Meus altos e baixos

Minha vida sempre foi uma corrida de montanha russa. Dizem que a vida é uma loteria, ou pelo menos foi assim que eu vi em algum livro, uma vez. Mas não. A vida comigo sempre foi o alto extremo, a ponto de me fazer tremer de emoção, e o vale tão baixo que só repassar as lembranças já fica doloroso. Com o coração, nunca foi muito diferente. Às vezes dava aquela taquicardia antes de dormir, uma ansiedade louca por alguém que nunca durou mais do que qualquer outro, e depois de algum tempo, uma calmaria tão mansa que chegava a dar tédio. Depois de um tempo parecia ter sido tudo um sonho, com aqueles momentos em que o tempo corre rápido demais, ou então se arrasta tão... devagar... que... cansa.  Eu tentei tantas vezes ir pro fim da fila e começar de novo, mas depois de um tempo isso se tornou exaustivo. Era como se eu estivesse num loop infinito, tão feliz, tão triste, tão alta, tão baixa, sem previsão de normalidade. Eu não tinha previsão de calmaria, - ou pior, achava que tinha, que a próxima vez as coisas mudariam - e talvez fosse isso o que me deixasse inquieta, tentando de novo e de novo... Até você chegar. Mas você não mudou o curso do jogo, não tornou as curvas mais suaves e muito menos os baixos mais sutis. Você pegou seu lugar ao meu lado, me deu a mão e me acompanhou naquela aventura vertiginosa. E foi aí que eu percebi o que era mais incrível nisso tudo, que o que eu precisava não era de alguém que movesse as montanhas por mim, mas alguém que me acompanhasse no passeio.

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