E só os loucos sabem

Eu sempre fui muito decidida, nunca deixei que ninguém me ditasse o que pensar, como agir, como ser. Mas aí veio você com aquele bom dia e todas as minhas esperanças de começar o dia sem pensar em você foram de novo por água abaixo. Mas também eu já to mais que mal acostumada, agora não tem mais jeito, já espero a mensagem todo santo dia. Quando ela não vem, acontece o que aconteceu hoje. E hoje eu já acordei com uma dor de cabeça insuportável, daquelas que eu nunca tenho, mas quando tenho me faz pedir misericórdia. E aí que lidar com duas dores já seria demais até pra mim. E eu te chamei. Um minuto até chegar sua resposta, sempre tranquila, como você. Me perguntei se você sabia o turbilhão que passava por mim naquele momento, as frequentes dúvidas sobre o que você sentia. Você, a pessoa mais X do mundo pra mim. O que é que eu fui fazer? Eu não tinha assunto - nunca tive - e não sabia o que dizer em seguida, mas você arriscou umas palavras. E de novo a menina decidida teve que assistir, no caso satisfeita, enquanto alguém corrigia a situação. Convivo com as dúvidas e, pra não perder a cabeça, escrevo. Não envio nada porque sei que assusta saber demais, mas mesmo assim escrevo. Uma vez eu vi por aí que o ruim da saudade é a pessoa nunca saber o espaço que ocupa no seu peito. Mas o contrário também é verdade, não é? Todos os espaços vazios entre nós não me dizem se um desses é meu. Dessa vez o silêncio, que eu adorava: meu maior sinal de liberdade, é meu maior inimigo, mais até do que eu, que vivia sabotando minha própria alegria. Então faz um favor, não fica quieto, não deixa esse silêncio engolir a gente. Porque eu nunca fiquei sem que me pedissem. E se eu toda hora penso em ir, ensaio um sumiço, arrisco desaparecer, não é necessariamente por vontade. Não é jogo. É medo de ficar sem ninguém pedir. Porque se eu fosse embora, desse chance a um novo alguém, o que você faria? Você também teria saudade?

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