Foi como aquela brisa que passou e antes que eu pudesse me dar conta, já tinha ido embora. É que o vento já tinha batido tantas vezes que eu não imaginei que uma brisa tão leve acabaria tendo a repercussão de um furacão. Um pequeno descuido. Um momento com os pés na areia, de olhos fechados, cabeça para cima, aproveitando ao máximo o calor do sol. No segundo seguinte, a água mostrou quem é que mandava. Mas se eu prezava tanto pelo que a água deslocou de mim - que acabou não por levar, apenas por destruir, como se pelo prazer doentio de quem busca apenas criar obstáculos e demonstrar sua superioridade -, por que eu? Se tantos não davam o devido valor, qual o motivo de se manifestar em alguém que havia se descuidado por um milésimo de segundo? Seria insano ou real demais acreditar que a água pudesse estar se vingando injustamente por todas as vezes em que todo ser desfrutou dela sem lhe dar o devido valor, em um único e efêmero, como se ela não soubesse também sê-lo, ser? Pegou-me em desaviso, o mar, e tão rápido quanto o vento que embaçou minhas vistas, senti-me obrigada a aceitar com resignação, abaixar a cabeça e ir comprar outro chapéu. Porque perdê-lo foi como o dia em que, numa brisa ligeira dessas, perdi meu chapéu para o mar.
Era só um chapéu, mesmo
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