Eu não volto mais
O problema é que você nunca viu, eu nunca precisei de você. E eu sei que você também nunca precisou de mim, eu sei disso, sei de toda a nossa individualidade, e respeito muito. Acho até bom. Mas você sabe o quanto me deixava louca te ver agindo assim, como se eu fosse o pingente do seu colar, detalhezinho que os outros só admiram, mas que você ministra. Não sou acessório de homem nenhum, e se não foi a minha voz, talvez agora a minha ausência te mostre isso. Espero que você saiba lidar com a próxima que te aparecer, desejo que aprenda a largar todo esse preconceito que te impede de tratar alguém de igual pra igual, e peço aos céus que - caso contrário - você seja feliz por si só, que mulher nenhuma aguenta o que eu aguentei nem por uma semana. E tudo o que tinha de você em mim, queria te falar que aquilo sempre fui eu, nunca deixei ninguém me mudar; infelizmente, da mesma forma que você. Mudança vem de dentro, e eu te peço desculpas se em algum segundo eu fugi da minha própria moral e tentei encostar o dedo na tua essência. Agora eu vejo que não devia ter nem feito o esforço. Mas descanso em saber que tentei, que quis te mostrar o que me era tão errado, que dei chance, que fui atrás, sim, à exaustão. Talvez você não veja nem hoje, nem amanhã, mas um dia você vai entender, que eu tentei; e é coragem, dizer o que todo mundo pensa e não consegue falar, o que todo mundo quer dizer e não diz. Mas agora é questão de sanidade, deixar esse peso de nós dois pra lá, dar as costas, voltar minha atenção pra mim mesma. Chega de tentar meus toques indelicados, à beira da explosão, pra ver se você percebe teus murros em ponta de faca. E pensando bem, eu é que os dava, tentando ajudar, à minha maneira tão torta. Erramos, os dois, não foi? Dizem que os finais são assim, nunca só um errou, e eu aceito a minha parcela. Aceito, me desculpo, e também te perdôo, mas acabou. E agora, eu não volto mais.
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