Mostrando postagens com marcador paixão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador paixão. Mostrar todas as postagens

Sexto sentido

A tua falta é tão palpável que dói. Mas dói de verdade, de arranhar as entranhas e fazer a gente se contorcer um pouquinho quando lembra, no sofá da sala, numa tarde ensolarada. Porque lembra que não consegue esquecer. Não consegue distrair por inteiro, não consegue focar num joguinho de videogame que for, em montar a árvore de natal, em fazer planos pro verão, em qualquer coisa que por mais incrível que pareça, ainda falta um pouquinho de brilho. Cê sabe do que eu tô falando.

Nem acho que gostar é toda essa magia que dizem, não sou fã de paixão, mas a falta que cê fez... Rapaz, a falta que você fez chega a ser visível. Você nem tá aqui e eu te vejo em todos os cantos, te vejo na tv, te vejo na rua, na minha cozinha, na minha cama, encostado na minha porta. E nem adianta fechar os olhos, que a coisa fica mais nítida ainda. E vou te dizer, dói. 

E se eu fugir de enxergar, eu sei que vou ouvir. Nem adianta tentar escapar, que tá lá, o timbre da sua voz, aquele jeitinho de falar que gostou demais de alguma coisa, ou aquela alegria em encontrar mais bolo de fubá. Mas sabe o que mais faz falta? Escutar aquele "nós", quando eu nem imaginava. Eu nem sabia que gostava disso. Que absurdo, agora fico parecendo disco riscadinho, ouvindo a mesma voz, de novo e de novo. E eu não faço ideia de onde fica o botão de parar. 

Se eu corro pra outros braços, por exemplo, é outro sufoco. E nem falo de respirar, que eles me dão bastante espaço, tanto quanto mando. É que o cheiro ainda me é muito presente, ainda que já seja tão ausente que eu jurava nem mais lembrar. E a vida acontece de um jeito doido, de repente tá lá você, teu perfume, você em outros braços. Você num outro sorriso, num outro rosto, e por uns segundos eu quase me engano. Eu superestimo minha capacidade de me iludir. 

Mas mesmo que conseguisse, ainda de olhos fechados, ainda me resta sentir teu gosto. Ah, isso ninguém engana. Ninguém disfarça, ninguém imita do mesmo jeito, cê pode ficar tranquilo. Não tem jeito, nem no céu, nem no inferno, de enganar essa boca aqui, que já conhece cada curvinha da sua, que ri em concordância com cada risada sua, que sabe muito bem como faz pra te acompanhar. Aí eu imagino como é que você tá.

Só que ultimamente só resta a lembrança. E de tanta falta, de tanta, tanta falta que eu sinto, seria a saudade o sexto sentido? Me explica, que eu não entendo, qual o sentido?

Faísca

Meu santo é forte, minha fé um pilar
Mas é tão cruel imaginar que é só isso que me há
Que eu dei adeus de cabeça erguida
sem saber que fim ia se dar,
sabendo o diabo pelo qual me ia passar
mas amor também é renúncia
não se perde o que não se pertence
É que afinal, acreditar é o primeiro passo para realizar

Talvez me seja a teimosia
mas se essa é a melhor coisa que há na vida
por que então a gente não deveria?
E por que não teimar com a própria teimosia e fazer arriscar? Fazer por onde - dá suas voltas
se desenrola, até que não haja mais nós
apenas laços
envolvendo nós

Faz por onde! Seja paciente
Talvez não no meu tempo, mas o tempo dirá.

Porque se há uma chance, uma pequena chance
de você ser - e eu também - num mesmo momento
então eu estarei lá, estarei aqui
A faísca reacenderá

Fogo de amor é inextinto, cê sabe
que enquanto num coração ainda se vive, ainda há, ali, morada
e se faz até sem merecer
lar sempre vai ser o coração do outro

A gente sabe o caminho de casa
a luz de casa é estrela-guia e as portas esperam destrancadas
o fogo resiste mesmo à noite
sempre aceso, teu retorno

E a vida toda não se perde, a lareira jamais se apagará
Uma faísca é tudo que é preciso
Talvez não no meu tempo, mas o tempo virá
E um dia, será.

Verseau

A noite foi fria demais. Cê me desculpa, eu não sabia pra onde ir. As luzes já estavam apagadas, mas eu entrei mesmo assim, me enfiei no teu cobertor e lá fiquei, mesmo sozinha. Teu céu de estrelas não brilhava, mas eu aproveitei o silêncio e o cheiro reconfortante dos lençóis, e confesso que até me senti em casa. É nessas horas que a gente percebe, lá no fundo, que não foi feito pra ficar sozinho, pra ser só. 
Logo o céu lá fora se acenderia e eu precisaria ir embora; doeu perceber que eu não queria nadinha sair dali. Fui enfim, mas com uma vontade louca de ficar, com um desejo enorme de puxar as cortinas e me aconchegar na cama mais um pouco, de esperar tua volta e contar o que me havia do lado de cá. De ouvir teu riso de novo e uma ou outra história do outro lado do mundo, uns desabafos, umas confissões, uma vontade enorme de qualquer tempo com você. Mas num impulso de horror, num reflexo de irreciprocidade, eu corri tanto, mesmo sem chão nenhum, até rasgar as beiras de mim. Corri pra longe até que cheguei bem aqui, exatamente aqui de novo, contigo. Meu dilema continua, enfim. 
Eu não sei se você vale a pena, mas eu sei que eu valho, por mim. Sei também que a gente foge de fazer decisões e depois chama o resultado da nossa omissão de "destino", na maior cara de pau. Mas eu não vou mais ser omissa. Essa é a minha decisão. Eu vou decidir por mim. E por eu valer a pena, aqui eu me arrisco.

Palavras perdidas

Foi numa dessas epifanias de pura gratidão com a vida e com meu aprendizado nela que eu voltei a pensar em você. Não que por algum santo dia eu tenha parado, mas dessa vez foi diferente. Eu tenho ensaiado mil e uma maneiras de te dizer o que eu sinto e que ficou engasgado, e hoje mesmo fui perceber que, independente do quanto eu goste de você - ou da ideia de quem você se tornou pra mim, o que eu mais preciso agora é que você saiba disso. Só isso. O meu aniversário tá virando a esquina e eu não suportaria fechar um ciclo pensando que tanto do que podia ter sido dito, não foi. Eu não suportaria deixar pra trás tantas verdades que, por mais que eu odeie admitir, talvez nem mudem nada pra você, mas que pra mim, estão sendo um método de tortura escolhida a dedo por um assassino de sangue frio. Desce, vem aqui fora, me escuta cinco minutos. Eu não vou trazer as mil músicas que pensei em mandar, nem vou te culpar pelo que passou, porque sei que nós dois tivemos culpa nessa. Vim só, sem precisar mais de nada. Sem artifícios mundanos, só as palavras mais honestas que pude encontrar. Vim me desculpar pela minha parte nessa bagunça, mas também avisar que estou trabalhando nisso; estou crescendo e corrigindo meus erros, entre essa nossa distância. Acho até que eu era perfeita pra você, mas o problema foi que quando você não viu isso, eu também não vi. Eu sempre fui tão honesta em tudo, até nos sentimentos, a ponto de ser quase transparente. Quando fui amor, fui por completo. Mas quando eu vi você, acabei te mostrando meu lado mais amargo, ingrato e seco. Que irônico, né? Uma parte minha viu aquele brilho especial em você, mas a outra teve um medo insano de te perder. Pensei que fosse o jeito certo de lidar contigo, mas agora eu enxergo como estava errada. Você nao precisa de alguém frio, você precisa de amor. E nem vim arriscar outra chance, decidi deixar isso com o destino, com Deus, com qualquer força lá fora, mais forte que eu, que se compadeça da minha situação. Tô com as roupas de corrida não para provar minha paixão por esportes - finalmente, algo além de você -, mas porque de alguma forma os meus pés sempre correm até você. A vida parece sempre me levar pro seu lugar. Eu vim vestida, mas as minhas palavras não podiam estar mais nuas, tão puras. Você é a minha lembrança mais vívida de uma paixão, e a que mais deixou dúvidas e espaços em branco. E hoje, escuta que simples, mesmo que as palavras não sejam as mais certas, eu só queria preenchê-los.

Cada par de palavras

Mas não dá certo. Quase nunca dá certo, querer virar pro lado e dormir. Como se de repente eu pudesse esquecer o que acabou de acontecer. Como se desse pra deletar as marcas que você deixa em mim a cada par de palavras. Você nem sabe, mas eu fico pensando em todas essas coisas, as que você disse e as que eu deixei de dizer. Pensando que eu não vou cometer os mesmos erros que os outros me viram fazer, jogando todos os relacionamentos no buraco com gosto. Eu não vou falar de ex. Não vou te comparar - em voz alta, juro. Não vai ter espaço pra ironia nas nossas discussões; não, porque eu quando fico irritada, falo na cara, sem rodeios, sem dar voltinha, sem precisar dar aquela risadinha sarcástica de canto. É grosseria mesmo, intrínseca, mas é o que eu gosto de chamar de "amor rude". É a verdade sem seda. Mas talvez você nunca saiba disso tudo e talvez nem conheça esse lado meu, porque eu crio meus ensaios de discurso, mil e uma palavras, mas acabo me medindo tanto, achando que vou ocupar teu espaço, que não sobra mais que duas pra mim. Queria dizer que... Boa noite. Tudo bem. Acontece, né. E aí o espaço que eu te dou me deixa sem nada, me deixa apertada dentro de mim, sem ter pra onde correr, sem saída de como agir, me deixa presa, sufocada - coisa que eu nunca achei que fosse atribuir a você. E eu fico com essas palavrinhas em dobro, minúsculas pra tamanha necessidade de fala, de expressão. Sei que se eu quisesse falar todas elas de uma vez, ia assustar. E mulher nenhuma quer ser a descontrolada, a instável, a desestabilizada, seja lá o nome que for. Todas nós aprendemos da pior forma possível, perdendo incontáveis potenciais amores, que essa mania de ser tão peito-aberto, de dar a cara pra bater e se arriscar, não costuma ser a melhor opção. Eu não quero mais. Não quero mais colocar o coração à prova e voltar com ele estraçalhado, ensanguentado. Mas também não vai funcionar simplesmente apagar a luz e dormir, quando seu rosto ainda paira no meu olhar. Entende? Não quando cada par de palavras tuas me faz sonhar mais com os olhos abertos do que fechados. Mas um par de palavras nunca vai ser o suficiente. Então faz um favor, que eu tô pedindo uma última vez, não fica tão quieto, que isso não tá certo.

Quatro linhas ou nada

O problema é que, na minha cabeça, eu não devia ter que te falar isso. Entende? Eu não devia ter que ser a pessoa a colocar todas as cartas na mesa. Até porque quanto mais eu penso, menos certeza tenho se tô fazendo a coisa certa. Você chegou com uma confiança que eu nunca tinha visto de perto, me deixando tão livre que vai ver por isso eu me vi tão presa a você. E aí eu comecei a achar isso maluco, ainda mais pra mim, que nunca fui de sequer pensar na mesma pessoa por tanto tempo. Foi novidade, sabe? E deu medo, de quem sabe depois precisar e não poder. Então eu bolei mil planos pra me distrair e parar de pensar em você, precisava ver se sentia minha falta... Então você veio, todo dia. Você conseguiu; não me deixou te esquecer - não que eu por um segundo quisesse. E mais uma vez, lá fui eu ensaiar os sumiços, e me lembrar dos motivos. Por quê? Por que falar com você ficou pesado. É difícil querer - tanto, e não poder falar o quanto. O ser humano não tinha que ter inventado esse monte de leis sociais, mas inventou. E falar a verdade vai assustar, vai te fazer sair correndo. Por isso eu pego o celular e me permito digitar quatro linhas. Não gosto desse jogo, não gosto de ter que seguir essa brincadeira, mas pra quem é como eu, a vida se encarrega de ensinar que não é você quem faz as regras. E se você não aceita o que ela diz, cartão vermelho, aí já era, você é expulso. Então eu coloco na cabeça que a única saída é esquecer você, me afastar dessa confusão que meu coração, fraco, coitado, nunca tinha vivido antes. Tento lembrar quantas vezes você pareceu demonstrar o menor desinteresse. Repito mentalmente umas mil vezes essas palavras na frente do espelho até achar que aquela menina do reflexo se convenceu. Mas você sabe que o meu defeito é não conseguir enganar nem a mim mesma, mesmo com todos os ensaios do mundo. Que eu não aguento de saudade, que eu não entendo o que acontece comigo quando falo com você. Que eu queria que seus sinais tivessem sido mais claros - pra ter certeza se não to de novo fazendo besteira, dando tiro no escuro, tão a minha cara. Que eu queria essa sensação boa que você me dá, - meu Deus - todo santo dia. Que na verdade eu não consigo te esquecer, e a mais cruel verdade de todas, é que eu nem quero. Você sabe, não sabe? E mais uma vez, aquelas quatro linhas vão ficar só pra mim. Egoísmo que só se compara a você, me mandando a primeira mensagem do dia, sempre a primeira pessoa que eu penso quando acordo.

Quando o nome dele é paixão

Não, eu não te perdôo. Nem vem com essa carinha de charme que você sabe que contorna todas as encrencas em que você se mete, que eu não vou perdoar. Não aceito você vindo com esse sorriso digno de príncipe pra cima de mim, essa voz rouca que faz qualquer uma ter inveja até da moça da cafeteria que te escuta todo santo dia pedindo um expresso. Tá completamente errado! Não, ninguém mandou você ter toda essa beleza, por dentro e por fora, esse carinho insuportável que você sabe que atinge todos os meros mortais ao seu redor - e pior, expor ele em cada oportunidade. É sério, e essa cara de sono? Não tem vergonha de chegar e me desestruturar quase por completo? Também não tem perdão se você tá fazendo mais uma das suas maravilhosas boas ações e por isso não pode aparecer. É sério, assim não dá. Entendeu? Quem sabe se você de repente arrumar um defeitozinho aqui, ou uma coisinha ali, qualquer coisa que deixe você menos ai-meu-senhor-ele-é-perfeito, daí podemos negociar. Qualquer coisa que faça eu pelo menos ter um motivo real pra ficar um tiquinho brava com você. Antes disso? É esforço demais ter que simplesmente te olhar e me manter de pé ao mesmo tempo, e embora eu aguente o tranco, tenho certeza que as moças que caíram ali, atrás de você, nesse campo de batalha, concordam comigo. E quando você vem e ocupa a minha cabeça o dia todo? Maior falta de respeito! Não, não te perdôo por se impregnar em cada poro do meu corpo, inclusive tá pouco, pode continuar. Aproveita e gruda nos meus horários também. Viu, vê se aparece, que eu tô com saudade.

Se você pensa que eu chorei

Meu amor, de tão possessiva que fiquei, até achei que podia te chamar de meu. E lembro que, de início, até as mensagens no celular eu guardei, mas era só pra que eu soubesse quão querida eu podia ser. Os comentários nas polaróides, os bilhetinhos, as promessas, foi tudo pra embelezar meu ego. E a verdade, eu não nego, é que eu só queria alguém pra mandar.
E essas palavras são só pra te lembrar, que eu não te amei tanto assim e que a mentira era dizer que sim. 
Mas se por tanto tempo eu fiquei, é que o sorvete que você comprou era melhor que crème brûlée. E suas camisas me serviam bem demais. É que seu carro era mesmo macio, e seu rosto, um troféu. E todas aquelas horas falando com a sua mãe? No seu jardim tinha um dossel. Lembra que o perfume dela era francês? Nenhuma vez, bem, eu pensei em você.
É que você é mesmo assim, acha que de sorrir já estou afim. E eu vim te lembrar, se pensa que eu te amei até o fim.
Porque sei, agora, você sabe que isso não passou de uma paixonite. Amor meu, só chorei por você porque naquele dia esse amor me deu gastrite.

Se ela soubesse

Ela é a garota mais linda que eu já vi. Tem o gosto musical bom, embora com algumas bandas que não sei como ou por que (ela) se dá o trabalho de ouvir. É culta, lê tanto e sobre tanta coisa que não sei como as informações não entram em colapso a cada vez que (ela) abre a boca. Gosta de filmes de romance e aventura, mas não discrimina o terror, que rende um bom abraço em desculpa para o medo. Conversa; sabe usar bem as palavras, me deixa louco, queimando em confusão, lendo as entrelinhas criadas espontaneamente - parecendo sem querer -, com um desprendimento fantástico. Apesar de ter uma opinião sobre tudo e não hesitar dividi-las comigo, é introvertida com outros e às vezes até tímida. Só conheço seus olhos brilhantes, só conheço seu sorriso nobre, seu corpo afortunado que, perto de mim, só falta reluzir. Ela sabe que só existe ela em mim, tem a clara noção disso. Ela não sabe, mas é perfeita. Seu andar é diversificado; suporta saltos absurdos, longas corridas de tênis e mesmo areia escaldante, mas quando me dá as costas e se afasta, sem olhar pra trás, vacila. É bela tanto quanto tem medo. E tanto tem medo.

Se você perguntasse como estão as coisas

Talvez tudo ficasse mais fácil se parassem de me perguntar sobre você, ou mais ainda, se começassem a controlar os olhares de pena quando veem que eu mesma não sei responder direito o que aconteceu. Não sei, mesmo, e às vezes acredito que nem você sabe. De um dia pro outro, o seu sorriso se desfez, o seu toque pareceu menos disposto e a sua risada, mais comedida. Suas respostas vinham espaçadas, como se realmente fosse preciso muito tempo para responder perguntas tão simples quanto as que eu fazia. Entendi, eventualmente, que você evitava falar sobre a parte complicada de nós, aquela que nenhum dos dois sabia como por em palavras, ou talvez algum de nós só não tivesse interesse em ter o trabalho de explicitar. Evitava assumir como não era confiável, ou relembrar de como desistiu de mim em tempo recorde. Evitava, e só. Foi de repente. Cortou todos os laços antes que eu me desse conta, virou as costas e correu. Veloz como um tiro. Partiu tão rápido que não tive tempo de colocar nossas fotos na sua mala. Porque se é para ir embora, no mínimo tivesse a decência de levar tudo, me deixar zerada, pronta pra outra. Foi triste ver como eu fiquei de olhos fechados por tanto tempo, tão iludida naquela tranquilidade querida, mas instável. E você sabia disso, mas preferiu o silêncio, que era melhor para você. Entendo, ninguém gosta de assumir os próprios defeitos. Mas gosto das fotos porque tenho certeza que elas não vão mudar, mesmo quando as pessoas nela, vão. Pode deixar que as fotos eu guardo.

Dias de ausência

Será que você se arrepende? Será que olha pra trás, lembra de mim, e ainda mais, se sente culpado pelas coisas que fez? Você veio, se esforçou pra conseguir um espaço na minha vida. Fez que fez até conseguir. E eu, que nem ligava pra nada, comecei a ir atrás, comecei a sentir falta. Foi como mágica pra desencantar da noite para o dia. Comecei a sentir um aperto aqui, no peito, culpa da sua ausência. Então, se era pra desistir, por que se esforçou tanto? Se matou pra me conseguir e no segundo que me viu ser sua, deu as costas. A pior parte é não ter sido só uma vez. E quando você voltar, o que eu vou fazer? Porque até agora, a única certeza que eu tenho é que você sempre volta. Mas eu tô cansada de ser seu porto seguro, seu colo quando você cansa de se iludir com essa vida boêmia. Você vem, bagunça tudo aqui e vai embora porque sente falta da sua vida louca e inconstante. Desde então, tenho uma rotina pros seus dias de ausência. Acordo acreditando por um minuto que te esqueci, e só por isso, já vejo que foi um engano. Num ciclo ininterrupto de dias, algum perfume, risada, uma peça de roupa ou mesmo uma lembrança insiste em voltar à tona e, sério, não importa quantas vezes eu tente apagá-las, tudo consegue me lembrar de você, de alguma forma. Mas olha só, enquanto eu gastava meu verbo, aqui, já se foi de novo. Então faz assim, vem logo dar um jeito nessa bagunça ou fica de uma vez por aí.

Aprendi com você

Ouvi dizer que só amamos aquilo que conhecemos, e às vezes até confundimos amor com paixão. Disseram também que a paixão é o que vem e esconde todos os defeitos, por mais que eles estejam escancarados. O amor é o coitado a saber e ver os defeitos, mas disposto a passar por cima deles. Mas pra mim sempre foi claro demais, a paixão nem chega a vê-los, é um alvoroço só passando por cima de tudo e de todos; não é à toa que ela é sempre arrebatadora. E depois dizem que o amor é que é cego. Bem, ele pode até ser, mas a paixão é impulsiva. Porque lembra quando você me disse que ficaríamos juntos pra sempre? Acho que nesse dia você quis dizer que estava apaixonado, não que me amava. Talvez ainda não soubéssemos enxergar a diferença entre os dois, mas agora, olhando pra trás, é bem distinto. E voltando a pensar nisso, tem lógica a paixão durar tanto tempo. É tempo o suficiente pra se conhecer a outra pessoa e passar a amá-la, pra quando a paixão resolver ir embora, não levar também o amor. Afinal, eu acredito mesmo que ódio, que não gostar, é o oposto do amor. Não pode ser a indiferença! Indiferença seria só antes de te conhecer, e apenas por esse fato. Sempre concluo que devíamos ter passado mais tempo nos conhecendo e criando nosso amor, pra que ele crescesse saudável. Mas não, sua paixão devastadora te fez atropelar tudo e todos; atropelou a nós, meu amor. Mesmo assim, o fim me ensinou que, embora com tantas diferenças, até se os piores obstáculos estiverem no caminho e se os ventos se opuserem, esses sentimentos levam ao mesmo lugar no final, mesmo se por caminhos diferentes. Se apaixonado, arrisca; se amando, perdoa.

Um conto de Romeu e Julieta moderno

Acho que ninguém mais no mundo conseguiu fazer a proeza que eu fiz. Me apaixonar à primeira vista foi uma das coisas mais insensatas que eu já consegui fazer. A parte ruim é que eu não me sinto nem um pouco mais leve ao assumir isso. Infelizmente, dizer isso em voz alta não alivia ou muda em nada o que sinto. A coisa só vai piorando. Conheço-o há três dias e criei uma obsessão terrível pelo coitado. Nem passamos o tempo todo juntos ou conversando. Muito menos sei se ele gosta da minha companhia. No entanto, já me mata de ciúmes ver como ele é simpático com todo mundo. É impossível ser especial, ainda mais quando é notável que todas as meninas caem loucas atrás dele. E, acredite em mim, não é auto estima baixa, mas elas são perfeitas.
Ele saiu de um namoro de dois anos, provavelmente não quer saber de amor por um bom tempo. Pelo menos não alguém que não seja a ex dele. Na verdade, ele parece rancoroso do amor. Eu não entendo nada da história dele e, mesmo que quisesse, não acho que ele me contaria. Parece que os pais deles morreram: a mãe, num acidente de carro em meio a uma gravidez e o pai, algum tempo depois. Já cheguei a ter medo de interferir demais se tentar conversar sobre isso. Minha melhor amiga tem ficado muito amiga dele, me dizendo que ele é um fofo e super possessivo. É feio ficar com inveja? Sabe, ele não é nem de longe o cara mais bonito do mundo, nem sei se é real ou sonho, mas alguma coisa nele me faz encará-lo antes que eu me dê conta. Ele tem algo familiar e, embora seja sempre fácil pra mim dizer o quê, dessa vez eu não faço ideia.


Realmente não sei! Minha cabeça começa a ficar nublada se penso muito nisso. Tenho o número dele, às vezes ele responde rápido, mas quando demora, começo a pensar se é alguma menina que está falando com ele, tomando todo seu tempo. Já usou drogas e parece que já foi preso. Pode até ser que não, mas creio que minha amiga também possa estar atraída por ele. Ou então, ferrou. Juro, esse garoto tem alguma coisa! Não faço ideia de quem possa morar com ele. Ele é um ano mais velho e está numa das faculdades mais concorridas do país, cursando mecatrônica. Chame de memória seletiva, mas nunca nem decorei o curso do menino com quem tento ter algo há 6 meses. Conheço Romeu há 3 dias! Ah, claro, tem a parte teoricamente boa: a língua natal dele é francês, a minha melhor língua e única, além de italiano, minha língua natal.
Ele é espontâneo, e conseguimos ser verdadeiros um com o outro. Adora Beatles, qualquer um que os adore já ganha pontos comigo. Mas eu tinha percebido que entreguei a droga do meu coração pra ele um pouco antes de descobrir isso. Tenho seguido-o por algumas horas com o olhar, sempre que possível e ele não costuma se dar com qualquer um, ou mesmo alguém específico. Ao mesmo tempo em que ele é tão espontâneo, também não se doa fácil, vai entender. No segundo dia, eu usava uma máscara de batgirl quando ele brincou comigo. Meu coração deu um salto. Nesse mesmo dia, ele arranjou uma máscara de batman, só pra combinar comigo. E ainda andou por aí, usando-a. Depois me diz como não me apaixonar!
Ele ama ler! Não consegui acreditar quando descobri isso. Já contei que ele é carinhoso? E eu sempre tão isenta de carinho, tão mal apresentada à carência, descobri que quero conhecer essa parte dele, e que estou disposta a experimentá-la. É muito estranho, porque de uma forma que eu nunca poderia ter previsto, ele se parece muito comigo, e ao mesmo tempo, é totalmente oposto, de forma a ser possivelmente o molde do meu encaixe singular demais. Sei que posso estar exagerando, mas se estou apaixonada, era o mínimo a se esperar: exageros, certo? Ouço até as vozes da minha cabeça dizendo que estou apaixonada. Pode ser que eu tenha encontrado a cura dos meus problemas, ou então quem vai desencadeá-los. O pior é que quero ficar pra descobrir.


Antes de saber que faculdade ele fazia, eu havia decidido prestar um curso do mesmo campus. Veja bem, não é tão óbvio quanto parece, apenas porque é uma boa faculdade. Há pelo menos 3 anos, escolhi pelo curso de humanas, e dias antes de conhecê-lo, comecei a pensar algo perto de exatas, que são no mesmo campus que o dele. Não há o curso de humanas que quero em toda a faculdade, independente dos campus, e considerar exatas veio antes de conhecê-lo, o que me deixa mais em dúvida ainda se era pra ser assim ou não.
Porque, se não o tivesse conhecido ainda, teria eu entrado em exatas e o conhecido lá? Como é dura a vida para os que acreditam em destino. Se devo levar como um sinal, não sei, já estou confusa. Cansei desses sinais complicados.
Agora que tirei essa ansiedade de mim, aproveito para descansar o sono que me foi roubado ontem. E também aproveito para fazer uma prece, que Deus permita que meu destino esteja entrelaçado ao dele. Que Ele não permita, aliás, que Romeu não sinta o mesmo, ou que eu perca esse sentimento novo e confuso, porém benigno, ou ainda que me sinta patética, quando acordar amanhã. Não só fé, agora eu tenho esperança. Há potencial aqui. Sei que vai dar certo. E fecho os olhos.

Rascunhos


Eu sei que o que eu vou fazer agora parece muito mais desesperado do que já pareceu tudo que eu fiz. Mas, vem cá, alguma vez você perdeu algo tão importante e ficou lá, de braços cruzados? Claro que não! E é só que... Esse é o tipo de coisa que, se eu não disser agora, eu não vou conseguir falar nunca mais... Achei que fosse tentar te fazer ficar, mas quando te vi tentando ir embora mais uma vez, tentando outra vez por um fim à história que construímos juntos com tanto trabalho, pensei comigo mesma: Por que eu deveria? Uma amiga minha me disse uma vez que é melhor desistir da história enquanto se está no rascunho, do que ter que arrancar um capítulo inteiro, depois. A princípio, eu discordei, não entendi, mas agora eu vejo. Nossa história é um rascunho, mesmo. E me surpreendeu ter demorado tanto tempo pra perceber isso. É só que gastamos tanto tempo tentando reescrevê-la, de novo e de novo, que, depois de um tempo, parei de reparar nos borrados, nos erros que, de tanto de repetir, já mal podiam ser apagados, pois eram manchas no papel. Pelo menos agora eu entendo por que brigávamos sempre pelos mesmos motivos, coisas das quais nem deveríamos mais nos lembrar. Sabe que até comecei a reparar que haviam partes escritas com tanta pressa que mal pudemos apreciar a escrita? Que grande perda de tempo, nunca passar a limpo uma história tão distorcidamente bonita como a nossa. Chame do que quiser, mas será mesmo que vale a pena desistir de um rascunho tão bom, só pela promessa de um capítulo novo? 

Eu aceito


Estamos em uma era complicada de relacionamentos e para quem disse que tudo é tão fácil da forma como se esperava, não sabe o que é passar pela mesma decepção duas vezes e ainda por cima com o mesmo cara. Sim, soa bem idiota e estúpido... Bem, na verdade são os dois e um pouco mais. O que eu quero dizer é: o que leva uma mulher cometer o mesmo erro de aceitar o mesmo cara novamente em sua vida? A resposta é simples: paixão. Nem me venham com essa onda de amor, pois isso não existe no contexto metafórico de se aceitar alguém novamente tão facilmente em sua vida. Eu aprendi com a minha mãe que "na vida existem erros e verdades. O maior erro foi ter dito que amava alguém, mas foi a sua maior verdade", desculpe, minha rainha, mas terei de mudar um pouquinho esta frase, pois para mim na vida existem erros e verdades, meu maior erro foi ter dito que amava algum cara, mas foi o maior tombo que me fez entender a merda da diferença entre paixão, amor e atração. 


Parem com essa ideia de que está morrendo e está sofrendo ou até mesmo esperando desesperadamente aquele traste voltar correndo para seus braços, lhe dizendo que se arrependeu, que quer se casar e ter lindos filhos contigo. Essa é a maior mentira que um cara poderia lhe falar e que, sinceramente, eu também já caí, por isso não irei julgá-la se também caiu no conto do vigário, pois esse é o maior sonho de uma garota. Mas pare e pense que nem todos os caras que aparecem em sua vida estão aí para ficar na palavra eterna, como se fosse uma tatuagem. Na verdade, estes estão aí para lhe marcarem e te ensinarem morais de história, tanto boas quanto ruins e, vamos ser sinceras, nenhum relacionamento termina com um final feliz. Por isso, como disse em uma aula de literatura meu professor de cursinho: "Quando tiver que amar, ame muito, mas abuse bastante, porém, quando tudo acabar, odeie muito, acabe com tudo o que tiveram juntos e aproveite este sentimento, pois pode lhe ensinar mil vez mais que o amor, já que no final nós só ficamos mais fortes com certas histórias". 
Por isso, minhas caras leitoras, parem de achar que a vida é um eterno conto de fadas, estilo "A Bela e a Fera", pois na verdade ela pode ter um desfecho quase parecido com "Amor de Perdição" ou as obras de Byron, a diferença que ao invés de nos matarmos, pensamos melhor no que vem pela frente. E saibam que estes caras não merecem nem metade do que tem e, caso um dia os vejam e estes olhem em seus olhos e lhes cumprimentem, mesmo que seja de longe, não hesite em mostrar a sua raiva, porém sempre se mostre diva e siga a vida, pois daqui a alguns anos esse martírio mudará e aí sim, o cara que estiver te esperando do outro lado do corredor é aquele que irá mudar o seu sobrenome e dizer: Eu aceito.

(Stephanie de Castro)

Depois que você se foi



Às vezes eu olho pra trás e eu penso em quantas vezes eu me entreguei de primeira depois de uma briga, pedi desculpas quando não estava errada, só pra não perder o que não era meu; me arrependi de erros que não eram meus, senti culpa por coisas que não fiz. Na verdade, não é isso que procuro lembrar, quando olho pra trás, mas é inevitável, sabe, tentar pensar em você e não lembrar dessas consequências. Tenho esperança que você nunca leia isso, porque se ler, é prova que fiz a coisa errada, de novo. Mas eu preciso falar pra alguém, pra alguma coisa, ou eu juro, eu vou pirar. Eu não espero que o que eu fiz ou deixei de fazer faça diferença alguma na sua vida, até porque eu já sei que "fui um capítulo na sua, enquanto você foi o livro todo na minha", não espero te encher de culpa quando você olhar pra trás, nem te desejo mal. De verdade, nem no fundo eu desejo isso. Só queria as minhas respostas. Por que eu? O que eu te fiz? E, sério, eu merecia ser tão enganada, assim? Eu era tão inocente, assim? E por que demorei tanto pra abrir os olhos? Por que você se permitiu brincar tanto assim? Paixão não é uma coisa com a qual se brinca. Sentimento dos outros não é um jogo. Eu poderia ficar o dia todo falando sobre como foi negativa a sua presença na minha vida, mas parei de achar que vale a pena sequer dirigir alguma palavra a você. Foram tantas mentiras. No fim das contas, eu sinto pena de nós dois. De mim, por perder tanto tempo. E de você, bem, por vários motivos. Eu não sinto muito por não ser o que você queria, eu sinto muito por você não ser um terço do que eu merecia, por, a essa altura, ainda ter muito o que aprender, muito a crescer e por ser um covarde. E aí eu olho pra frente e não sei se fico aliviada ou chateada por estar longe da sua vida. Uma pena você desperdiçar tanto. É só isso. Uma pena. Não tenho raiva. Nem ódio. Muito menos amor. Tenho pena.

Why..

Why do you always do this to me? Why couldn't you just see through me?
How come, you act like this like you just don't care at all. Do you expect me to believe I was the
only one to fall?