A noite foi fria demais. Cê me desculpa, eu não sabia pra onde ir. As luzes já estavam apagadas, mas eu entrei mesmo assim, me enfiei no teu cobertor e lá fiquei, mesmo sozinha. Teu céu de estrelas não brilhava, mas eu aproveitei o silêncio e o cheiro reconfortante dos lençóis, e confesso que até me senti em casa. É nessas horas que a gente percebe, lá no fundo, que não foi feito pra ficar sozinho, pra ser só.
Logo o céu lá fora se acenderia e eu precisaria ir embora; doeu perceber que eu não queria nadinha sair dali. Fui enfim, mas com uma vontade louca de ficar, com um desejo enorme de puxar as cortinas e me aconchegar na cama mais um pouco, de esperar tua volta e contar o que me havia do lado de cá. De ouvir teu riso de novo e uma ou outra história do outro lado do mundo, uns desabafos, umas confissões, uma vontade enorme de qualquer tempo com você. Mas num impulso de horror, num reflexo de irreciprocidade, eu corri tanto, mesmo sem chão nenhum, até rasgar as beiras de mim. Corri pra longe até que cheguei bem aqui, exatamente aqui de novo, contigo. Meu dilema continua, enfim.
Eu não sei se você vale a pena, mas eu sei que eu valho, por mim. Sei também que a gente foge de fazer decisões e depois chama o resultado da nossa omissão de "destino", na maior cara de pau. Mas eu não vou mais ser omissa. Essa é a minha decisão. Eu vou decidir por mim. E por eu valer a pena, aqui eu me arrisco.

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