Depois do fim


Cada passo que ele dava fazia o coração dela ribombar dentro de si, mas todo aquele sangue não era o suficiente para dar-lhe forças. Sequer conseguia segui-lo com o olhar. Ela estava vazia, seus olhos eram inexpressivos. Coisas mínimas a faziam se retrair e ela nunca dizia nada espontaneamente. Só respondia se lhe fizessem uma pergunta. Não enxergava mais a vida com a perspectiva de antes, havia perdido a ânsia de existir. Ela não era tão forte como pensaram, o certo e o errado deixaram de significar grande coisa. O amor que um dia habitara em seu peito agora o consumia, como um verdadeiro parasita. Talvez ela voltasse ao normal depois de algum tempo, talvez tivesse se perdido para sempre. De qualquer maneira, o único que poderia salvá-la de seu dano irreparável acabara de ir, levando consigo um pedaço daquele amor, dando a batalha por perdida e deixando a coitada condenada à destruição, dentro de si.

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