir.
Mas mesmo que conseguisse, ainda de olhos fechados, ainda me resta sentir teu gosto. Ah, isso ninguém engana. Ninguém disfarça, ninguém imita do mesmo jeito, cê pode ficar tranquilo. Não tem jeito, nem no céu, nem no inferno, de enganar essa boca aqui, que já conhece cada curvinha da sua, que ri em concordância com cada risada sua, que sabe muito bem como faz pra te acompanhar. Aí eu imagino como é que você tá.
Só que ultimamente só resta a lembrança. E de tanta falta, de tanta, tanta falta que eu sinto, seria a saudade o sexto sentido? Me explica, que eu não entendo, qual o sentido?















