Ensaio sobre você
Então eu ensaio mais umas mil vezes o que dizer, reorganizo as vírgulas infinitas vezes, reformulo a frase, remonto uma expressão, pego o celular mais uma vez, mas não faço a ligação. Essa é a parte que eu deixo meu cérebro descansar de todo o trabalho que é pensar e repensar nós dois, da confusão que é gostar e não ter quase nenhuma certeza. E penso se estou sozinha nessa. É o problema do século, dizem, mas nem por compartilhar disso com meio mundo minha sina fica mais leve. Queria a liberdade de poder falar o que eu penso e sinto, sem censuras, nem temores. Queria falar da loucura que é encontrar alguém que finalmente empresta algum sentido ao título de "especial", "diferente". Não tô falando de amor, quem é que falou da palavra com A, aqui? Mas entendo que gosto e já parei de negar pra mim mesma carinho tão sincero; aprendi que a gente tem que ser honesto consigo próprio. E aí é quando minha cabeça quase sai do travesseiro, de madrugada, ansiosa pelas primeiras horas do dia pra poder te dizer logo todo meu script eloquente que obviamente só parece bom às duas da manhã, quando tá na ponta da língua. Lembro de como é importante ser sincera e penso em contar a verdade, abrir o jogo. Quem é que gosta de aprisionar sentimento tão bonito? Eu que não. Penso sobre o quão maluca é essa mania humana de deixar tudo subentendido, debaixo dos panos, por medo. E medo do quê? De ser feliz? Que sentido faz? Cansei de queimar neurônios noite afora tentando entender isso. Você. Imagino milhares de formas sensatas de expor o problema, sentar contigo e falar assim, de cara e consciência limpa, por mais que no fim de todas as minhas sketches mentais, o cenário seja você saindo correndo. Em comemoração ou pavor, ainda não decidi. Visualizo as possibilidades do resultado ser positivo e eu escutar aquilo que quero ouvir e sou surpreendida pela logística interna todas as vezes, que nunca entra em acordo. Adiciono isso à lista: nunca te entendo por completo, não sei prever teu agir. Bobagem, espontaneidade não se prevê. No fim, quando acredito entender; me vem esse click, como se tudo finalmente fizesse sentido. Me permito achar que entendo você, as vezes em que fala de menos, mas depois compensa com um gesto, mostrando milagrosamente que não se esqueceu de mim. E aí entendo que tudo pode ser porque você me tem fácil demais. Você sempre me deixa nesse limiar confuso entre o desinteresse e o típico medo de admitir qualquer sentimento. Entende? Se é reflexo de medo seu, não sei; sou obrigada a refazer metade do meu discurso, agora quase pronto. Então, eu ensaio tudo de novo.
Assinar:
Postar comentários
(
Atom
)

0 comments:
Postar um comentário