Se ele quer ir...

Agora é diferente. Dessa vez eu não vou ficar me martirizando pelo que podia ter sido e pelo que não foi. Agora eu consigo enxergar a verdade que está bem ao meu lado, que eu não estava procurando alguém, ou alguma coisa quando quis me arriscar. Que eu só estive esse tempo todo em busca de mim mesma, da voz que sem querer eu vinha sufocando, em função de agradar a quem quer que fosse - menos eu. E que ele não tinha nada a ver com isso. Claro que em um pedaço ou outro do caminho eu me confundi, tropecei e troquei os pés pelas mãos, mas eu também aprendi a me levantar. E quem nos conhece melhor do que nós mesmos? E ele teve a chance, só que não quis. E se tem uma coisa que eu aprendi, enquanto tentava entender a mim mesma, é que não adianta travar uma batalha por quem não quer ficar. Sempre foi assim comigo e não é diferente com os outros. Se for pra lutar junto, eu sou a primeira a me dispor, definir estratégias e por o coração à prova mesmo, mas se a história for um tiquinho diferente, eu não vou. A batalha não é minha, não vou por o peito na linha de frente só por questão de coragem. Porque eu tenho, e sei disso, tô muito mais minha, mas não preciso ficar mostrando isso pra ninguém. E não adianta, já questionei Deus e toda entidade que há nesse mundo, por que é que é sempre assim, por que eu continuo só ganhando experiência, mas nunca consigo um momentinho de paz, um minuto de sossego, pra colocar as armas de lado e descansar. E o que tem de diferente agora? Tem eu, que dessa vez não vou me matar por um indeciso qualquer, que vou recostar em mim mesma, nas amigas que sempre estiveram aqui e não vou mais brigar por alguém que não quer ficar. E hoje sou senhora da minha razão. Se não aconteceu, é porque a outra parte não quis. Eu estava aqui, eu tentei, matei todos os "e se", tô de consciência e cara limpa. E o bonito que se cuide, que eu não sou de desistir, mas quando desisto, é pra valer. Quem precisa de sorte agora é ele.

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