Ele continuava insistindo, então disse o que ele queria ouvir. Disse, ainda com receio, que estava em dúvida; estava dividida entre duas pessoas, dois meninos. Meu erro, ou maior acerto, foi omitir que ele não era nenhum dos dois que disputavam, inconscientemente, meu coração.
Com
inocência, talvez por ironia do amável destino, ele sorriu ternamente,
me abraçou com carinho e, provavelmente sem querer, me fez sentir algo
que poucos jamais conseguiriam, ainda dizendo as mais doces palavras,
ousadas "Tens todo o tempo do mundo, pequena". Ele foi compreensivo.
Completamente compreensivo; incluindo o fato que ele não bateu a porta
ao sair, como a maioria vinha fazendo comigo, depois que eu perdia o
interesse e os traía, esquecendo de encerrar o compromisso, antes. Eu
poderia ser irresponsável, mas quem disse que obrigações são algo
divertido de se cumprir? Também não me ofendeu ou pareceu ter intenção
de me agredir, seja moral ou fisicamente. Pode ter sido esse o motivo
de, logo após ele sair, eu ter desmoronado na cama e me despedaçado a
cada vez que seu timbre voltava a assombrar meus ouvidos; eu esperava
que ele fosse como todos os outros. Acho que a complicada da história
sou eu, mesmo, que não sei me interessar por quem se interessa por mim,
que não sei atar à mim quem realmente deveria ser atado. Sempre
acreditei que fosse forte, desistindo de quem quisesse, não sentindo o
amor. Pobre garota cega, ingênua e imatura. Como boa egocêntrica que sempre fui,
pus-me a pensar sobre alguns fatos da minha inconstante jornada, em
como havia sido tola, tentando enganar a mim mesma, esse tempo todo,
tentando controlar o próprio coração, quando sabemos que o coração tem razões que a própria razão desconhece. E a desobedece. A razão me dizia que eu não seria feliz assim, enquanto o coração permanecia mudo.
A
dúvida que pairou na minha cabeça, aquela noite, era se você seria só
mais um, entre tantos, se finalmente alguém conseguira o impossível. A
verdade, por sua vez, me alertou. A vida é uma grande montanha russa,
você sabe, e talvez você seja apenas o ápice, antes da queda.

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